Taxas dos DIs sobem quase 30 pontos-base com ajustes após decisão sobre Selic
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) iniciaram a quinta-feira com altas firmes, próximas dos 30 pontos-base nos vencimentos longos, após o Banco Central ter cortado a Selic em 25 pontos-base na noite de quarta-feira, mas adotado um discurso cauteloso quanto a futuras reduções em função da guerra no Oriente Médio.
Às 10h01, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,94%, com alta de 25 pontos-base ante o ajuste de 13,694% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,17%, com elevação de 28 pontos-base ante 13,889%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anunciou na noite de quarta-feira o corte de 25 pontos-base da Selic, para 14,75% ao ano, e disse estar dando início a um ciclo de "calibração" da política monetária, mas destacou o "forte aumento da incerteza" e o "distanciamento adicional" das projeções de inflação em relação à meta.
Em reação, a curva a termo apresenta altas fortes em quase todos os vértices nesta manhã, com investidores ajustando posições tendo como norte a possibilidade de o BC manter a Selic em 14,75% em abril, caso a incerteza gerada pela guerra permaneça.
A alta dos preços do petróleo segue no foco, com a navegação no Estreito de Ormuz ainda prejudicada, o que mantém as preocupações sobre os efeitos inflacionários da alta dos combustíveis nos países. Nesta manhã, o petróleo tipo Brent avançava 5,28%, aos US$113,05 o barril.
No exterior, na esteira da decisão da tarde de quarta-feira do Federal Reserve, que manteve a taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, os rendimentos dos Treasuries tinham altas fortes.
Às 10h01 o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- subia 15 pontos-base, a 3,896%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- avançava 5 pontos-base, a 4,304%.