Taxas dos DIs sobem em dia de realização de lucros e petróleo acima de US$100
Após cinco quedas seguidas, as taxas dos DIs fecharam em forte alta nesta quarta-feira devido a um movimento de realização de lucros, agravado por tensões políticas no STF. O avanço também foi impulsionado pelo cenário externo, com o petróleo Brent superando os US$ 100 por barril e a alta dos Treasuries após escaladas no conflito entre EUA e Irã, o que reacendeu temores inflacionários. Apesar da elevação dos prêmios, o mercado ainda aposta em um corte de 25 pontos-base na Selic neste mês.
Após cinco sessões consecutivas em baixa, as taxas dos DIs fecharam a quarta-feira com ganhos firmes, com parte dos investidores realizando os lucros mais recentes, em movimento também influenciado pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e pela alta do petróleo Brent para acima dos US$100 o barril.
O noticiário em torno da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que nesta quarta-feira teve desdobramentos, permeou as mesas de operação.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,63%, com alta de 11 pontos-base ante o ajuste de 13,522% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,22%, com elevação de 20 pontos-base ante 14,02%.
O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais mais recentes, ainda que ele permaneça em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto, animou os investidores nas cinco sessões anteriores, provocando forte redução de prêmios na curva.
Por trás do movimento está a percepção de parte do mercado de que a saída de Lula da Presidência seria um fator favorável ao ajuste fiscal.
Nesta quarta-feira, porém, uma parcela dos investidores aproveitou a movimentação mais recente para embolsar os lucros, comprando taxas e fechando posições.
A realização de lucros ocorreu em um dia de reviravolta no STF. Pela manhã, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Passos Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, após o colega da corte, André Mendonça, ter ordenado na véspera o afastamento dele do cargo. Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF afastado por Mendonça, também foi reintegrado.
Mendonça está no centro de uma disputa com o ministro do STF Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito do Banco Master. Moraes, por sua vez, é um dos principais alvos de Flávio na disputa eleitoral com Lula.
O viés de alta para as taxas dos DIs se intensificou a partir do fim da manhã, em sintonia com o ganho de força dos rendimentos dos Treasuries e o avanço do petróleo Brent após o acirramento da guerra no Oriente Médio. A alta do petróleo renovou as preocupações com a inflação nos países, inclusive no Brasil.
O Irã informou nesta quarta-feira ter atacado dez navios no Estreito de Ormuz, depois que os EUA afundaram cinco petroleiros iranianos. À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, opinou que a guerra com o Irã irá terminar apenas depois das eleições norte-americanas de novembro, já que Teerã estaria tentando influenciar a votação.
Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 14,225% (+21 pontos-base) às 16h04.
Apesar do movimento no dia, os investidores seguiram posicionados para um novo corte de 25 pontos-base da taxa básica Selic, hoje em 14%, este mês.
No exterior, às 16h33 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 3 pontos-base, a 4,833%.
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