Taxas dos DIs sobem com especulação sobre greve de caminhoneiros, apesar de leilões do Tesouro
Após oscilarem em baixa na maior parte da sessão, as taxas dos DIs fecharam a terça-feira em alta, com o mercado reagindo negativamente a especulações sobre possível greve dos caminhoneiros nos próximos dias.
O avanço das taxas ocorreu a despeito de o Tesouro ter realizado mais duas intervenções no mercado de títulos nesta terça-feira, recomprando e vendendo papéis com o objetivo de eliminar distorções na curva a termo.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2027 estava em 14,16%, com alta de 9 pontos-base ante o ajuste de 14,074% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,86%, com elevação de 6 pontos-base ante 13,80%.
As taxas futuras recuaram durante toda a manhã e durante boa parte da tarde no Brasil, refletindo os leilões de títulos do Tesouro Nacional e a relativa acomodação dos Treasuries no exterior, apesar da continuidade da guerra no Oriente Médio, que fez o petróleo voltar a subir.
Pela manhã, o Tesouro recomprou 7,6 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 5 milhões de Notas do Tesouro Nacional (NTN-F), ambos títulos prefixados, em um valor total de R$9,05 bilhões.
À tarde, ele recomprou 1,629 milhão de Notas do Tesouro Nacional-Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação, no valor total de R$7,077 bilhões. Simultaneamente, vendeu 244,6 mil NTN-B, em um total de R$1,052 bilhão.
Com essas operações extraordinárias, o Tesouro busca reduzir as distorções na curva a termo brasileira, em um contexto de forte pressão de alta trazida pela guerra no Oriente Médio.
Durante a tarde, porém, em meio à operação com NTN-B do Tesouro, o mercado reagiu negativamente à possibilidade de uma greve de caminhoneiros nos próximos dias, o que fez as taxas dos DIs zerarem as perdas e, na sequência, passarem a subir.
O jornal Folha de S. Paulo informou que caminhoneiros de diferentes regiões do país estão articulando uma paralisação nacional nos próximos dias, em protesto contra o aumento do óleo diesel. Ainda que não haja uma data definida nem clareza sobre a real adesão da categoria, receios de que uma greve possa impulsionar a inflação fez as taxas futuras atingirem máximas.
Após atingir a mínima de 13,975% (-10 pontos-base) às 11h08, já após a primeira intervenção do Tesouro, a taxa do DI para janeiro de 2027 marcou a máxima de 14,245% (+17 pontos-base) às 15h43, reagindo às especulações sobre uma possível greve.
Além dos leilões e das especulações sobre a greve, permearam os negócios nesta terça-feira as dúvidas sobre o que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciará na noite de quarta-feira: um corte de 25 pontos-base da Selic ou a manutenção da taxa básica em 15% ao ano.
No mercado, os receios de que o BC possa manter a Selic cresceram, ainda que a precificação dos ativos mostre chances maiores de corte de 25 pontos-base. A possibilidade de corte de 50 pontos-base -- amplamente precificada antes da guerra no Oriente Médio -- desapareceu da curva a termo e passou a ser minoritária no mercado de opções de Copom da B3.
Também na quarta-feira, o Federal Reserve anunciará sua decisão sobre juros, com o mercado precificando amplamente a manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%. Às 17h18, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha queda de 1 ponto-base, a 3,672%. Já o retorno do título de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 2 pontos-base, a 4,198%.