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Taxas dos DIs desabam com esperança de desescalada da guerra no Oriente Médio

31 mar 2026 - 16h53
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As taxas dos DIs fecharam a terça-feira ‌com baixas firmes, superiores a 30 pontos-base em vários vencimentos, acompanhando o recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em meio à esperança nos mercados de uma desescalada da guerra no Oriente Médio.

Com o dólar também em queda ante o real, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,755% no fim da tarde, com baixa de 35 pontos-base ante o ajuste de 14,108% da sessão anterior. ⁠Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,88%, com ‌recuo de 25 pontos-base ante 14,13%.

Na noite de segunda-feira, o Wall Street Journal havia informado que Trump disse a assessores que está disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o ‌Estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado.

Nesta terça, o Irã ‌atacou um navio petroleiro totalmente carregado perto de Dubai, enquanto o presidente dos EUA, Donald ⁠Trump, disse que o país destruirá as usinas de energia iranianas se Teerã não aceitar um acordo de paz, reabrindo o Estreito de Ormuz.

Em outra frente, Trump voltou a criticar países que não ajudaram os EUA em seus ataques ao Irã, como o Reino Unido, e defendeu que eles sigam para o Estreito de Ormuz e "simplesmente tomem" a commodity.

O cenário ainda conturbado deu novamente força ao petróleo tipo Brent, que oscilava ‌acima dos US$118 o barril no fim da tarde, mas nos demais mercados os investidores se apegaram à ‌possibilidade de desescalada da guerra.

"A possibilidade ⁠de fim da guerra reduz ⁠o prêmio de risco, então você já tem esta curva de juros indo para baixo", comentou Lais Costa, analista ⁠da Empiricus Research, acrescentando que no caso do petróleo a ‌pressão de alta continua. "O próprio Trump ‌disse para o Reino Unido se virar", lembrou.

Mesmo com o petróleo em alta, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a mínima intradia de 13,870% (-26 pontos-base) às 13h39, em um momento em que os rendimentos dos Treasuries também estavam nas mínimas do dia.

Apesar da retirada de prêmios ⁠da curva brasileira, Costa segue enxergando chances maiores de o Banco Central cortar a taxa básica Selic em apenas 25 pontos-base em abril, e não em 50 pontos-base, como alguns analistas seguem considerando.

"Mesmo que hoje, no fim do dia, o conflito no Oriente Médio esteja resolvido, dado que o preço do petróleo não arrefeceu, não vejo como o BC acelerar muito ‌o corte da Selic", pontuou.

Internamente, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelaram durante a tarde a geração de 255.321 empregos formais em fevereiro, abaixo dos 270.150 postos calculados em pesquisa da ⁠Reuters com economistas. O resultado não alterou o movimento de retirada de prêmios da curva brasileira.

Pela manhã, o Banco Central informou que a dívida bruta brasileira atingiu 79,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em fevereiro -- o maior percentual desde os 79,5% de outubro de 2021, quando o país ainda enfrentava os impactos econômicos da pandemia de Covid-19, que elevou os gastos públicos.

O aumento da dívida bruta, um dos indicadores mais observados pelas agências globais de classificação de risco, tem sido uma das fontes de críticas ao atual governo e um dos fatores considerados na precificação dos DIs, em especial os de longo prazo.

No exterior, às 16h41, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 4 pontos-base, a 3,785%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 5 pontos-base, a 4,291%.

Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta terça-feira:

Mês Ticker Taxa Ajuste Variação

(% anterior (p.p.)

a.a.) (% a.a.)

JAN/27 14,075 14,299 -0,224

JAN/28 13,755 14,108 -0,353

JAN/29 13,7 14,056 -0,356

JAN/30 13,765 14,09 -0,325

JAN/31 13,82 14,117 -0,297

JAN/35 13,88 14,13 -0,25

(Edição de Isabel Versiani)

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