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Taxas dos DIs acompanham Treasuries e caem em dia de ata do Copom

5 mai 2026 - 17h27
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As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam ‌a terça-feira em baixa, com investidores reagindo à ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e ao ambiente mais positivo nos mercados globais, ainda que a guerra no Oriente Médio siga em curso.

Com os rendimentos dos Treasuries em queda, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,825%, em baixa de 14 pontos-base ante ⁠o ajuste de 13,966% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do ‌DI para janeiro de 2035 estava em 13,865%, com queda de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,905%.

Na ata divulgada pela manhã, o BC avaliou que a demora na resolução do conflito ‌no Oriente Médio aumenta a chance de impactos duradouros na ‌economia global. Para o BC, a duração da guerra até o momento pode ter sido ⁠suficiente para materializar alguns riscos, "sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028".

No boletim Focus divulgado na segunda-feira, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação em 2028 estava em 3,64% -- acima dos 3,60% de um mês antes e dos 3% da meta perseguida pelo BC.

Na semana passada, o Copom ‌cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,50% ao ano, mas pregou cautela quanto ao futuro em ‌função das incertezas sobre a guerra ⁠e seus efeitos inflacionários. ⁠Antes mesmo da decisão, membros do Copom vinham demonstrando insatisfação com os avanços das expectativas de inflação, em especial ⁠para 2028.

"Com petróleo mais alto por mais tempo e ‌expectativas de inflação com alguma elevação ‌no longo prazo, o mercado já ajustou para um corte esperado na Selic, em ritmo mais moderado, e taxa terminal mais elevada", avaliou Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, em comentário escrito. "Portanto, a ata não traz surpresa."

Apesar do tom cauteloso da ata, as taxas dos DIs ⁠exibiram perdas durante todo o dia, após os ganhos firmes da véspera.

"A ata de abril deixa claro que o comitê não discutiu opções diferentes a uma redução da taxa Selic em 25 pontos-base. O fato de essa discussão não ter acontecido em abril, diferentemente de março, sugere que o Copom entende que esse é o ritmo 'apropriado' do processo ‌de calibração nas atuais circunstâncias", avaliou Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management. "Assim, acreditamos que, até segunda ordem, esse será o ritmo."

Nesta tarde de terça-feira, a curva a termo precificava ⁠cerca de 65% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 35% de chance de manutenção.

A queda das taxas futuras no Brasil foi corroborada pelo exterior, onde os rendimentos dos Treasuries também caíram. No foco dos investidores esteve novamente a disputa pelo Estreito de Ormuz.

Nesta terça-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o cessar-fogo com o Irã não terminou, mesmo com os dois países trocando tiros no Golfo Pérsico, enquanto lutam pelo controle da hidrovia.

Já o presidente dos EUA, Donald Trump, desqualificou a capacidade militar do Irã e disse que Teerã "deveria acenar a bandeira branca da rendição", mas é orgulhoso demais para fazer isso.

Ainda que o conflito continue, a sessão foi marcada por maior otimismo nos mercados globais, com queda dos preços do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries. Às 16h37, o retorno do título norte-americano de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 4,418%.

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