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Tarifaço: Indústria do pescado do Nordeste estuda negociar suspensão de contratos de trabalho

Pesca em alto-mar no RN está parada, e empresas temem perder maior parte da receita anual, já que safra é concentrada no segundo semestre

31 jul 2025 - 17h09
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Fora da lista de exceções do tarifaço de Trump e sem o mesmo poder de barganha de produtores de café e exportadores de suco de laranja, a indústria do pescado começa a buscar alternativas para enfrentar a perda de seu maior mercado externo. É para os EUA que se destinam 70% das exportações de peixes que saem do Brasil.

Entre os principais afetados, os exportadores de peixes frescos e crustáceos do Nordeste têm deixado a maior parte dos barcos de pesca atracados e já estudam negociar com delegacias regionais a suspensão de contratos de trabalho.

"Apesar de sermos uma indústria relativamente pequena em termos de faturamento, empregamos muita gente", diz Arimar França Filho, diretor da Produmar, uma das maiores exportadoras de peixes frescos para os EUA, e vice-presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do Estado do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN).

"Acabei de vir da federação das indústrias (na manhã desta quinta-feira) e discutimos alternativas, como o afastamento temporário de funcionários." Segundo ele, se o tarifaço for mantido, será preciso negociar com a delegacia regional a suspensão temporária dos contratos de trabalho.

Apenas a pesca oceânica no Rio Grande do Norte gera 1.500 empregos diretos. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) estima que mais de 1 milhão de empregos serão afetados com o tarifaço.

Os EUA respondem por 97% das vendas ao exterior de peixes produzidos por aquicultura (criação) e 58% dos que são pescados. Dos 30 associados da Abipesca, pelo menos 20 dependem da exportação.

No Rio Grande do Norte, apenas um terço das embarcações foram enviadas para a pesca em alto-mar. "Para nós, a principal demanda junto ao governo é a retomada das negociações para abrir as exportações para a Europa, que estão suspensas desde 2017?, diz ele. A venda para aquele continente foi suspensa por questões sanitárias. "Se tivéssemos mais um grande mercado consumidor, além dos EUA, não estaríamos sofrendo desse jeito."

No Ceará, a situação não é diferente. As indústrias têm retirado barcos e apetrechos de pesca do mar, segundo Expedito Junior, CEO da Mares Pescado. O estado tem 10 indústrias, que representam 23,7% dos valores exportados, e 13,9% do total em toneladas.

Dos R$ 300 milhões anuais que a Mares Pescado fatura, 40% são provenientes dos EUA. Até agora, toda a produção anual de 600 toneladas de cauda de lagosta da empresa era destinada àquele país.

"É um produto de maior valor agregado e que outros mercados não têm condição de pagar", afirma Junior. O crustáceo não pode ser enviado por via aérea, já que é transportado em contêineres de 18 toneladas. Com a pesca da lagosta concentrada no segundo semestre, o impacto na receita da companhia será grande, caso o tarifaço seja mantido.

Com 1.200 funcionários, a Mares Pescado pretende redirecionar a produção para a China. Porém, o produto consumido naquele país é a lagosta inteira, que custa menos para o consumidor. "Estamos há 42 anos tentando abrir novos mercados e não é do dia para a noite que se consegue fazer isso", diz Junior.

Com o anúncio de ontem, os empresários da área dizem se sentir "perdidos". Thiago de Aragão, diretor de Estratégia da Arko Advice, disse em live que os pequenos e médios produtores serão os mais afetados pelo tarifaço.

Ao contrário dos grandes grupos, que participam diretamente da mesa de negociação com os EUA, os menores não conseguem ter capacidade de lobby.

Uma das alternativas apontadas por Aragão é a criação de ferramentas como hot sites ou centros de inteligência geopolítica para apoiar esses produtores.

"O que não pode acontecer é deixar esses produtores perdidos", afirmou. "É uma oportunidade para as empresas entenderem que fazem parte do mundo e podem agir antes que o problema aconteça."

Para a Abipesca, medidas emergenciais de mitigação poderiam ajudar na travessia da crise.

"A interrupção dessas exportações poderá desencadear uma onda de pedidos de recuperação judicial, uma vez que as empresas não terão capacidade de honrar seus compromissos financeiros", afirmou Eduardo Lobo, presidente da Abipesca, em comunicado.

"Uma linha de crédito emergencial seria como oxigênio para a gente pensar o que fazer, nesse momento mais grave da crise", diz França.

Estadão
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