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Tarifaço de Trump pode custar R$ 180 milhões no ano à indústria de cacau brasileira, estima AIPC

Sobretaxa imposta pelos EUA ameaça exportações, empregos e funcionamento das indústrias no Brasil, alerta associação do setor

4 ago 2025 - 16h31
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BRASÍLIA - A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) calcula que o setor pode perder pelo menos US$ 36 milhões — cerca de R$ 180 milhões — em 2025, se for mantida a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre derivados de cacau. A taxa, definida por ordem executiva da Casa Branca na semana passada, passará a vigorar na próxima quarta-feira, 6, e preocupa a entidade, que vê risco ao funcionamento da indústria nacional.

O mercado norte-americano é o segundo principal destino dos derivados brasileiros de cacau e responde por 18% das exportações do segmento.

Estimativas da entidade apontam que a ociosidade média da indústria processadora de cacau pode saltar para 23,83%, podendo atingir até 37%
Estimativas da entidade apontam que a ociosidade média da indústria processadora de cacau pode saltar para 23,83%, podendo atingir até 37%
Foto: Mary Melgaço/Estadão / Estadão

Em 2024, os embarques para os EUA somaram US$ 72,7 milhões (R$ 363 milhões). No primeiro semestre de 2025, já alcançaram US$ 64,8 milhões (R$ 325 milhões), mais de 25% do total exportado no período.

A AIPC afirma que a sobretaxa adicional de 40%, somada aos 10% de tarifas recíprocas anunciados em abril, ameaça a estrutura produtiva nacional. "Isso porque a estrutura produtiva do setor depende da moagem das amêndoas, cujo subproduto principal é a manteiga de cacau — derivado fortemente demandado pelo mercado americano, que concentra praticamente 100% das exportações brasileiras desse item".

Ociosidade da indústria

Sem o escoamento para o mercado norte-americano, as empresas ficarão impossibilitadas de manter a produção em pleno funcionamento, continua a entidade.

Isso poderá ampliar significativamente a ociosidade industrial e comprometer empregos e investimentos nas regiões produtoras, especialmente na Bahia, no Pará e em São Paulo.

A cacauicultura brasileira é responsável por cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos, conforme a AIPC.

Estimativas da entidade apontam que a ociosidade média da indústria processadora pode saltar para 23,83%, podendo atingir até 37%, se considerados os dados consolidados de 2024.

"Esse cenário agrava a crise já enfrentada por um setor pressionado por quebras de safra e alta nos preços das amêndoas no mercado interno", ressalta a associação.

"A AIPC acredita no diálogo como caminho para a superação desse impasse e reforça seu compromisso com o trabalho técnico e propositivo junto aos governos do Brasil e dos Estados Unidos, em busca de soluções que preservem a previsibilidade, a sustentabilidade da cadeia produtiva e a geração de valor no agronegócio nacional", finaliza.

Estadão
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