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Indústria e setor de máquinas defendem que Brasil evite uso da reciprocidade diante de nova tarifa

Nesta quinta-feira, 23, governo Trump confirmou sobretaxa adicional de 12,5% a 60 países - incluindo o Brasil - por supostas falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho escravo

23 jul 2026 - 20h01
(atualizado às 20h11)
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BRASÍLIA E SÃO PAULO - Após o anúncio de uma nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos, segmentos como a indústria e o setor de máquinas e equipamentos defenderam que o governo Lula não tome decisões precipitadas e nem adote a Lei da Reciprocidade Econômica neste momento.

"O que nós não queremos criar é decisões precipitadas que possam provocar mais problemas do que soluções. Você acionar (a Lei da Reciprocidade), não significa agir (agora). É essa a minha leitura", declarou a jornalistas o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.

Ele avalia que há um trâmite técnico e cauteloso neste processo antes de eventual aplicação efetiva da medida.

Governo Lula rechaçou nova tarifa e falou em acionar lei da reciprocidade
Governo Lula rechaçou nova tarifa e falou em acionar lei da reciprocidade
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O governo norte-americano justificou a tarifa de 25% como resposta a supostas práticas comerciais desleais envolvendo temas como Pix, etanol e desmatamento. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida deve atingir 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, equivalentes a US$ 7,4 bilhões em valores de 2024.

Hoje, foi confirmada a sobretaxa adicional de 12,5%, que havia sido já anunciada pelo governo americano. Esse porcentual deverá ser aplicado a 60 países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. Ricardo Alban lembrou que, no contexto de anúncio da tarifa de 50%, houve conversas com o governo para evitar uma retaliação imediata.

"Isso foi ouvido, foi acertado e foi seguido. O que nós estamos tendo a percepção é que o mesmo vai acontecer agora", declarou Alban. Ele reforçou que há "afirmação categórica" do MDIC de que o Brasil continuará negociando com os EUA.

A entidade que representa o setor de máquinas e equipamentos no País, Abimaq, disse discordar da adoção da Lei da Reciprocidade Econômica pelo governo brasileiro.

"A Abimaq reafirma que não apoia a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta a essa medida. Na nossa avaliação, a decisão dos Estados Unidos tem motivação predominantemente política, e uma reação brasileira baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países", diz a nota.

Segundo a entidade, o caminho mais adequado é o fortalecimento da diplomacia governamental e empresarial. "A Abimaq lembra ainda que a relação comercial entre os dois países é estratégica, o que reforça a importância de preservar os canais de negociação em vez de adotar medidas de confronto", acrescentam.

No comunicado, a Abimaq salientou que seguirá acompanhando os desdobramentos do tema e atuando junto com o governo e o setor produtivo para defender a indústria nacional de máquinas e equipamentos.

Também hoje, o presidente da entidade, José Velloso, divulgou vídeo dizendo que a motivação do governo americano em impor as tarifas de 12,5% a parceiros comerciais é uma decisão que tem cunho político. "Foi uma resposta da Suprema Corte norte-americana que lá em fevereiro proibiu o governo americano de taxar produtos sem uma motivação clara. Agora tem a motivação que é o trabalho forçado", disse Velloso.

Ele avalia ainda que a tarifa total de 37,5% agora retira ainda mais competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. Segundo ele, a situação do setor vai "piorar" e a previsão é que haja queda entre 10% e 11% das exportações de máquinas e equipamentos aos EUA.

Estadão
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