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"Sempre existem complementariedades", diz presidente da Gerdau sobre eventuais aquisições

24 fev 2026 - 11h47
(atualizado às 13h05)
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A Gerdau vai avaliar todos os ativos que tiverem processos formais de venda nas geografias em ‌que escolheu operar, algo que inclui Brasil e eventualmente o anúncio de desinvestimento feito pela CSN no mês passado.

"Sempre que aparece algum processo de venda de ativo no setor de aço a gente olha com atenção...Sempre existem complementariedades...É difícil achar negócio que não tenha nenhum tipo de sinergia", disse o presidente-executivo da Gerdau, Gustavo Werneck, nesta terça-feira.

O executivo fez o comentário ao ser questionado sobre eventual interesse da Gerdau no processo de venda de ativos anunciado pela CSN em janeiro ante o nível de ociosidade nas operações de siderurgia da Gerdau no Brasil.

"À medida que esses processos competitivos acontecerem ⁠nas geografias que escolhemos para operar, vamos olhar", acrescentou o executivo.

A Gerdau atualmente tem um nível de utilização de capacidade de produção no Brasil em suas ‌operações de siderurgia entre 60% e 70%, afirmou o vice-presidente financeiro, Rafael Japur, em entrevista a jornalistas, após a publicação dos resultados do quarto trimestre da empresa na noite da véspera.

Em janeiro, a CSN anunciou que pretende levantar neste ano entre R$15 bilhões e R$18 bilhões com a venda ‌do controle de sua cimenteira e uma participação relevante em uma holding que reúne ativos de ‌infraestrutura de transporte do grupo. Uma parceria estratégica na operação siderúrgica da CSN não foi descartada na ocasião.

Segundo Werneck, não existe atualmente ⁠um processo estruturado, com bancos contratados e outros requisitos, de venda de ativo siderúrgico no Brasil.

"Por enquanto, são só especulações. Não tem nada na mesa, nenhum processo que a gente enxerga no mercado que nos permita tomar decisão de participar ou não", disse Werneck, afirmando que um processo formal demora entre 12 e 18 meses para ser estruturado, "algumas vezes até mais".

ANTIDUMPING

A companhia divulgou na noite da véspera que sua operação no Brasil apresentou margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustada de 7,1% no quarto trimestre, o segundo pior resultado trimestral da empresa no país, disse Japur.

A menor ‌margem Ebitda ajustada da Gerdau no Brasil ocorreu no quarto trimestre de 2015, de 6,9%, quando o setor siderúrgico brasileiro estava mergulhado em uma "tempestade perfeita", segundo ‌Japur, que incluía os impactos da operação Lava ⁠Jato na economia.

O vice-presidente financeiro da Gerdau ⁠afirmou que, apesar das medidas antidumping que começaram a ser implementadas pelo Brasil desde o segundo semestre do ano passado, a companhia segue com pouco espaço de ⁠manobra para elevar investimentos no país. Segundo ele, a maioria das operações no Brasil "está no ‌vermelho".

A expectativa, disse Werneck, é que as medidas ‌de defesa comercial comecem a surtir efeitos neste ano, gerando uma "leve redução" nas importações de aço que têm ocupado mercado das siderúrgicas nacionais. Uma redução mais significativa das importações, disse o executivo, deve ocorrer apenas a partir de 2027.

Após as decisões recentes de antidumping sobre aços laminados a frio e revestidos, a Gerdau espera para julho medida semelhante sobre laminados a quente. Segundo Werneck, uma decisão de implementação definitiva ⁠de antidumping nesse segmento deve ajudar a usina de aços planos da empresa em Ouro Branco (MG) a atender com mais intensidade a demanda por bobinas a quente do Brasil.

"A demanda no Brasil está sólida quando comparamos com os últimos anos. A questão é a penetração muito intensa de aço importado", disse Werneck, citando que a empresa não tem expectativa de novos fechamentos de capacidade no país neste ano após ações tomadas em 2025.

Questionado sobre a situação da indústria de mineração em Minas Gerais, Estado que tem sido castigado ‌por fortes chuvas neste ano, o presidente da Gerdau se mostrou confiante sobre o futuro do setor na região, citando a certificação internacional IRMA obtida pela mina de minério de ferro da companhia em Miguel Burnier no ano passado.

"Infelizmente, houve nos últimos anos alguns eventos que trouxeram uma ⁠percepção e sentimento de que não é possível minerar de forma sustentável ou com segurança", disse o executivo. "Mas o que está acontecendo é que existem operações de excelência em Minas Gerais...Sigo otimista mesmo com aquelas empresas em dificuldades que encontrarão um caminho."

EXTERIOR

O presidente da Gerdau também afirmou que o projeto da usina de aços especiais no México segue em suspenso, pelo menos enquanto não houver uma definição sobre as negociações entre Estados Unidos, Canadá e México em torno do tratado comercial USMCA, que tem prazo para ser revisado até julho.

"Sem uma visualização mais clara sobre para onde essa negociação vai caminhar, a gente não vai estar pronto para tomar essa decisão", disse Werneck.

Na América do Norte, onde a empresa conseguiu uma margem de 21,1% no final do ano passado ante 10,8% no quarto trimestre de 2024, Japur citou uma carteira de pedidos robusta e Werneck afirmou que não vê sinais nos próximos trimestres de alguma deterioração.

Sobre a queda na semana passada do tarifaço de Donald Trump, o vice-presidente financeiro da Gerdau afirmou que isso deve gerar oportunidades de exportação para as operações brasileiras.

Ele avalia a derrubada das taxas comerciais deve resultar em um processo de reindustrialização dos Estados Unidos não tão intenso quanto antes, impactando a demanda de aço na região.

"Temos clientes como a indústria de autopeças que exportava muito para lá (antes do tarifaço). O repanorama das tarifas pode ter efeitos positivos sobre as operações da Gerdau."

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