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Sem cerimônia, golpistas vendem cartões clonados em perfis abertos nas redes sociais

Esquema ocorre através de contas no Twitter, que divulgam os cartões clonados e notas de dinheiro falsas

6 abr 2023 - 05h00
(atualizado às 11h22)
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Página que vende cartões clonados tem quase 4 mil seguidores
Página que vende cartões clonados tem quase 4 mil seguidores
Foto: Reprodução/Twitter

Com alguns cliques e sem sair de casa, qualquer um pode ter acesso a uma infinidade de cartões clonados e notas falsas sendo vendidas sem nenhuma cerimônia nas redes sociais. Os perfis deixam de forma escancarada a sua proposta na rede e usam os termos "Cartão Clonado" ou "CC" como identificação.

O esquema parece se repetir: através do Twitter, perfis anunciam grupos no WhatsApp para que, sem compromisso, o interessado em adquirir um cartão clonado veja os relatos de outros usuários. Ainda no próprio perfil aberto, o golpista deixa disponível um número de WhatsApp para que os interessados na compra entrem em contato. Apesar de ser tão explícito, pouca coisa é feita para coibir o crime. 

Um dos perfis mapeados pelo Terra utiliza o nome de "Neymar Cartão Clonado". Com quase 4.000 seguidores, e ativo desde abril de 2022, já foram mais de 200 publicações feitas pelo golpista, que usa um número com o DDD do Estado de Mato Grosso. 

As publicações recebem poucas curtidas, mas têm um alto alcance de visualizações
As publicações recebem poucas curtidas, mas têm um alto alcance de visualizações
Foto: Reprodução/Twitter

Procurada, a Polícia Civil do Estado afirmou que assim que tomou conhecimento da existência do perfil, através da própria reportagem, passou a investigar o caso. Ainda assim, mesmo com o contato feito há mais de cinco dias, o perfil continua ativo na rede social. 

O delegado Ruy Guilherme Peral da Silva, titular da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) da Polícia Civil do Mato Grosso, explicou que a internet é um campo muito vasto e, apesar dos mapeamentos feitos pelas equipes de inteligência, não é possível alcançar tudo. 

"Algumas redes sociais não removem tão facilmente esses perfis. Têm algumas que tem uma política de privacidade mais forte e uma vez que identifique que determinado perfil está violando, já remove. Depende do caso", explica o delegado. 

A evolução do golpe

A fundadora do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), Raquel Saraiva, destaca a dinamicidade com que os golpes estão evoluindo. "As autoridades de investigação ficam um pouco reativas, não tem como você se adiantar a uma prática dessa ou prever que as pessoas vão começar a vender cartão clonado pela internet", afirma. 

Um exemplo disso é a data de criação da própria DRCI do Mato Grosso, já citada anteriormente. A unidade em que trabalha o delegado Ruy Guilherme completou dois anos em dezembro de 2022. Nesse curto período, a delegacia já recuperou mais de R$ 5 milhões alvos de golpes, como fraudes eletrônicas, segundo afirma o delegado. 

Raquel Saraiva salienta também que há uma responsabilidade das plataformas por onde esses golpes são anunciados. "Como são contas muito antigas, elas já poderiam ter passado por uma moderação, então é uma falha mesmo da empresa, da rede social, de não conseguir conter a prática criminosa dentro da plataforma. Ou esses filtros estão ausentes ou eles estão falhando em captar esse conteúdo criminoso na plataforma", diz a pesquisadora ao lembrar que encontramos um perfil ativo desde 2010 no Twitter.

Raquel destacou ainda que desde a compra do Twitter por Elon Musk, e as demissões em massa pela qual a rede passou, houve uma queda na segurança da plataforma. O Terra tentou contato com a assessoria do Twitter no Brasil, mas ela foi extinta em meio às demissões. 

Já o WhatsApp informou não ter acesso aos conteúdos das mensagens trocadas pelos usuários por causa da tecnologia de criptografia de ponta a ponta como padrão. "O aplicativo encoraja que as pessoas reportem condutas inapropriadas diretamente nas conversas, por meio da opção 'denunciar' disponível no menu do aplicativo (menu > mais > denunciar). Os usuários também podem enviar denúncias para o email support@whatsapp.com, detalhando o ocorrido com o máximo de informações possível e até anexando uma captura de tela", diz por meio de nota.

A plataforma disse ainda que nos Termos de Serviço e na Política de Privacidade do aplicativo, "o WhatsApp não permite o uso do seu serviço para fins ilícitos ou que instigue ou encoraje condutas que sejam ilícitas ou inadequadas. Nos casos de violação destes termos, o WhatsApp toma medidas em relação às contas como desativá-las ou suspendê-las." O aplicativo também afirmou que está disposto a fornecer dados disponíveis às autoridades públicas para investigações.

Os golpistas que vendem cartões clonados nas redes sociais estão deixando uma série de rastros, segundo explica o delegado Ruy Guilherme. A polícia é capaz de investigá-los por três frentes: através dos dados compartilhados na compra do chip de celular, da conta no Twitter e no WhatsApp. "Apesar de não ter fronteiras, a internet não é terra sem lei", enfatiza o delegado da DRCI. 

O Terra também entrou em contato com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que, em 2022, lançou o Plano Tático de Combate a Crimes Cibernéticos. Porém, a assessoria sugeriu que a reportagem entrasse em contato com a Polícia Federal para pedir informações sobre o assunto, que ainda estava com a demanda sob análise até o momento desta publicação.

Fonte: Redação Terra
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