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Risco é que tarifa dos EUA sobre o Brasil fique em patamar elevado, diz Sergio Vale

Segundo economista-chefe da MB Associados, argumento de Trump é político e não tem solução; tendência é que o comércio bilateral com China ganhe ainda mais espaço, afirma

9 jul 2025 - 19h32
(atualizado às 23h36)
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A sobretaxa de 50% informada nesta quarta-feira, 9, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros, é mais do que proibitiva e inviabilizaria os negócios com a economia americana, na avaliação de Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Como a resposta que Trump deseja do Brasil não vai se concretizar — ou seja, o ex-presidente Jair Bolsonaro seguirá impedido de concorrer às eleições de 2026 —, o risco é que as tarifas fiquem no patamar atual, ou em algum tão elevado como o anunciado nesta quarta, afirma Vale.

Segundo o comunicado do republicano, a tarifa comercial para o Brasil entrará em vigor a partir de 1º de agosto. "O mercado estava tranquilo, achando que o pior momento já havia passado, mas Trump será um choque consistente de quatro anos para a economia global. Ele vai ficar brincando de tarifas o tempo todo", diz o economista-chefe da MB.

O economista Sergio Vale
O economista Sergio Vale
Foto: Gabriela Biló/Estadão / Estadão

"O argumento de Trump para a tarifa é político, e não tem solução. A possibilidade de termos essa tarifa e ela ficar elevada durante algum tempo não pode ser descartada. Não vai acontecer nada sobre Bolsonaro", aponta.

Para Vale, a ofensiva tarifária dos EUA contra o Brasil tem como pano de fundo a cúpula do Brics, e tende a afastar ainda mais o Brasil dos americanos, ao mesmo tempo em que deve reforçar a ligação entre os países que integram o grupo.

Nesse contexto, diz o economista, a tendência é que o comércio bilateral com a China ganhe ainda mais espaço na balança comercial brasileira, enquanto os EUA devem perder representatividade.

O economista-chefe da MB destaca que a corrente de comércio entre Brasil e China está hoje em US$ 160 bilhões, mais do que o dobro da corrente com os Estados Unidos, que não chega a US$ 70 bilhões. "Esse 'gap' entre Brasil e EUA só deve aumentar nos próximos anos e reforça a posição de que nosso caminho é se aproximar dos chineses", nota Vale.

Considerando o cenário de que a tarifa seja de fato imposta pelos EUA ao Brasil, haveria um impacto negativo na balança comercial no curto prazo, aponta o especialista, mas ao longo do tempo, as empresas brasileiras procurariam outros compradores e vendedores. Além da economia chinesa, Vale aponta a União Europeia como outro destino que pode absorver as exportações brasileiras, tendo em vista que o acordo do Mercosul com o bloco está perto de ser finalizado.

"Um choque dessa magnitude causa um estrago no curto prazo, mas as empresas vão repensar suas decisões de exportação e importação no futuro. Dado que estamos nos aproximando de um acordo com a União Europeia, há a possibilidade de ampliar ainda mais o comércio com os europeus", observa Vale.

Estadão
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