Requerimento à comissão do Senado pede que Galípolo seja convidado para falar sobre caso Master
Documento foi protocolado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
BRASÍLIA - Um requerimento apresentado à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta segunda-feira, 2, pede que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, seja convidado para prestar informações sobre a atuação da autoridade monetária na liquidação do Banco Master.
O documento foi protocolado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e o pedido ainda não tem data para ser analisado. Com o fim do recesso parlamentar, os trabalhos legislativos da CAE serão retomados nesta terça-feira, 3.
"Em nome da transparência com o povo brasileiro, achamos que convém que as autoridades envolvidas possam vir a este Colegiado, composto por representantes eleitos dos Estados da Federação, a fim de esclarecerem - dentro dos limites do sigilo necessário à conclusão do caso - os fatos do chamado 'escândalo do banco Master', assim como sua atuação para interromper e conter os danos causados por esse pernicioso esquema", afirma o senador, na justificativa do requerimento.
Um segundo requerimento apresentado por Veneziano à comissão pede que o diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, também seja convidado para prestar informações sobre o caso.
'Bancada do Master'
Como mostrou o Estadão, um grupo de parlamentares agiu para aprovar propostas no Congresso Nacional que favoreciam o Banco Master, blindavam políticos, pressionavam a Polícia Federal e o Banco Central e agora tenta evitar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso.
Nos bastidores, as iniciativas têm sido atribuídas à chamada "Bancada do Master" no Congresso. A bancada deixou digitais enquanto o Master vendia carteiras "podres" para o Banco de Brasília (BRB), o banqueiro Daniel Vorcaro aumentava seu leque de relações políticas com festas e eventos patrocinados e o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, tentava comprar o banco.
As movimentações do Banco Master estão sob investigação da Polícia Federal. O processo sigiloso está nas mãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), cujos familiares tiveram participação em um resort de luxo que recebeu recursos de fundos ligados ao Master.
O Master começou a vender carteiras de crédito consignado para o BRB em junho de 2024. Segundo a investigação, de janeiro a junho de 2025, o BRB comprou R$ 6,7 bilhões em carteiras falsas do Master e pagou mais R$ 5,5 bilhões de prêmio, totalizando R$ 12,2 bilhões.
Em março do ano passado, o BRB tentou comprar o Master, mas a proposta foi rejeitada pelo Banco Central em setembro. Vorcaro foi preso em novembro, tendo sido solto depois, e o banco foi liquidado pelo BC. As datas coincidem com os movimentos de líderes no Congresso para aprovar propostas favoreciam o banco e blindavam políticos.