Renda fixa é o investimento mais comum entre os candidatos à presidência
Por sua previsibilidade, esse tipo de aplicação financeira é um dos mais comuns entre a população brasileira
A maioria dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 possui investimentos em renda fixa, incluindo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e Recibos de Depósito Bancário (RDBs), de acordo com as declarações de bens apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Investimentos emitidos por bancos para captar recursos de investidores, o CDB e o RDB aparecem nominalmente em diferentes declarações patrimoniais dos presidenciáveis. O levantamento considera a classificação utilizada pelo próprio sistema eleitoral — “aplicação de renda fixa (CDB, RDB e outros)”.
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Entre os candidatos que declararam esse tipo de aplicação está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na declaração apresentada em 2026, Lula informou patrimônio de R$ 4,78 milhões e registrou duas aplicações classificadas pelo TSE como renda fixa, na categoria que inclui CDB e RDB, nos valores de R$ 6,3 mil e R$ 207,9 mil.
Outro exemplo é Romeu Zema (Novo), que declarou patrimônio de R$ 178,7 milhões. A lista de bens apresentada à Justiça Eleitoral inclui três aplicações na categoria “CDB, RDB e outros”, que somam aproximadamente R$ 4,3 milhões.
A maior parte da fortuna do ex-governador, porém, está concentrada em participações empresariais e fundos de investimento. Já Pablo Marçal (PRTB), por exemplo, declarou R$ 7,418 bilhões, o maior patrimônio entre os presidenciáveis registrados até o momento.
Sendo que mais de 80% (R$ 6.791 bilhões) desse montante está em um único CDB do banco Itaú. Além disso, o candidato tem mais outras três aplicações em renda fixa. Flávio Bolsonaro (PL) tem uma aplicação em renda fixa com mais de R$ 8 mil e Augusto Cury (Avante) tem um saldo em CDB de mais de R$ 220 mil. Para Hudson Bessa, sócio da HB Escola de Negócios, a disseminação de aplicações em renda fixa entre os presidenciáveis é um reflexo da predileção da população brasileira por este tipo de investimento.
“O Brasil, por estar com uma taxa de juros alta [Selic está em 14%], o investimento se torna vantajoso, pois se tem alta liquidez e baixo risco. Caso se opte por uma ação, por exemplo, pode-se ter um rendimento maior, mas o risco também aumenta”, explica ele, que é professor da FGV São Paulo. Já Diogo Angeolli, especialista em gestão de finanças e comportamento, afirma que uma das vantagens da renda fixa é a previsibilidade. Ou seja, “no momento em que se contrata uma renda fixa, já se sabe o percentual que vai ganhar”, explica.
“A liquidez, geralmente, é muito boa e as carências são muito baixas, quando existem. Para reserva de emergências, por exemplo, é uma opção ótima.” Além da renda fixa... Como visto, a concentração de patrimônio em ativos financeiros não se restringe aos candidatos mais ricos. A declaração de bens é uma fotografia do patrimônio informado à Justiça Eleitoral e permite identificar não apenas imóveis e empresas, mas também aplicações financeiras. No caso de Lula, por exemplo, as aplicações em renda fixa representam uma parcela relativamente pequena de seu patrimônio total. O candidato declarou ainda dois planos Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), que é um plano de previdência privada, que juntos somam mais de R$ 3,3 milhões, além de imóveis, conta bancária e R$ 50 mil em um fundo imobiliário.
De acordo com Angeolli, o fundo imobiliário é um bom investimento e, em sua visão, é mais seguro e rentável do que ter um imóvel. Ele esclarece que o fundo imobiliário é um investimento diversificado, em que o investidor compra uma cota que pode ter vários imóveis, o que pode reduzir o seu risco de perda se comparado a um único imóvel. Além disso, o fundo imobiliário paga dividendo mensal, que seria basicamente parecido com um aluguel, destaca.
Ainda sobre os bens declarados pelo petista, Angeolli recorda que ele é o único que possui uma previdência privada. “O caso mais coerente com a fase de vida é o de Lula, que tem 80 anos, com previdência privada e renda fixa”, aponta. “Os demais candidatos estão transparecendo que têm uma velhice desprotegida, porque a aposentadoria pública não entra na declaração de bens. Isso mostra que planejar a própria aposentadoria é raro até nesse grupo.”
De maneira geral, Angeolli afirma que os presidenciáveis não são bons investidores, pois estão alocando as aplicações em poucos tipos de investimento. “Todos estão reprovados na matéria básica da educação financeira, que é evitar concentração”, afirma. “A regra maior da educação financeira é: não ponha todos os ovos numa cesta só”.
O especialista refere-se ao fato de Pablo Marçal (PRTB) ter mais de R$ 6 bilhões em um único CDB, a Romeu Zema (NOVO) combinar aplicações financeiras com uma participação de aproximadamente R$ 94,5 milhões em uma holding familiar, a Ronaldo Caiado (PSD) ter um patrimônio de R$ 52,56 milhões concentrado em ativos ligados à atividade agropecuária, e ao Flávio Bolsonaro (PL), ter a maior parte de seu patrimônio declarado de R$ 8,19 milhões em um imóvel de R$ 6,2 milhões no Lago Sul, em Brasília. A declaração patrimonial é uma exigência para o registro das candidaturas e tem como objetivo permitir ao eleitor conhecer os bens informados pelos candidatos à Justiça Eleitoral. Os dados ficam disponíveis no sistema DivulgaCandContas, do TSE.


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