Ranking global de competitividade: EUA caem sob Trump e país asiático lidera; veja posição do Brasil
Nova edição do Global Talent Competitiveness Index (GTCI), que mede capacidade de atrair e reter talentos, apresenta quedas de grandes economias e ascensão de Singapura
O Brasil subiu uma única posição no ranking de competitividade na nova edição do Global Talent Competitiveness Index (GTCI), elaborado pelo Insead (Instituto Europeu de Administração de Empresas), em parceria com o Portulans Institute. O País aparece na 68.ª posição entre 135 economias na lista que mede a capacidade de atrair, desenvolver e reter talentos. Na América Latina, o Chile lidera, na 39.ª posição, seguido por Uruguai e Costa Rica. Já Singapura, Suíça e Dinamarca assumem o topo. Os Estados Unidos, que em 2023 ocupavam a 3.ª colocação, caíram seis posições, agora no 9.º lugar.
Com o tema "Resiliência na Era da Disrupção", o GTCI deste ano investiga como países estão construindo sistemas de talentos capazes de enfrentar rupturas. O estudo, publicado desde 2013 pelo Insead, leva em consideração 77 indicadores, incluindo habilidades socioemocionais e concentração de talentos em IA, distribuídos em seis dimensões: habilitar, atrair, desenvolver, reter, habilidades vocacionais e técnicas e habilidades generalistas adaptativas.
Desde a criação do índice, é a primeira vez que Singapura ocupa o 1.º lugar. Conforme informações do estudo, o avanço é resultado da estratégia de formar uma força de trabalho adaptável, digitalmente fluente e preparada para inovar em um contexto marcado pelo avanço da inteligência artificial.
"Economias que cultivam forças de trabalho adaptáveis, multifuncionais e fluentes em IA tendem a estar mais bem posicionadas para transformar disrupção em oportunidade e sustentar competitividade de longo prazo", afirma Paul Evans, professor emérito de Comportamento Organizacional e coeditor do relatório.
Nas primeiras edições do estudo, o Brasil chegou a ocupar melhores posições: em 59.º, 49.º e 67.º lugares, respectivamente. Na época, segundo o brasileiro Felipe Monteiro, corresponsável pelo levantamento e professor associado sênior de estratégia no Insead, a amostra tinha de 30 a 40 países a menos, o que compromete a comparação com os rankings seguintes.
O relatório do GTCI deste ano trouxe a queda de grandes economias, como os Estados Unidos, que caiu 6 posições, e a China, que saiu do 40.º para o 53.º lugar.
A queda dos EUA está ligada à política migratória restritiva imposta pelo presidente Donald Trump, de acordo com o relatório. Já a retração da China é atribuída às restrições de mobilidade, baixa presença de talentos internacionais e menor integração com mercados globais.
Já a líder Singapura se destaca no ranking pela evolução de seu sistema educacional e pela abordagem voltada para o futuro no desenvolvimento de uma força de trabalho adaptativa e orientada à inovação, afirma o relatório do GTCI.
Mesmo com bom desempenho, Brasil perde força
No caso do Brasil, embora tenha pontos fortes em acesso a oportunidades de crescimento e seja classificado no ranking como um país de renda média-alta, a avaliação é que segue com gargalos no ambiente de negócios, no mercado de trabalho, no marco regulatório e na atração e retenção de talentos.
O desempenho mais fraco do Brasil no GTCI está concentrado nos pilares de capacitação e atração de talentos. No pilar de capacitação, os indicadores são piores. O País surge na 98.ª posição em efetividade do governo, na 124.ª colocação em cooperação entre empregados e empregadores e na 104.ª em relação entre salário e produtividade.
Para Felipe Monteiro, isso se explica pelo fato de o País ainda ter pouca colaboração entre setores e produtividade insuficiente. Na visão dele, o contexto reforça a necessidade de reformas estruturais para melhorar as condições de negócio no país.
Apesar disso, o melhor desempenho do Brasil está na dimensão de crescimento e talento, na 56.ª posição. Nesse campo, o País tem se destacado sobretudo no uso de redes virtuais profissionais, como o LinkedIn. Monteiro observa que há uma "revolução tecnológica com a inteligência artificial em países que estão em estágios menos avançados". Ele acrescenta que a possibilidade dessas nações é de "comer etapas" e essa seria a "grande oportunidade para o Brasil" para ganhar competitividade de forma acelerada e saltar etapas.
Na comparação com outras nações da América Latina, o Brasil aparece em 5.º lugar, atrás de Chile, Uruguai e Costa Rica. Dentro do grupo de países de renda média alta, é o 17.º colocado. Monteiro explica que esses países menores e com renda per capita mais alta se encontram em estágio mais avançado de desenvolvimento. Grandes economias emergentes como Brasil, Índia, China e Malásia, afirma, ficam presas na chamada "armadilha de crescimento médio". Neste patamar, o país não compete pelo baixo custo, mas ainda não alcançou o nível de inovação e produtividade das economias mais avançadas.
"A única maneira de conseguir isso é inovação, tecnologia e educação. Então a inteligência artificial é uma grande oportunidade para o Brasil", avalia Monteiro.
O relatório confirma que, na disputa global, o Brasil não se sobressai em indicadores ligados à inovação e às habilidades adaptativas.
Nas categorias listadas pelo índice, o Brasil supera a média dos países de renda média-alta em sete dos catorze pilares:
- Abertura interna
- Educação
- Acesso a oportunidades de crescimento
- Sustentabilidade
- Estilo de vida
- Habilidades de nível intermediário
- Impacto do talento
Já na América Latina, o Brasil está em 5.º lugar na região. O País tem pontuação acima da média regional em habilitar, desenvolver, reter, habilidades vocacionais e técnicas, além de habilidades generalistas adaptativas.
Nos subpilares, supera a média regional em nove dos catorze:
- Ambiente de mercado
- Ambiente de negócios e trabalho
- Educação formal
- Acesso a oportunidades de crescimento
- Sustentabilidade
- Estilo de vida
- Habilidades de nível intermediário
- Empregabilidade
- Impacto do talento
Apesar da pontuação em alguns pilares, no longo prazo, o desempenho é desigual. Entre 2015 e 2025, o Brasil oscilou entre o 49.º e o 81.º lugares, sem apresentar um avanço mais agressivo. O relatório observa que, entre 2020 e 2025, o país teve uma posição média de 73.º.
Ainda assim, quando comparado ao grupo de concorrentes estratégicos, os países do Brics, o Brasil ainda consegue destaque. O estudo afirma que sua pontuação no GTCI e seu PIB per capita são "ambos maiores do que as medianas do grupo de competidores".