Quem é a Equatorial, que se tornou dona das maiores empresas de saneamento do País
Com oferta pela Copasa que pode beirar os R$ 8 bi, gigante da energia e concessionária da Sabesp reforça frente de saneamento e diversificação em infraestrutura
Após a oferta pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) na noite de quarta-feira, 3, num negócio que pode beirar os R$ 8 bilhões, a Equatorial Energia irá se tornar a controladora das duas maiores empresas da área do País, já que ela também é a concessionária da Sabesp. A empresa já era uma gigante, com faturamento consolidado de R$ 52 bilhões em 2025 (com crescimento de 14,8% sobre o ano anterior) e lucro líquido de R$ 2,64 bilhões.
A Equatorial não é uma empresa de dono. Com capital aberto e pulverizado, o conglomerado tem, entre seus maiores acionistas, grandes fundos de investimento nacionais e estrangeiros. Entre eles, a gestora de recursos Opportunity (com cerca de 10,04% do capital), a maior gestora de ativos do mundo, a norte-americana BlackRock (com 10,01%), o fundo soberano de Singapura GIC (5%) e a também gestora brasileira Squadra Investimentos (4,58%).
Comandam a Equatorial o engenheiro eletricista Augusto Miranda da Paz Junior, como CEO, e o também engenheiro Eduardo Parente Menezes, na posição de presidente do conselho de administração. Ambos são executivos com décadas de experiência na área.
Apesar de comandar duas gigantes do saneamento, a Equatorial tem a maior parte de sua receita proveniente do segmento de energia. A Equatorial Goiás é sua maior operação, com faturamento de R$ 12 bilhões no ano passado, impulsionado pelo forte crescimento industrial goiano. Na sequência está a Equatorial Pará, responsável por uma receita de R$ 9 bilhões, e com o desafio de abranger uma grande área territorial. A terceira maior fonte de receita é a Equatorial Maranhão, o berço histórico do grupo e de onde vêm R$ 6,5 bilhões anuais.
A Equatorial também controla a Echoenergia, o braço de geração eólica e solar, que fatura R$ 1,2 bilhão ao ano. São dez usinas de energia limpa espalhadas pelo Nordeste, com 74 ativos de geração renovável (42 eólicos e 32 solares) que somam cerca de 2 GW de capacidade operacional.
As receitas de Sabesp e, futuramente, Copasa não entram diretamente no faturamento do grupo, já que a Equatorial não detém 100% das ações dessas empresas. O ganho financeiro da Equatorial com elas vem via equivalência patrimonial (ela colhe a sua fatia proporcional do lucro líquido dessas empresas). A Sabesp, por exemplo, fatura mais de R$ 25 bilhões ao ano e ajudou a turbinar o lucro consolidado da holding.
A receita líquida da Copasa foi de R$ 7,4 bilhões no acumulado de 2025, com lucro líquido de R$ 1,4 bilhão. Fundada na década de 1960, a estatal de Minas Gerais cresceu centralizando serviços e assumindo contratos de concessão de longo prazo com centenas de prefeituras mineiras.
O plano de desestatização foi o principal projeto econômico do governador Romeu Zema, aprovado definitivamente pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais no fim de 2025. A justificativa era arrecadar fundos para amortizar a gigantesca dívida bilionária do estado com a União.
Em 27 de maio, as propostas iniciais foram apresentadas. Porém, nenhuma das ofertas atingiu o preço mínimo secreto estipulado pelo governo mineiro. Isso forçou o relançamento do processo com uma readequação de valores, fixando o preço mínimo oficial em R$ 47,23 por ação.
A favorita do mercado para levar a Copasa era a Aegea Saneamento, que montou um consórcio pesadíssimo (chamado veículo Livorno Participações) com gigantes do mercado como a Itaúsa, a Equipav e o fundo soberano de Singapura (GIC).
Contudo, a Aegea enfrentava forte pressão do mercado financeiro devido a um recente estresse em seu balanço — incluindo um aumento em suas dívidas e readequações contábeis de exercícios anteriores. Quando o governo mineiro mexeu nas condições de preço e no cronograma acelerado, o consórcio da Aegea decidiu desistir da disputa por disciplina financeira, optando por não colocar uma nova proposta na mesa.
Inicialmente, a Equatorial pretendia entrar na disputa fazendo um consórcio em conjunto com a Sabesp. Mas essa parceria ruiu semanas antes do leilão.
Mesmo sem o apoio da Sabesp, a Equatorial decidiu seguir sozinha por meio de sua subsidiária Gerais Saneamento S.A.. Na quarta-feira, 3, ela foi declarada a vencedora única do certame ao oferecer R$ 49,03 por ação (um ágio sutil acima do mínimo exigido).
A operação garantiu a compra inicial da fatia por R$ 5,59 bilhões. Como ela solicitou o lote de ações adicionais para o mercado, o investimento total finalizado para garantir sua posição estratégica deve bater R$ 7,95 bilhões. O Estado de Minas Gerais reduziu drasticamente sua posição, guardando apenas 5% da companhia e uma golden share (ação com poder de veto) para temas sensíveis.
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