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Quais países poderão lucrar com a guerra no Irã — e quais serão os mais atingidos?

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã já traz consequências para pessoas de todo o mundo, com a iminente crise de abastecimento e energia. Quem são os mais vulneráveis e quem poderá sair ganhando com a crise?

18 mar 2026 - 16h51
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Imagem gráfica da BBC mostra o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, olhando em direções opostas. Eles são divididos por uma fotomontagem ilustrando uma bomba de petróleo, navio porta-contêineres, porta-aviões, jato de passageiros, uma mulher e uma bandeira do Irã e uma coluna de fumaça preta
Imagem gráfica da BBC mostra o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, olhando em direções opostas. Eles são divididos por uma fotomontagem ilustrando uma bomba de petróleo, navio porta-contêineres, porta-aviões, jato de passageiros, uma mulher e uma bandeira do Irã e uma coluna de fumaça preta
Foto: BBC News Brasil

Guerras raramente têm vencedores claros. E as populações civis costumam pagar o preço mais alto.

Com os mercados globais de energia e as cadeias de abastecimento desordenadas, alguns países estão se preparando para enfrentar severas consequências econômicas. Mas outros conseguiram encontrar novas oportunidades estratégicas em meio ao caos.

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã trazem consequências dramáticas para a região e para o mundo. Ela desestabilizou os países do Golfo e levou centenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas em todo o Oriente Médio.

Além da zona de guerra, o pico dos preços do petróleo e a interrupção do tráfego marítimo no Golfo, especialmente nas proximidades do Estreito de Ormuz, elevam os custos para empresas e consumidores.

Mas quais países podem sair ganhando ou perdendo em meio à crise?

Rússia

A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, marca mais um revés diplomático para o presidente da Rússia, Vladimir Putin
A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, marca mais um revés diplomático para o presidente da Rússia, Vladimir Putin
Foto: Anadolu via Getty Images / BBC News Brasil

O Irã é um importante aliado e parceiro militar da Rússia.

A morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), marca mais um revés para Moscou no campo externo, após a deposição de Bashar al-Assad, na Síria, e a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, pelos Estados Unidos.

Ainda assim, o conflito no Oriente Médio poderá oferecer à Rússia uma vantagem na sua própria guerra, afastando os recursos militares americanos da Ucrânia.

"O esgotamento dos interceptadores e mísseis Patriot é benéfico para a Rússia, pois ele limita o que a Ucrânia pode conseguir no mercado", explica à BBC News Rússia a professora Nicole Grajewski, do Centro de Estudos Internacionais do Instituto de Estudos Políticos de Paris, na França.

Mas a maior demanda de drones iranianos Shahed por Teerã, provavelmente, não trará impactos significativos às capacidades de Moscou na Ucrânia, segundo especialistas.

"A Rússia dependeu do Irã para cooperação no setor de defesa durante um período muito específico, no início da guerra na Ucrânia, quando o Irã forneceu drones Shahed e, o mais importante, a tecnologia de produção e licenças desses drones, em 2022-2023", explica à BBC News Hanna Notte, diretora para a Eurásia do Centro de Estudos sobre Não Proliferação, nos Estados Unidos.

"Estamos, agora, em um estágio em que a Rússia não precisa do Irã para prosseguir com a guerra na Ucrânia", prossegue ela. "A Rússia pode produzir drones Shahed sozinha."

Gráfico da BBC mostra o drone 'kamikaze' Shahed-136, explicando seus usos principais, operação, custo estimado e alcance
Gráfico da BBC mostra o drone 'kamikaze' Shahed-136, explicando seus usos principais, operação, custo estimado e alcance
Foto: BBC News Brasil

Paralelamente, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tem asfixiado o transporte de petróleo e gás, fazendo os preços dos combustíveis dispararem.

Isso pode dar um certo alívio financeiro para a Rússia, que sofre pressões significativas devido à guerra na Ucrânia.

O orçamento federal da Rússia considera a exportação do petróleo do país a US$ 59 por barril. Mas, agora, o preço do petróleo bruto aumentou significativamente e chegou a atingir quase US$ 120 por barril.

E, com a maior parte dos países do Golfo reduzindo sua produção, a Rússia pode conseguir exportar mais petróleo para mercados importantes, como a China e a Índia.

Na última semana, o governo americano anunciou uma flexibilização de algumas sanções relacionadas ao petróleo da Rússia.

A medida prevê uma isenção temporária de cerca de 30 dias para permitir que países comprem petróleo e produtos petrolíferos russos sancionados que já estavam em navios no mar, numa tentativa de conter a alta global dos preços da energia.

Embora limitada, a medida pode facilitar temporariamente as exportações russas e gerar receitas adicionais para Moscou.

China

A China ainda não sofreu efeitos graves da guerra no Irã. Mas ainda irá sentir as pressões.

Apenas cerca de 12% do petróleo bruto importado pela China vem do Irã, segundo o Centro de Política Energética Global.

Além disso, Pequim detém estoques de petróleo suficientes para vários meses e poderá facilmente pedir ajuda à Rússia em seguida.

Mas o "setor industrial orientado à exportação" da China também será atingido, segundo Fyfe.

As exportações representam cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês — o valor total das mercadorias produzidas e dos serviços fornecidos pelo país.

Por isso, elas se tornaram um importante motor da sua economia, prejudicada pela queda dos preços dos imóveis e pelo fraco consumo doméstico.

A interrupção do tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz não é um grande problema para a China, mas chegar ao Oceano Atlântico é fundamental para os produtos chineses que se dirigem ao Ocidente.

E, no outro lado da Península Arábica, o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta a Ásia, a Europa e a África, sofreu ataques dos houthis do Iêmen, uma milícia armada apoiada pelo Irã.

Mapa da BBC mostra o Estreito de Ormuz, no litoral sul do Irã. Os países vizinhos estão marcados em cinza: Israel, Síria, Iraque, Jordânia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã.
Mapa da BBC mostra o Estreito de Ormuz, no litoral sul do Irã. Os países vizinhos estão marcados em cinza: Israel, Síria, Iraque, Jordânia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã.
Foto: BBC News Brasil

"É muito provável que o tráfego no mar Vermelho seja novamente muito prejudicado, com navios cargueiros de longo curso da Ásia que desejam chegar à bacia do Atlântico sendo desviados para contornar o sul da África e o Cabo da Boa Esperança", explica Fyfe.

"Existe um alto custo a pagar por isso", afirma o especialista em Oriente Médio Neil Quilliam, do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres.

O trajeto "aumenta a viagem em 10 a 14 dias. E, dependendo da mercadoria, para um navio médio, o custo adicional é de cerca de US$ 2 milhões.

Mas a guerra no Irã pode oferecer oportunidades diplomáticas para a China, que tenta se posicionar como um parceiro responsável em comparação com os Estados Unidos, segundo Philip Shetler-Jones, do Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês).

O presidente chinês, Xi Jinping, continuará projetando sua imagem como líder global estável e previsível, em oposição ao líder americano, Donald Trump.

E o conflito poderá também ser uma chance para Pequim "procurar indicações" sobre como Trump pode reagir sobre outros temas polêmicos, como Taiwan, a ilha autogovernada reivindicada pela China.

Economias emergentes

Imensamente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio, os países do sudeste asiático devem ser fortemente atingidos pela guerra.

Alguns deles já tomaram medidas drásticas de austeridade, na esperança de reduzir seus impactos econômicos o mais cedo possível.

No Vietnã, o preço do óleo diesel já aumentou em 60% desde o início da guerra. E o governo pediu a todos que trabalhem de casa, quando possível.

As Filipinas importam cerca de 95% do seu petróleo bruto do Oriente Médio. Os funcionários do setor público do país, agora, trabalham quatro dias por semana, exceto pelos serviços de emergência.

Restrições similares foram impostas no Paquistão, com exceção dos bancos.

Sempre que possível, foram emitidas ordens para que os funcionários trabalhassem de casa e as aulas das universidades ocorrem via internet.

Em pronunciamento pela televisão, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif declarou que é fundamental conservar e racionar cuidadosamente as reservas de combustível do país.

Em Bangladesh, o governo enfrenta o pânico dos consumidores. Longas filas nos postos de gasolina levaram ao racionamento. É permitida a compra de 10 litros por dia para os carros e apenas dois litros para as motocicletas.

Grandes filas começam a ser observadas nos postos de gasolina
Grandes filas começam a ser observadas nos postos de gasolina
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Mas as consequências da guerra podem ir muito além da falta de energia.

Agricultores de todo o mundo dependem de fertilizantes para abastecer o solo com nutrientes necessários para o cultivo de alimentos e aumentar a resistência das safras. Qualquer interrupção pode gerar insegurança alimentar global.

"30% da ureia do mundo, matéria-prima para a fabricação de fertilizantes, passa pelo Estreito de Ormuz", explica Quilliam. "A ureia vem de produtos petroquímicos, derivados do processo de refração de petróleo bruto."

"Por isso, se você retirar 30% da ureia dos mercados globais, haverá impactos concretos sobre a segurança alimentar mundial."

Após os ataques às suas instalações, a QatarEnergy — um dos maiores exportadores de gás do mundo e produtor de ureia para a fabricação de fertilizantes — precisou declarar força maior, uma medida de emergência que permite às empresas suspender temporariamente a produção e fornecimento.

"Você poderá muito bem observar impactos em termos de segurança alimentar e inflação daqui a seis a nove meses", segundo Quilliam.

"Pode ainda não se materializar, mas, à medida que a produção for prejudicada ou os agricultores enfrentarem dificuldades para conseguir fertilizantes, veremos um impacto de longo prazo."

Com colaboração da BBC News Hindi e de Elizaveta Fokht, da BBC News Rússia.

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