Ibovespa fecha em queda de olho em decisões de juros e no Oriente Médio
O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, enquanto os agentes avaliavam a decisão do Federal Reserve de manter os juros dos EUA inalterados na faixa entre 3,50% e 3,75%, e aguardavam o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no final do dia, ao mesmo tempo em que ainda monitoravam os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,43%, a 179.639,91 pontos, após alcançar 179.575,91 pontos na mínima do dia. Na máxima, marcou 181.550,83 pontos. O volume financeiro somou R$27,5 bilhões.
Destaque da agenda da semana, o Fed manteve as taxas de juros estáveis e projetou uma inflação mais alta, desemprego estável e apenas um único corte nos juros para o ano, em sua primeira reunião de política monetária desde a eclosão da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Durante coletiva de imprensa após o anúncio da decisão, o chair do Fed, Jerome Powell, reiterou a incerteza que a guerra cria para as perspectivas econômicas. "No curto prazo, os preços mais altos de energia vão pressionar a inflação geral para cima, mas ainda é cedo para saber a dimensão e a duração dos efeitos potenciais sobre a economia."
Nesse contexto de guerra, os preços do petróleo chegaram a subir 5% ao longo da sessão, depois que a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou atacar diversas instalações de energia no Oriente Médio em retaliação, aumentando o risco de novas interrupções no fornecimento de energia da região. Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em alta de 3,83%, a US$107,38 por barril.
No Brasil, a decisão do Copom será divulgada no final do dia. Recentemente, o mercado passou a precificar uma chance maior de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em vez de um corte de 0,50 ponto percentual, com algumas apostas até mesmo em manutenção nos atuais 15%.
"Hoje foi um pregão mais cauteloso, de olho lá fora e no Copom", destacou Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing.
"Embora o mercado amplamente venha projetando um corte, que antes era de meio ponto percentual e agora as apostas majoritárias estão em 0,25 ponto percentual, existe uma grande parte do mercado que ainda acredita que o BC pode não mexer na taxa de juros hoje", acrescentou.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN subiu 1,34%, tendo de pano de fundo a alta do petróleo Brent. A estatal também anunciou nova descoberta de acumulação de gás no poço exploratório Copoazu-1, em águas profundas da Colômbia. Ainda no radar, a Petrobras cancelou leilões de diesel e gasolina antes programados para segunda e terça-feira e disse que está "avaliando os cenários".
- PETRORIO ON subiu 5,33% e PETRORECONCAVO ON avançou 0,66%, ambas em linha com os ganhos do petróleo.
- VALE ON recuou 2,32%, com a fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian recuou 0,12%.
- ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 1,01%, BRADESCO PN caiu 1,17%, BANCO DO BRASIL ON recuou 1,1%, SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 1,5% e BTG PACTUAL UNIT perdeu 1,21%.
- ENEVA ON subiu 15,08%. O Brasil negociou em leilão nesta quarta 19 gigawatts (GW) em novos contratos para usinas de geração termelétrica e hidrelétrica, garantindo negócios para grandes empresas, entre as quais a Eneva.