BCE pode ter de aumentar os juros em junho, diz Nagel
O Banco Central Europeu pode precisar aumentar as taxas de juros em junho se as perspectivas de inflação não melhorarem significativamente nas próximas semanas, disse o presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, nesta segunda-feira.
O BCE manteve os juros na semana passada, mas debateu um aumento e sinalizou que o aperto da política monetária pode ser necessário em junho para evitar que o atual choque inflacionário se prolongue por meio de efeitos secundários.
"Se as perspectivas de inflação não melhorarem significativamente nas projeções (do BCE) de junho, isso apoiará um aumento da taxa de juros", disse Nagel em um discurso em Frankfurt.
A inflação subiu para 3% no mês passado e pode aumentar ainda mais nos próximos meses, já que os preços do petróleo permanecem acima de US$110 por barril devido à guerra no Irã, não muito abaixo dos níveis observados no cenário econômico "adverso" do BCE.
O BCE pode fazer pouco para reduzir os custos de energia, mas precisará agir se temer que um choque inicial desencadeie uma espiral de inflação que manteria o aumento dos preços acima de sua meta de 2%.
"Está claro: quanto maior for a duração do conflito, maior será o risco de a inflação permanecer elevada se a política monetária não intervier", disse Nagel.
O BCE precisará observar como o choque afeta as demandas salariais, o comportamento do consumidor e as expectativas de preços das empresas.
Investidores estão esperando três aumentos antes do final do ano, com o primeiro totalmente precificado em julho, seguido por mais dois no outono.
Nagel, entretanto, também disse que o choque atual é menos grave do que o episódio de 2022, quando o BCE teve de aumentar as taxas em um ritmo recorde e a taxa de inflação ainda atingiu dois dígitos, em parte porque as taxas de juros já estão mais altas do que em 2022 e a inflação está mais baixa.
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