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Produção industrial do Brasil frustra expectativa e recua em maio após 4 altas

3 jul 2026 - 09h11
(atualizado às 10h32)
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A produção industrial no Brasil frustrou as expectativas de economistas e recuou em maio, interrompendo quatro meses seguidos de ganhos, sob pressão do desempenho fraco de atividades como o combustível coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis e indústrias extrativas.

Em maio, a produção teve queda de 0,2%, informou nesta sexta-feira ⁠o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contra expectativa em pesquisa da Reuters de ‌aumento de 0,3%.

Os dados mostraram ainda que o setor apresentou expansão de 0,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, ante projeção de ‌alta de 1,3%.

Depois de patinar no ano passado, ‌a indústria brasileira apresentou resultados positivos nos quatro primeiros meses de ⁠2026, mostrando resiliência com impacto positivo principalmente do setor extrativo, embora outros setores indiquem sentir os efeitos da taxa de juros ainda elevada, com a Selic atualmente em 14,25%.

Ainda assim, a indústria encontra-se 13,0% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, segundo o IBGE.

Em maio, as influências negativas mais intensas ‌vieram de coque (combustível derivado do carvão hulha), produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com ‌queda de 6,1% sobre abril, ⁠e indústrias extrativas, ⁠com retração de 2,6%.

"As principais influências negativas para a produção industrial em maio vieram de ⁠segmentos sensíveis aos impactos do conflito ‌no Oriente Médio, que tiveram ‌ganhos durante o período de maiores tensões, sustentando parte das altas recentes da produção geral", disse Andressa Durão, economista do ASA.

Segundo o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo, álcool etílico e gasolina exerceram as maiores pressões ⁠negativas em derivados do petróleo, enquanto minério de ferro, óleos brutos do petróleo e gás natural pesaram sobre a indústria extrativa.

"Vejo isso (as quedas em maio) muito mais como uma acomodação do que reversão de tendência. Maio veio para eliminar parte desse ganho, mas (as atividades) ‌seguem liderando o impacto no ano", completou Macedo.

No ano, as indústrias extrativas acumulam crescimento de 7,9% enquanto coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis têm alta ⁠de 5,1%.

Também tiveram resultados negativos na comparação com abril produtos alimentícios (-1,3%), produtos têxteis (-4,0%), impressão e reprodução de gravações (-8,1%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,0%).

Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo semi e não duráveis apresentaram queda de 1,3% em comparação com abril. Bens intermediários (-0,4%) e bens de capital (-0,2%) também tiveram taxas negativas, enquanto bens de consumo duráveis (3,6%) apresentaram o único resultado positivo.

 "Apesar dos bons resultados nos primeiros meses do ano, a perspectiva é de perda gradual de tração da indústria, puxada principalmente pela indústria de transformação. A extrativa - que, assim como em 2025, continua sendo impulsionada por uma  forte produção de petróleo - também deve perder parte do impulso visto no último ano", avaliou Heliezer Jacob, economista do C6 Bank.

(Edição de Isabel Versiani)

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