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Produção industrial cai 1,2% em dezembro e registra 2º trimestre seguido de queda

No acumulado em 12 meses, houve alta de 0,6%, ante aumento de 0,7% até novembro, segundo o IBGE

3 fev 2026 - 11h34
(atualizado às 15h02)
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RIO - Em meio ao cenário de política monetária restritiva, a indústria brasileira voltou a reduzir o ritmo em dezembro. A produção encolheu 1,2% em relação a novembro, na série com ajuste sazonal, informou nesta terça-feira, 3, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano de 2025, a indústria cresceu apenas 0,6%, ante uma expansão de 3,1% em 2024.

"Desde setembro, há comportamento predominantemente negativo", afirmou André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. "Isso tem como pano de fundo a política monetária de caráter mais restritivo, com taxa de juros em patamar mais elevado, que explica muito desse movimento de menor intensidade na produção industrial", completou.

A indústria já vinha de uma redução de 0,2% em novembro. No período de setembro a dezembro de 2025, a produção acumulou queda de 1,9%. O setor deve permanecer praticamente estável no curto prazo, previu o economista Rodolfo Margato, da XP.

Pesquisa registrou queda em 17 dos 25 ramos industriais analisados em dezembro ante novembro, segundo IBGE
Pesquisa registrou queda em 17 dos 25 ramos industriais analisados em dezembro ante novembro, segundo IBGE
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

"Condições monetárias contracionistas e restrições de oferta continuarão limitando o desempenho da indústria de transformação. Por outro lado, o mercado de trabalho apertado e impulsos fiscais/parafiscais devem impedir um ciclo recessivo na indústria. Projetamos que a indústria total crescerá cerca de 1,0% em 2026, após o ganho de 0,6% registrado em 2025", estimou Margato, em nota.

No quarto trimestre de 2025, a produção industrial caiu 0,7% ante o terceiro trimestre de 2025.

"É o segundo trimestre seguido no campo negativo", lembrou André Macedo, do IBGE.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, a produção industrial tinha recuado 0,1% no terceiro trimestre, após uma estabilidade (0,0%) no segundo trimestre e alta de 0,4% no primeiro trimestre.

"A?perda de força?da indústria?é?mais um sinal de que a atividade econômica?desacelerou ao longo de 2025, ano em que o PIB (Produto Interno Bruto) deve ter crescido 2,2%. Já para 2026 e 2027, nossa expectativa é de um avanço mais moderado, de 1,7% e 1,5%, com as medidas de estímulo adotadas pelo governo — como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda — ajudando a evitar um esfriamento mais intenso da economia", apontou Claudia Moreno, economista do C6 Bank, em comentário.

Em dezembro ante novembro, 17 dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram recuo na produção, com destaque para as perdas de veículos automotores (-8,7%), produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%). Essa disseminação de resultados negativos por atividades foi a mais acentuada desde setembro de 2022.

"Claro que há sinal de alerta importante para o setor industrial", lembrou Macedo, do IBGE.

No ano, a alta de 4,9% nas indústrias extrativas, puxada pelos óleos brutos de petróleo e gás natural, sustentou a média global da indústria no positivo, uma vez que a indústria de transformação encolheu 0,2%. Embora a alta de 0,6% na produção industrial nacional em 2025 tenha representado o terceiro ano positivo seguido, houve notável perda de fôlego.

"Desde maio, esse indicador da taxa acumulada em 12 meses vem se tornando menos intenso mês a mês. Embora permaneça em campo positivo, tem essa leitura de perda de intensidade na magnitude de crescimento", frisou André Macedo.

O principal motivo para a perda de dinamismo é a taxa básica de juros, a Selic, em patamar elevado, atualmente em 15% ao ano, reforçou.

"A gente coloca já há algum tempo esse caráter da política monetária como fato importante a ser considerado quando a gente entende essa produção industrial", disse Macedo.

O pesquisador explica que o juro elevado provoca tanto o adiamento em decisões de investimentos de empresas, quanto postergação de decisões de consumo das famílias.

"Há adiamento nas decisões das empresas de fazer investimentos. Isso fica muito claro na categoria de bens de capital em campo negativo", disse ele.

Num cenário de crédito caro, endividamento significativo e inadimplência em patamar alto, a produção de bens de consumo duráveis teve "desaceleração importante" nos últimos meses de 2025, notou.

A produção da indústria de bens de capital recuou 1,5% em 2025, e a dos bens intermediários cresceu 1,5%. Na categoria de bens de consumo duráveis, a produção aumentou 2,5% no ano, enquanto os semiduráveis e os não duráveis tiveram queda de 1,7%./Colaborou Gustavo Nicoletta

Estadão
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