Produção industrial brasileira fica estável em novembro, aponta IBGE
Indústria subiu 0,6% no acumulado de 2025 e 0,7% no acumulado em 12 meses; resultado de novembro vem em linha com estimativas do mercado
RIO - Em meio ao cenário de política monetária restritiva, a produção industrial brasileira ficou estagnada na passagem de outubro para novembro. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados nesta quinta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"Os dados de novembro confirmam nossa leitura de que a indústria brasileira desacelerou ao longo de 2025. O setor deve terminar o ano com crescimento próximo a 1%, abaixo da expansão?de 3,1%?registrada?em 2024", previu Claudia Moreno, economista do C6 Bank, em comentário.
O economista sênior do banco Inter André Valério espera que a indústria apresente ligeira recuperação em dezembro, encerrando 2025 com uma alta acumulada de 0,7%.
"O resultado de novembro reafirma a tendência de desaceleração do setor industrial, que sofre de um problema duplo, a elevada taxa de juros e o tarifaço americano, que, mesmo com diversos recuos, ainda mantém a sobretaxa de 50% em boa parte da produção industrial exportada aos Estados Unidos. Com isso, vemos a confiança do setor em baixa, com expectativas pessimistas para 2026", argumentou Valério, em comentário.
A manutenção do patamar elevado da taxa básica de juros, a Selic, é a principal causa do menor dinamismo industrial brasileiro, avaliou André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal no IBGE.
"A indústria mantém comportamento de estabilidade dos últimos meses. Há uma relação importante com a política monetária restritiva para a menor intensidade na indústria. A indústria opera em torno do mesmo patamar desde abril de 2025", afirmou Macedo.
O pesquisador observa que houve uma disseminação de taxas negativas entre as atividades: 15 dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram recuo na produção em novembro ante outubro.
A principal influência negativa foi registrada pelas indústrias extrativas, com recuo de 2,6% na produção em novembro ante outubro. Houve perdas relevantes também em veículos (-1,6%), produtos químicos (-1,2%), alimentícios (-0,5%) e bebidas (-2,1%).
Quais atividades tiveram maior avanço
Entre as dez atividades com avanços, o setor de farmacêuticos (9,8%) exerceu o principal impacto positivo. Houve aumentos relevantes ainda em impressão e reprodução de gravações (18,3%), metalurgia (1,8%), produtos de metal (2,7%), produtos de minerais não metálicos (3,0%) e máquinas e equipamentos (2,0%).
"A elevação da taxa de juros arrefeceu o ritmo da economia e, consequentemente, da produção industrial. O ano de 2025 tem intensidade de crescimento menor da indústria do que 2024", afirmou Macedo.
O pesquisador chamou atenção ainda para a perda de fôlego da produção industrial no segundo semestre do ano. Na comparação com igual período do ano anterior, a produção industrial saiu de um avanço de 3,5% no segundo semestre de 2024 para alta de 1,2% no primeiro semestre de 2025, e estabilidade no acumulado de julho a novembro de 2025.
Em relação a novembro de 2024, houve recuo de 1,2% na produção industrial em novembro de 2025. Nos últimos 12 meses, a indústria cresceu 0,7%.