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Primeiro caça supersônico para 2 pilotos feito com participação do Brasil é apresentado na Suécia

Aeronave fabricada pela Saab a pedido da FAB foi desenvolvida em parceria com Embraer e outras empresas brasileiras

2 jun 2026 - 11h41
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ENVIADA ESPECIAL A LINKÖPING (SUÉCIA) - O primeiro caça supersônico da Força Aérea Brasileira (FAB) produzido com participação brasileira e capacidade para dois pilotos foi apresentado nesta terça-feira, 2, pela fabricante Saab, na cidade de Linköping, na Suécia.

O modelo foi criado a pedido da FAB, em um projeto que envolveu transferência de tecnologia para o Brasil. A aeronave servirá para realizar treinamento de tripulantes e também para combate. O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, e o da Suécia, Pål Jonson, participaram da cerimônia.

Batizado de Gripen F, o caça faz parte da compra realizada pelo governo brasileiro em 2014, que inclui 36 unidades — sendo 15 montados na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP). Do total, oito são com capacidade para dois pilotos e 28 para apenas um (modelo conhecido como Gripen E).

O Gripen F é apresentado pela fabricante Saab na cidade de Linköping, na Suécia
O Gripen F é apresentado pela fabricante Saab na cidade de Linköping, na Suécia
Foto: Luciana Dyniewicz/Estadão / Estadão

Na cerimônia de apresentação da aeronave, o ministro José Múcio afirmou que os investimentos realizados no programa Gripen trouxeram "outros ganhos, além da defesa: o incremento tecnológico,, a geração de postos de trabalho altamente qualificados e a abertura para novas oportunidades econômicas".

O presidente da Saab, Micael Johansson, destacou que o projeto do Gripen F faz parte "da mais abrangente transferência de tecnologia já realizada e em andamento no mundo".

O novo caça é 66 centímetros mais longo que o Gripen E, somando 15,9 metros, e foi desenvolvido em parceria com as brasileiras Embraer, Akaer e AEL Sistemas. "Para uma aeronave, essa (66 centímetros) é uma diferença enorme. Basicamente, é necessário refazer grande parte do trabalho de projeto, reavaliar as cargas estruturais da fuselagem, refazer toda a fiação e tubulação, distribuir computadores e equipamentos internos. Portanto, trata-se de um trabalho enorme de engenharia", disse, na véspera da apresentação da aeronave, o diretor global de desenvolvimento de negócios e vendas da Saab, Fredrik Gustafson.

O Gripen F deve garantir à FAB uma economia de tempo no treinamento de pilotos, dado que eles poderão aprender diretamente no ambiente de combate, e não em equipamentos de solo. O caça também permite que um tripulante se dedique mais à operação interna da aeronave e o outro, ao campo de batalha.

O desenvolvimento do caça levou cerca de três anos, com profissionais brasileiros tendo passado de seis meses a dois anos na Suécia atuando no projeto. De acordo com Gustafson, os brasileiros desenvolveram cerca de 50% do trabalho.

O executivo afirmou que o modelo não deve ser produzido no Brasil. "É um número menor de unidades encomendadas. Então é mais eficiente para a Embraer produzir apenas os Gripen E." No fim de março, foi entregue o primeiro Gripen E fabricado no Brasil, na linha de produção da Saab localizada na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto.

Por ora, além do Brasil, apenas a Colômbia e a Tailândia encomendaram caças do novo modelo. Bogotá tem um pedido total de 17 unidades, sendo duas delas com capacidade para dois pilotos, e Bangkok, três aeronaves - uma delas no modelo F. Questionado se o governo sueco também iria adquirir o caça para dois pilotos, o diretor de marketing do Gripen, Mikael Franzén, afirmou que há conversas sobre o assunto.

O Gripen pode atingir até 2.470 km/h, equivalente a duas vezes a velocidade do som. Além de ter 15,9 metros de comprimento, tem 8,6 metros de envergadura.

O processo de aquisição do avião supersônico pela FAB teve início ainda no primeiro mandato de Lula, e a Saab foi anunciada vencedora em 2013. A efetivação da operação, avaliada em US$ 4 bilhões à época, ocorreu durante a gestão Dilma Rousseff, após a assinatura do contrato de financiamento.

Além da Saab, participaram da concorrência a americana Boeing e a francesa Dassault. A empresa sueca venceu a licitação do programa F-X2, voltado à renovação da frota de caças da FAB, ao oferecer transferência de tecnologia e capacitação industrial no Brasil.

A repórter viajou a convite da Saab

Estadão
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