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Presidente do BRB diz que banco foi vítima de fraude e aporte levará a lucro de R$ 1 bi em 2028

Nelson Antônio de Souza afirma que instituição está pronta para receber R$ 8,8 bilhões em recursos e cobrir rombo do Master; governo distrital tenta aprovar projeto na Câmara Legislativa do Distrito Federal

9 jun 2026 - 12h46
(atualizado às 14h55)
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BRASÍLIA — O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira, 9, que a instituição foi a maior vítima da fraude do Banco Master e que um aporte de R$ 8,8 bilhões levará o BRB a ter um lucro superior a R$ 1 bilhão a partir de 2028.

Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Nelson de Souza disse que um empréstimo do Distrito Federal junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a securitização da dívida ativa do DF darão os R$ 8,8 bilhões necessários para cobrir os prejuízos do Master na instituição.

O governo do Distrito Federal fechou um acordo com a União no Supremo Tribunal Federal (STF) para pegar um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões junto ao FGC para salvar o BRB, com aval de bancos públicos e privados, sem garantia do Tesouro Nacional. Sem o aporte, o Banco de Brasília corre o risco de ser liquidado pelo Banco Central.

Após a audiência, Nelson de Souza disse à imprensa que o aporte deve ser concretizado ainda em junho. Na sequência, o banco divulgará o balanço financeiro de 2025, até o dia 30.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira, 9, que a instituição foi a maior vítima da fraude do Master e que um aporte de R$ 8,8 bilhões levará o BRB a ter um lucro superior a R$ 1 bilhão a partir de 2028
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira, 9, que a instituição foi a maior vítima da fraude do Master e que um aporte de R$ 8,8 bilhões levará o BRB a ter um lucro superior a R$ 1 bilhão a partir de 2028
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O presidente do BRB citou que o valor do empréstimo é de R$ 6,6 bilhões. A quantia exata depende do limite de endividamento autorizado pelo Senado. O restante do recurso, ou seja, R$ 2,2 bilhões, virá com a securitização da dívida ativa do Distrito Federal, reforçou o presidente do BRB. Por lei, os recursos da operação não podem ir diretamente para o aporte. A administração estatal optou por fazer uma operação contábil e diz estar dentro da lei.

O governo distrital ainda está negociando os termos do empréstimo com o FGC e com os bancos. Na semana passada, integrantes da administração disseram a deputados distritais que o empréstimo seria contratado com juro real de 4,5% ao ano. As condições, porém, estão sendo discutidas e ainda não há assinatura. Segundo o presidente do BRB, o empréstimo será feito com 18 meses de carência para começar a ser pago.

Em troca do socorro, o governo do Distrito Federal ofereceu as transferências do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em caso de calote. Além disso, se comprometeu a congelar reajustes salariais, concursos públicos, despesas obrigatórias e incentivos fiscais até quitar o empréstimo ou até arrumar o orçamento e conseguir nota "A+" do Tesouro Nacional — hoje a nota é "C".

Nesta terça-feira, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), quer votar um projeto de lei na Câmara Legislativa autorizando a gestão a contrair o empréstimo. A proposta abre uma margem para, além do FPE e do FPM, oferecer outros recursos como garantia, sem especificar quais. A aprovação do projeto foi uma exigência dos bancos que participam da discussão, segundo integrantes do Distrito Federal.

"Essa operação é inédita no País, nunca houve, ainda mais com a chancela do poder máximo do Judiciário brasileiro, que é o STF", afirmou o dirigente. "É uma engenharia financeira jamais vista nesse País." Segundo ele, o banco está pronto para receber o aporte. "O processo ainda depende de etapas técnicas e regulatórias, mas o banco promoveu os ajustes necessários em consonância com o regulador, o Bacen (Banco Central), para que o recurso possa produzir efeitos graduais sobre seu capital regulatório."

O plano foi criticado por senadores. "Eu não entendo como é que o Supremo Tribunal Federal aprova um plano sem que o BRB publique o balanço de 2025. Como se faz um plano? Um plano nas nuvens. E como homologar uma coisa dessas?", afirmou o presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL). O senador afirmou que a proposta apresentada pelo Distrito Federal e pelo banco é "sem premissa, sem base". "Não parece ser um plano sério", disse.

Pessoas ligadas ao Master chegaram a ser donas de 23,5% do BRB, diz presidente

Durante a audiência, o presidente do BRB afirmou que os negócios entre o Banco de Brasília e o Master totalizaram R$ 30 bilhões entre 2024 e 2025, entre compras e vendas de carteiras. Desse valor, R$ 21,9 bilhões ficaram no BRB como ativos. A Polícia Federal detectou que o banco comprou R$ 12 bilhões em carteiras podres do Master. O rombo final, que é a perda calculada com as operações, foi calculado em R$ 8,8 bilhões, segundo Souza. Pessoas ligadas ao Banco Master acabaram sendo donas de 23,5% do BRB, disse o presidente. Os recursos foram bloqueados e o banco busca o ressarcimento desses valores.

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso acusado de receber R$ 146 milhões em propina de Daniel Vorcaro, dono do Master, por meio de imóveis. O atual presidente do Banco de Brasília disse que a instituição vai entrar na Justiça cobrando a responsabilização dos administradores que participaram das fraudes com o Master. Segundo Nelson de Souza, o banco abriu processos internos relacionados a 20 pessoas para apurar as responsabilidades.

Presidente do BRB diz que há 'corrida' de liquidez diante de atraso na publicação de balanço

O presidente do BRB afirmou que há uma "corrida" de liquidez cada vez maior diante do atraso na publicação do balanço de 2025, que mostrará o tamanho do prejuízo sofrido com as fraudes praticadas com o Banco Master. Segundo ele, o Banco de Brasília foi o banco "mais fraudado" no escândalo do Master.

O balanço deveria ser divulgado até 31 de março. Com mais de dois meses de atraso, Souza afirmou que as demonstrações serão publicadas após a conclusão de procedimentos contábeis relacionados à auditoria feita na instituição. Ele não citou um prazo para a divulgação. "Estejam certos: a quem mais interessa divulgar o balanço é ao próprio BRB, tendo em vista a corrida de liquidez que cada vez se acentua em virtude da não divulgação desse balanço", disse Souza durante a audiência.

Presidente do BRB diz ter sido hospitalizado quatro vezes desde que assumiu instituição

O presidente Nelson de Souza revelou ter sido hospitalizado quatro vezes em seis meses, durante a crise da instituição. Ele assumiu o cargo em novembro de 2025, após a operação da Polícia Federal que mirou no Master e no BRB.

"Não é fácil", afirmou Souza aos senadores. Na audiência, ele citou várias vezes que não é "político", mas é um técnico contratado para solucionar os problemas da instituição. "Eu não gostaria de ter vindo", falou em um momento, destacando que assumiu o comando do banco com autonomia para "salvar o BRB".

Estadão
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