Premiação reconhece projetos de concessão e PPPs que se destacaram no País
Sistema socioeducativo em Minas Gerais, complexo administrativo em Maceió e ANTT estão entre as iniciativas condecoradas no evento
Nesta segunda-feira, 23, a 5ª edição do Prêmio P3C reconheceu projetos de concessão e Parcerias Público-Privadas que tiveram grande impacto no Brasil. A premiação faz parte da programação do P3C 2026, evento que reúne governo, investidores e iniciativa privada, nos dias 23 e 24 de fevereiro, em São Paulo.
A premiação condecorou projetos, instituições e profissionais que se destacaram na estruturação, financiamento, regulação e operação de ativos de infraestrutura. De 167 inscritos, seis projetos foram premiados, além de duas pessoas premiadas pela carreira no segmento.
Realizado pela plataforma de eventos Necta e co-realizado com o Estadão, escritório Portugal Ribeiro & Jordão Advogados e B3, a cerimônia conecta gestores públicos, grandes empresas e nomes proeminentes do setor de PPPs para discutir o novo ciclo de investimentos em infraestrutura.
"O capital privado é fundamental para o financiamento da infraestrutura. O Estado é o condutor, e os setores privados são os executores deste movimento", disse Erick Bretas, CEO da S/A O Estado de S. Paulo, na abertura do evento. "O papel do Estadão é o de facilitar as conversas e construir pontes. É dever de um veículo de imprensa que acredita no Brasil e aposta na convivência do setor público com o privado", complementa.
Confira os vencedores e finalistas do Prêmio P3C:
Melhor Estruturação de Projetos
Na categoria Melhor Estruturação de Projetos, o vencedor foi o PPP do sistema socioeducativo de Minas Gerais, projeto com duração de 30 anos que prevê investimentos de mais de R$ 100 milhões para modernizar a infraestrutura e os serviços destinados a adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no Estado.
Estruturado pelas secretarias de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra-MG) e de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), a iniciativa se volta à construção, à operação e à manutenção das unidades, sem retirar do Estado as funções de orientação, fiscalização e gestão da política socioeducativa.
"É o primeiro projeto deste tipo na América Latina e um dos poucos que existem no mundo. É uma política eficiente e apta, mas com economia para o Estado" diz Giselle Cyrillo, subsecretária de atendimento socioeducativo da Secretaria do Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais.
"Os impactos serão bastante positivos, como o tempo de efetivação dos equipamentos. Antes, o processo de efetivação de um equipamento socioeducativo levava oito anos para ser efetivado, considerando a construção do prédio e a contratação dos servidores. Com esse projeto, vamos conseguir ofertar esses equipamentos em um tempo e custo menores", afirma.
Entre os finalistas da categoria também estiveram a concessão para restauração da unidade de recuperação Triunfo do Xingu, no Pará, uma iniciativa do Governo do Estado estruturada pela The Nature Conservancy Brasil; e o projeto de concessão dos serviços de água e esgoto do Estado de Pernambuco, estruturado pelo BNDES.
Melhor Gestão Pública
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) foi reconhecida em Melhor Gestão Pública. A agência liderou o Programa de Sustentabilidade para Infraestrutura (PSI), iniciativa que permite às concessionárias de rodovias e ferrovias federais desenvolver e testar práticas, tecnologias e modelos de gestão voltados à sustentabilidade.
"Criamos nove parâmetros de desenvolvimento de sustentabilidade e passamos a pensar além do ambiental, também no social. Nossa resolução destrincha e deixa esses critérios mais claros", explica Cynthia Ruas, superintendente de sustentabilidade, pessoas e inovação da ANTT.
Além deste projeto, outras duas iniciativas da ANTT preencheram as vagas de finalista da categoria: o projeto de consensualismo e reestruturação de ativos estressados no caso da ECO-101; e a iniciativa de reequilíbrio econômico-financeiro cautelar e baseada em evidências.
"A ANTT amadureceu bastante nos últimos anos, e isso passa por uma mudança na forma como fazemos a regulação e aplicamos penalidades. Chegamos à conclusão de que só aplicar as multas não estava dando efeito. Passamos a pensar em mecanismos para as concessionárias mudarem seu comportamento", comenta Ruas.
Melhor Gestão Privada
A categoria Melhor Gestão Privada selecionou projetos que destacavam inovação, eficiência operacional e compromisso com a sustentabilidade. O vencedor foi o Programa Legado, que destaca a trajetória da Concessionária Nova Rota do Oeste no Mato Grosso.
"Entregamos 130 km de rodovia só neste ano", afirma Wilson Ferreira, diretor de operações e tecnologia da Nova Rota do Oeste. "Mas não é só isso. O programa Legado envolve uma série de iniciativas, incluindo educação para o trânsito, apoio aos motoristas e melhora na segurança das vias", afirma.
A Primeira Frota Municipal de Ônibus Elétrico do Nordeste, desenvolvida pela TVEX em parceria com a SMTT de Sergipe, apareceu entre as finalistas.
A outra menção honrosa foi concedida às inovações e performance na gestão contratual da concessão da Unidade Regional de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário 1 Sudeste (URAE-1), liderado pela Sabesp.
Melhor Estruturação de Projetos Municipais
A categoria Melhor Estruturação de Projetos Municipais celebrou iniciativas em que os municípios ocuparam um papel de protagonista na solução de um problema enfrentado na cidade. Este é o caso do Complexo Administrativo de Maceió.
O projeto, realizado via PPP, consiste na construção de um novo complexo administrativo na capital alagoana. Com investimento de R$ 197 milhões provenientes da iniciativa privada, a estrutura vai abrigar 15 secretarias e órgãos públicos municipais.
A expectativa é de gerar uma economia de R$ 11,8 milhões por ano aos cofres públicos ao longo do contrato de 30 anos. "O projeto engloba a recuperação de três edifícios que estavam abandonados na região central da cidade", explica David Ricardo, secretário de parcerias de Maceió.
Ele conta que a iniciativa também busca impulsionar a recuperação da área, historicamente marcada por problemas de abandono. "Vamos ter uma economia nos gastos da máquina pública e economizar cerca de 30%. A entrega do primeiro prédio já deve ser entregue em dezembro", afirma.
Além do complexo em Maceió, apareceu entre os finalistas o projeto Brilha Goiânia, uma PPP de cidade inteligente para a Prefeitura de Goiânia, estruturada pelo Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades.
Fecha a lista o Programa ES Inteligente, que contempla os municípios de Venda Nova do Imigrante, Alegre e Aracruz, no Espírito Santo, com titularidade do BNDES e estruturação do IPGC.
Melhor Gestão Pública Municipal
O vencedor da categoria foi o projeto contrato de concessão administrativa de iluminação pública e sistema semafórico do município de São Paulo.
"Temos de ter a consciência de que a cidade não tem dinheiro para arcar com determinados serviços e a iniciativa privada tem uma capacidade melhor de lidar com isso", comenta Victor Silva, gestor do contrato de concessão na SP Regula.
Receberam menção honrosa os projetos de concessão de parques municipais de São Paulo e a concessão do Complexo Anhembi.
Melhor Gestão Privada Municipal
Na categoria Melhor Gestão Privada de Projetos Municipais, o prêmio foi concedido à gestão privada dos Centros Educacionais Unificados de São Paulo, realizada pela Integra S/A em parceria com a Prefeitura, por meio de contratos de PPP.
"O impacto social de um projeto desses é gigante. Você entrega piscina aquecida, quadra coberta, sala de circo e pista de skate para uma população que considerava aquilo inacessível", afirma Guilherme Brumer, diretor de Relações Institucionais da Integra S/A.
As menções honrosas foram atribuídas ao projeto Concessão dos Parques Urbanos do Recife e ao projeto Do Diálogo ao Resultado, também da Concessionária Nova Rota do Oeste.
Mulheres na Infraestrutura
Além das categorias institucionais, a premiação reconheceu o papel das mulheres que contribuíram para o avanço da agenda de infraestrutura. A premiada da noite foi Mara Clécia Dantas Souza, diretora de programa do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Casa Civil.
Receberam menção honrosa Inês Maria dos Santos Coimbra, procuradora-geral do Estado de São Paulo, e Renata dos Santos, secretária de Estado da Fazenda de Alagoas.
Carreiras de Impacto
Nesta categoria, foram reconhecidas as trajetórias profissionais associadas ao desenvolvimento da infraestrutura nacional, com premiação para Jorge Bastos, diretor-presidente da Infra S.A., e Guilherme Theo Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A menção honrosa foi concedida a Luciana Aparecida da Costa, diretora de Infraestrutura e Mudança Climática do BNDES.
Concessões e PPPs
Em 2024, foram assinados 204 contratos de concessão ou parcerias público-privadas no Brasil, de acordo com um relatório da consultoria Radar PPP. A estimativa é de que essas iniciativas movimentem R$ 77,3 bilhões em investimentos. Apenas no primeiro semestre de 2025, as PPPs assinadas totalizaram R$ 82 bilhões em investimentos a partir de 232 iniciativas.
O aquecimento do setor é um motor do P3C 2026. Entre os temas debatidos nos mais de 50 painéis que vão ocorrer ao longo dos dois dias de evento estão segurança jurídica, alocação de riscos, financiamento de longo prazo, reequilíbrios contratuais, governança e uso de tecnologia para eficiência operacional.
"Talvez essa seja a agenda mais importante de investimentos do País. E a melhor forma de avançar nessa agenda é por meio do diálogo qualificado", afirma Gilson Finkelsztain, CEO da B3. "Ao reunir governos, investidores, financiadores, operadoras e reguladoras, a indústria de infraestrutura pode realizar projetos transformadores em nosso País", diz.
A perspectiva do executivo é reforçada por Paula Faria, CEO da Necta e idealizadora do P3C. "Este é um espaço de diálogo para o fortalecimento das PPPs e concessões no Brasil."