Preços na beira da praia no Rio chegam a aumentar 100% no verão
As praias do Rio de Janeiro viram objeto de cobiça do Brasil inteiro e até do mundo durante o verão. Mas o carioca e o turista que resolver ceder à tentação de tomar um banho de mar na Cidade Maravilhosa precisa preparar o bolso. Com a chegada da estação mais quente do ano, os preços dos produtos e serviços oferecidos à beira-mar já aumentaram. O reajuste bate na casa dos 100% em alguns casos.
Até duas semanas atrás, era possível alugar um guarda-sol e duas cadeiras de praia em Ipanema por apenas R$ 10 - R$ 4 pela sombra e R$ 3 por cada encosto. Mas a troca das criticadas barracas vermelhas por versões com cores mais claras e discretas, que começou há cerca de 15 dias, trouxe junto o inflacionamento dos preços. Na altura do posto 9 da orla da zona sul, somente a diária do guarda-sol passou a custar R$ 8. As cadeiras são alugadas por R$ 6. Há locais mais caros, como em barracas nas areias do Leblon.
Os donos de barracas de praia alegam que a troca dos guarda-sóis, feita pela prefeitura e por uma cervejaria parceira, deixou-lhes com menos produtos à disposição dos clientes. Para tentar manter a taxa de lucro, o jeito encontrado foi aumentar os preços.
"Antes tínhamos 200 guarda-sóis vermelhos e agora temos somente 40 dos novos. Não tem como trabalhar. Vamos acabar tendo prejuízo, mesmo aumentando o preço porque muita gente vem só pelo guarda-sol e pela cadeira e não consome nada mais. Com estes preços acho difícil as pessoas quererem ficar com a barraca. Vão comprar uma própria, vir para a praia em momentos de menos sol...", diz uma dona de barraca de Ipanema que preferiu não se identificar.
Os donos de barracas reclamam também que não podem mais usar os guarda-sóis antigos e nem comprar outros que não sejam os distribuídos pela prefeitura - a cervejaria disponibiliza a venda de mais barracas por R$ 60 a unidade. "Fica muito caro para nós. Os fiscais não deixam fazer nada. Ameaçam multar. As multas são pesadas. Não dá nem para tentar desafiar", afirma a comerciante.
Um dono de barraca do Leblon conseguiu patrocínio de uma grife de toalhas que em contrapartida exigia o uso de guarda-sóis da marca. Já tinha comprado outros tantos em conjunto com o comerciante ao lado para deixar as areias da região da rua General Artigas pintadas de verde e amarelo. Os planos foram por água abaixo com as determinações da prefeitura e ele pretende discutir a questão na Justiça.
O Grupo Petrópolis, dono da cerveja Itaipava, confirma que só pode distribuir 40 guarda-sóis para cada dono de barraca de praia porque deve seguir a resolução número 19 da Secretaria Especial de Ordem Pública (Seop) publicada no dia 17 de dezembro de 2009. Ela limita a concessão de guarda-sóis a esta quantidade.
"Portanto, é importante ressaltar que o aumento do aluguel dos guarda-sóis em algumas barracas não pode ser justificado pela quantidade doada", diz nota divulgada pela empresa, que afirma ter distribuído o mesmo número de guarda-sóis para cada dono de barraca anteriormente - ao todo, são cerca de 40 mil na orla do Flamengo, Praia Vermelha, Urca, Leblon, Ipanema e Copacabana com investimento de R$ 1,2 milhão. Procurada, a Seop não se manifestou sobre a fiscalização.
Os aumentos de preços não param nos guarda-sóis. A água de coco, bebida número um dos turistas que procuram as praias cariocas, também está mais cara. No início de 2012 era possível encontrar o produto sendo vendido a R$ 3 em alguns quiosques nos calçadões da orla. Hoje já há lugares cobrando até R$ 5 pela bebida.
"Venho para o Rio há muito tempo e a minha impressão é que tudo está ficando mais caro. Os guarda-sóis, as cadeiras, a água de coco, a cerveja, tudo mesmo. É uma pena porque limita a nossa condição de consumir e ficar mais tempo na praia", diz a paranaense Letícia Barbosa, que passa temporada no Leblon.