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PIB do Brasil deve crescer 1,1% no primeiro trimestre deste ano, preveem economistas

Resultado no período vem embalado pelo crescimento da renda, resiliência do mercado de trabalho e políticas de incentivo à demanda do governo, segundo analistas ouvidos pelo 'Projeções Broadcast'

28 mai 2026 - 10h09
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O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve ter reaceleração significativa no primeiro trimestre deste ano, embalado pelo crescimento da renda, em meio à resiliência do mercado de trabalho e políticas de incentivo à demanda do governo federal, avaliam economistas consultados pelo Projeções Broadcast.

O mercado espera crescimento de 1,1% para o PIB do primeiro trimestre de 2026 (mediana), na margem, acelerando em relação à expansão de 0,1% registrada nos últimos três meses de 2025. As estimativas para esta leitura, todas de alta, variam de 0,6% a 1,7%.

Para o PIB do segundo trimestre, a mediana indica expansão de 0,5%, na margem, com intervalo entre variação nula (0,0%) e 2,3%. A estimativa intermediária para o PIB de 2026 é de crescimento de 1,9%, desacelerando em relação à alta de 2,3% registrada no acumulado de 2025. As projeções para o ano vão de 1,5% a 2,2%.

Nos últimos anos, PIB dos primeiros meses também foi forte, mas puxado pelo setor agropecuário
Nos últimos anos, PIB dos primeiros meses também foi forte, mas puxado pelo setor agropecuário
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

O panorama para o primeiro trimestre deste ano contrasta com o observado em anos recentes, quando o PIB dos primeiros meses do ano também foi forte, mas puxado quase exclusivamente pelo setor agropecuário.

Para o estrategista sênior da Tullett Prebon, Nicolas Borsoi, o PIB deve registrar crescimento de 1,2% no primeiro trimestre, em linha com a avaliação de uma recuperação disseminada da atividade nos três primeiros meses do ano.

"É um início de ano bastante robusto para a atividade. Temos uma série de estímulos fiscais acontecendo ao mesmo tempo, um mercado de trabalho aquecido e uma concessão de crédito que ainda é bastante resiliente", avalia o economista.

Borsoi ainda considera que a projeção é "um pouco conservadora", uma vez que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) cresceu 1,29% no primeiro trimestre, na comparação com o quarto trimestre do ano passado. Uma das surpresas no cômputo do indicador do BC, segundo ele, foi o crescimento de 1,3% da indústria nos três primeiros meses do ano. "Mesmo a indústria, que deveria estar sentindo os juros mais altos, performou bem neste início de ano", observa.

A Tullett Prebon projeta crescimento de 2% para o PIB de 2026. As medidas de estímulo à economia anunciadas pelo governo e o cenário de exportações mais fortes adicionam viés de alta à estimativa, segundo Borsoi.

A economista-chefe da Lifetime Asset, Marcela Kawauti, estima que o PIB tenha expandido 1% na margem nos primeiros três meses do ano. Na divisão por setores, a economista projeta alta de 0,79% da agropecuária, de 0,80% nos serviços e de 1,05% na indústria.

"A renda continua sendo o pilar do crescimento da economia, com mercado de trabalho superaquecido e massa salarial que segue avançando em termos reais", diz ela. Em relação aos estímulos do governo, Kawauti destaca que o principal vetor de alta no primeiro trimestre foi a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, com impacto positivo sobretudo nos serviços.

Em relação à agropecuária, a economista menciona que se trata de uma perda de força quando comparado aos mesmos períodos de anos anteriores, mas que acontece justamente por conta da base de comparação alta. "Não é uma piora de fato", diz ela, pontuando que a safra de grãos teve desempenho positivo no período.

Já na indústria, Kawauti destaca que o setor demonstrou recuperação em meio ao início do ciclo de cortes da Selic, enquanto que os segmentos mais ligados à indústria extrativa e petróleo tiveram bom desempenho a partir de março, após eclosão da guerra no Oriente Médio.

A projeção da Lifetime é de crescimento de 1,9% para o PIB deste ano. Embora seja uma expansão abaixo das observadas nos últimos quatro anos, Kawauti pontua que se trata de uma alta relevante, dada a base de comparação alta. "É uma alta de quase 2% em cima de uma base que está super forte, após anos de crescimento acima da média histórica."

No Rabobank, a projeção é de crescimento um pouco mais baixo para o PIB do primeiro trimestre, de 0,9%. Em relatório assinado pelo economista-chefe para a América do Sul, Mauricio Une, e pelo economista para o Brasil, Renan Alves, o banco avalia que, mesmo com uma queda mensal em março, o IBC-Br apontou expansão de 1,29% pela base trimestral. "Evidencia uma aceleração da atividade econômica em relação ao final de 2025", frisam eles, citando, especialmente, o impulso via crescimento de renda e mercado de trabalho forte.

Para o ano, o banco projeta alta de 1,8% no PIB e destaca que o conflito no Oriente Médio pode ter efeitos mistos sobre a economia doméstica. "Ao mesmo tempo em que pressiona a atividade (para baixo), também sustenta a balança comercial, contribuindo para uma aceleração gradual", salientam.

Estadão
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