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Petrobras tem que manter e acelerar esforço exploratório para repor reservas, diz Magda

Nova presidente da estatal afirmou que as reservas de óleo baseadas no pré-sal entram em declínio a partir de 2030; ela defendeu que o Ministério do Meio Ambiente seja 'esclarecido' sobre a necessidade de perfurar poços na Margem Equatorial

27 mai 2024 - 21h22
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RIO - A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse por mais de uma vez, em sua primeira entrevista à imprensa no cargo nesta segunda-feira, 27, que o foco de sua gestão vai ser acelerar a atividades de exploração de petróleo para repor as reservas da estatal. Ela lembrou que as reservas de óleo da empresa, ainda muito baseadas no pré-sal, entram em declínio a partir de 2030.

"Temos que tomar muito cuidado com a reposição das reservas, a menos que queiramos voltar a ser importadores de petróleo, o que para nós está fora de cogitação. A questão das reservas é importante, ela traz consigo a questão das novas fronteiras, dentre elas Amapá, na Margem Equatorial, e a Bacia de Pelotas. O esforço exploratório dessa empresa tem que ser mantido e acelerado. Tudo faz parte da lógica negocial dessa empresa", disse.

Segundo ela, a Petrobras tem domínio da produção de petróleo em águas ultra-profundas e o foco da companhia não poderia ser outro "que não zelar pela produtividade". "E, para isso, é essencial repor reservas", disse.

"A sobrevivência da Petrobras tem um grande componente que é a produção desses reservatórios, tempestiva, com máximo aproveitamento, majoração do potencial dos recursos, mas reposição de reservas", disse.

Para além dessas chamadas "novas fronteiras", Magda disse haver espaço para novas descobertas no próprio pré-sal, ainda que não seja nada tão grande como foram os campos do passado, entre os quais citou Tupi, de onde vem a maior produção da empresa.

Magda foi eleita presidente da Petrobras pelo Conselho de Administração da companhia na última sexta-feira, 24. Ela foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para substituir Jean Paul Prates no cargo com o objetivo de acelerar os investimentos da empresa.

Magda indicou que não deve modificar a atual política de preços de combustíveis da Petrobras
Magda indicou que não deve modificar a atual política de preços de combustíveis da Petrobras
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Em sua fala, ela não descartou a internacionalização da exploração, ao lembrar que se trata de uma empresa internacionalizada, mas disse que a prioridade total é a geração de riqueza no litoral brasileiro. No ano passado, a Petrobras anunciou a volta das atividades na costa oeste da África, onde adquiriu participação em blocos da Shell em São Tomé e Príncipe e negocia para entrar no litoral da Namíbia.

Ministério do Meio Ambiente

Questionada sobre a resistência do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Ibama em liberar a exploração na Margem Equatorial, Magda disse que a pasta de Marina Silva precisa ser mais esclarecida sobre a necessidade premente da Petrobras de repor reservas. "O Ministério do Meio Ambiente precisa ser mais esclarecido sobre a necessidade de o Brasil explorar a Margem (Equatorial) e perfurar esses poços, até para liderar a transição", disse.

A nova presidente da Petrobras ainda afirmou que o cuidado da empresa vai muito além do que demanda a lei ambiental, o que vai ficar claro pela condução da empresa no tema. Ela também garantiu que a Petrobras seguirá investindo na diversidade de fontes de energia capazes de garantir o futuro da companhia.

Magda lembrou que terá como função reforçar a cadeia de fornecedores nacionais, assunto que acompanha há muitos anos, desde os tempos na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

"Todos os contratos têm igualdade de oportunidades para fornecedores nacionais e estrangeiros. Vamos ter que honrar a igualdade de oportunidades entre fornecedor nacional e externo", disse Magda.

Preços dos combustíveis

Magda indicou que não deve modificar a atual política de preços de combustíveis da estatal, que observa a realidade do mercado, como as cotações internacionais e a preservação de market share, mas sem considerar custos ligados importação — que não incidem sobre a operação da Petrobras.

"A Petrobras sempre funcionou acompanhando uma tendência de preços internacionais, ora mais alta, ora mais baixa. O que é altamente indesejável? Trazer para a sociedade brasileira instabilidade de preços todos os dias. A Petrobras sempre zelou pela estabilidade", disse.

Ela relembrou o problema que foram os preços de gasolina e diesel elevadíssimos e que o presidente Lula prometeu, em campanha registrada no TSE, "abrasileirar os preços". "E isso foi feito. É justo eu definir preços considerando custo de frete para um produto que eu não importo? Isso já foi tratado", disse, em tom elogioso ao que já foi feito.

Ao mesmo tempo, afirmou Magda, a Petrobras teria um custo de oportunidade de exportação (não realizada) que é considerada nos preços finais dos produtos. "Isso não é invenção, é uma lógica comercial. A Petrobras, quando aborda o mercado, leva isso em conta, e nós estamos levando isso em conta também", diz.

Ainda segundo ela, a mudança na política de preços sob Lula levou, em um ano e cinco meses, a uma redução de preço de quase 25% na gasolina, um "abrasileiramento do preço" que foi feito e que sua gestão "vai seguir fazendo".

"Tem hora em que se eu aumentar o preço do combustível demais, perco market share. Então, praticamos o preço de um produto que segue uma lógica empresarial em uma companhia que não quer perder mercado. Isso tudo está em uma mesma cesta", disse.

Recompra de Mataripe

A recompra da Refinaria de Mataripe, na Bahia, não está descartada, segundo a presidente da Petrobras, mas apenas se fizer sentido para a estatal e agregar valor, disse, ao ser questionada se teria interesse em recomprar o ativo vendido no governo de Jair Bolsonaro. "Se for um bom negócio, por que não?", destacou a executiva.

Segundo ela, além da refinaria comprada da Petrobras, está sendo estudada uma biorrefinaria com a controladora de Mataripe, a Acelen, "mas que nada está definido", informou. "Ninguém pode dizer, em uma época em que se fala tanto em transição energética, que não vamos considerar biorrefino. Mas isso ainda não está definido", afirmou.

Estadão
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