Petrobras devolverá diferença de preço em leilão de GLP que desagradou a Lula e derrubou diretor
Companhia anunciou que devolverá aos clientes os valores referentes à diferença entre o preço internacional e os lances arrematados pelos distribuidores participantes da disputa
RIO - A diretoria executiva da Petrobras aprovou na quarta-feira, 8, a neutralização dos efeitos de preço decorrentes do leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado pela companhia no dia 31 de março, que desagradou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e provocou a saída do diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser.
"A decisão, sustentada por análises econômicas e de risco, leva em conta a excepcionalidade do contexto mercadológico atual, decorrente do conflito no Oriente Médio. Considera também as manifestações de órgãos de controle e regulatórios, tais como ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon)", disse a estatal em nota.
A Petrobras irá, portanto, devolver aos clientes os valores referentes à diferença entre o Preço de Paridade de Importação (PPI) divulgado pela ANP para o período de 23 a 27 de março e os lances arrematados pelos distribuidores participantes do certame.
"A companhia garante a entrega da totalidade dos volumes contratados no leilão, mantendo a previsibilidade e a segurança do abastecimento nacional", informou.
O ágio no leilão, realizado no dia 31 de março, superou 100%. No dia 2, Lula chegou a afirmar em entrevista àTV Record da Bahia que iria anular o leilão e o classificou como "cretinice" e "bandidagem".
"Foi feito um leilão, com cretinice e bandidagem que fizeram com o óleo diesel. As pessoas sabiam da orientação do governo e da Petrobras: 'Não vamos aumentar o GLP'. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras. Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão. O povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra", disse, na ocasião.
A demissão de diretor da estatal responsável pelo leilão, que viria quatro dias depois, na segunda-feira, 6, gerou apreensão no mercado por soar como intervenção, conforme analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast.
Nesta quinta-feira, 9, a Petrobras disse ainda que está analisando sua adesão formal ao programa de subvenção governamental ao GLP importado, instituído pela Medida Provisória Nº 1.349.
"Caso seja confirmada a adesão da companhia e observado que os volumes arrematados no leilão estão alcançados pelo programa, a Petrobras irá também devolver aos clientes os valores suportados pela subvenção", explicou a companhia.