Pão de Açúcar (PCAR3) dispara mais de 10% após Justiça homologar recuperação
As ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) subiram mais de 12% após a Justiça homologar seu plano de recuperação extrajudicial, que abrange R$ 4,568 bilhões em dívidas e teve adesão de 57,49% dos credores. A reestruturação exclui despesas operacionais do dia a dia e amplia o prazo médio da dívida de 2,1 para 6,4 anos, escalonando pagamentos até 2036. Além disso, o custo financeiro caiu de CDI mais 1,8% para CDI mais 0,5% ao ano, trazendo alívio imediato ao caixa e à estrutura de capital da companhia.
O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) informou nesta quarta-feira (7) que obteve homologação judicial para seu plano de recuperação extrajudicial. A notícia impulsionou as ações da companhia na bolsa.
Por volta das 15h10, as ações PCAR3 avançavam 12,17%, negociadas a R$ 3,78.
A homologação partiu da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo. O plano protocolado em 5 de maio alcançou a adesão de credores que representam 57,49% dos créditos envolvidos, número acima do quórum mínimo previsto em lei para aprovação.
O escopo da recuperação soma R$ 4,568 bilhões em créditos quirografários. Ficam de fora desse montante as obrigações ligadas às operações do dia a dia da companhia, como fornecimento de produtos, mercadorias, serviços prestados e contratos de aluguel.
A partir da homologação, esses créditos passam à condição de novados, e cada credor receberá o pagamento conforme uma entre três modalidades disponíveis no plano.
Em fato relevante, o GPA classificou a reestruturação como parte de um movimento mais amplo de ajuste da sua estrutura de capital, com reflexos esperados tanto no custo da dívida quanto na posição de caixa de curto prazo da empresa.
Como fica o cronograma informado pelo GPA (PCAR3)
Antes da recuperação, o perfil de endividamento da companhia concentrava vencimentos pesados nos anos iniciais. Os números apresentados pelo GPA mostravam R$ 1,908 bilhão a vencer em 2026, R$ 1,029 bilhão em 2027, R$ 1,565 bilhão em 2028 e mais R$ 178 milhões em 2030, totalizando cerca de R$ 4,5 bilhões em amortizações.
Nessas condições, o prazo médio da dívida ficava em 2,1 anos, a um custo de CDI mais 1,8% ao ano.
Com o novo desenho financeiro, o cenário muda de forma expressiva. A empresa passa a ter cerca de R$ 2 bilhões em dívida pecuniária, agora com pagamentos escalonados até 2036.
Soma-se a isso R$ 1,1 bilhão em dívida conversível em ações, cujas amortizações estão previstas entre 2027 e 2031. Olhando apenas para a fatia não conversível, o GPA (PCAR3) aponta um prazo médio de 6,4 anos, com custo reduzido para CDI mais 0,5% ao ano.
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