Padaria Cepam, que produz os panetones Village, pede recuperação judicial com dívidas de R$ 73,4 mi
Empresa fundada em 1954 diz que dívidas se acumularam durante a pandemia; mais de 8 mil pessoas frequentam o estabelecimento na Vila Zelina aos fins de semana
A tradicional padaria Cepam, localizada na zona leste de São Paulo, entrou com um pedido de recuperação judicial com dívidas de R$ 73,4 milhões. A panificadora também é dona da marca Village, conhecida por produtos como panetones e pães.
A empresa foi fundada em 1954 por Germano Amaro e Antônio Diogo, que criaram o negócio a partir da aquisição de uma pequena panificadora da Vila Zelina, na região da Vila Prudente. Oficialmente, a marca passou a existir em 1968, cinco anos antes da criação da Village.
O espaço tem hoje capacidade para atender 320 clientes e serve refeições além de pães, bolos e doces. A empresa produz diariamente 16 mil pães franceses, 11,2 mil produtos diversos e tem 550 funcionários. Aos finais de semana, a circulação de clientes chega a 8 mil pessoas. A Cepam vende seus produtos também para empresas, como o Hospital Israelita Albert Einstein e a rede de fast food Bob's.
Segundo o pedido de recuperação judicial, as dívidas do negócio foram acumuladas entre 2020 e 2022. "É de observar que praticamente todo o endividamento bancário das requerentes foi contraído no começo da pandemia, de modo que a interrupção total da produção foi a causa motriz para a necessidade elevada de tomada de empréstimos", informa o documento.
"Apenas para se colocar em números, a Páscoa de 2019 contou com uma venda, em número bruto, de R$ 32 milhões, enquanto a Páscoa de 2020 sofreu uma queda absurda de 50%, com valor faturado de R$ 16 milhões, porém, com muito mais investimento, com muito mais agressividade e expectativas. A queda foi absolutamente feroz", segundo o documento.
Entre as razões do endividamento, a Cepam diz que contratou 50 entregadores da noite para o dia para viabilizar o atendimento de pedidos via aplicativos de delivery.
O ano de 2023 foi marcado por pedidos de recuperação judicial de empresas que tiveram endividamento durante a pandemia, como aconteceu com nomes como a 123Milhas.
Segundo o Banco Mundial, uma recuperação judicial leva em média quatro anos no Brasil, em comparação com 2,5 anos na média mundial.
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