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Saiba por que a soja do Brasil depende da China e vice-versa

12 abr 2013
07h03
atualizado às 07h20
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O término de qualquer relação é complicado, ainda mais quando tem dinheiro envolvido. Choro e ranger de dentes são quase garantidos. No caso entre China e Brasil, devido à interdependência que ambos nutrem no comércio de soja, é o mesmo. Se esse casal rompesse, a China provavelmente enfrentaria problemas para suprir sua alta demanda, e o Brasil teria um rombo em sua balança comercial. "Seria um drama quase imprevisível", afirma o diretor da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes.

Embora esta situação pareça pouco provável, alguns casos isolados já alardearam os exportadores da commodity. A empresa China National Gran & Oils estimou que as importações para o gigante asiático deveriam ficar em menos de 4,5 milhões de toneladas em abril, por causa dos atrasos no embarque nos portos brasileiros. Mesmo com os problemas de logística, as expectativas para fechar o ano de 2013 ainda são positivas.

O Brasil exporta para o país asiático entre 66% e 68% de sua produção de soja, fazendo da China o seu maior consumidor. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2010, o Brasil exportou 19 milhões de toneladas de grãos de soja para o país e, em 2012, foram 22,8 milhões. Conforme Mendes, a expectativa é de que em 2013 as exportações cheguem a 39 milhões.

Os números são equivalentes ao tamanho da catástrofe caso a China parasse de importar a soja brasileira. O diretor acadêmico da Faculdade Rio Branco e professor do departamento de Relações Internacionais da USP, Alexandre Uehara, afirma que se isso acontecesse, o Brasil teria de fazer de tudo para colocar a soja para fora do País, o que resultaria em uma brusca queda nos preços. "Mesmo que a gente encontrasse outro parceiro comercial, teria um impacto negativo pois já exportaríamos com preço reduzido", observa Uehara. Além disso, a redução de preços iria forçar outros grandes exportadores do produto a baixar seu valor também, o que dificultaria a competitividade brasileira.

Outra consequência do fim desse relacionamento seria a desvalorização do real devido à saída de capital estrangeiro do País. "Não há solução boa para deixar de depender da exportação de soja para a China. Aquilo que tá superavitário na pauta de exportação brasileira é a pauta agrícola", afirma o professor do departamento de Ciências Políticas e Econômicas da Unesp, de Marília, Marcos Cordeiro Pires.

Às vezes, é possível encontrar outros parceiros e recomeçar a relação do zero. Porém, Pires acredita que o Brasil não conseguiria substituir a China em caso de ruptura na pauta de soja. A Europa, um mercado potencial, limitou as importações devido à crise que se espalhou pelo bloco; e os Estados Unidos são também fortes produtores, portanto não se tornariam compradores. Uma ppção menos comum seria a África, mas Pires observa que os países não teriam dinheiro  suficiente para pagar pelo produto. Uehara acredita que talvez o Japão fosse uma alternativa, mas com demanda consideravelmente mais baixa que a chinesa.

Na China, a situação seria de desabastecimento, e o país depende da importação de soja para movimentar a criação de animais. Fora o Brasil, outros grandes fornecedores são Estados Unidos e Argentina, porém, segundo Pires, eles não teriam espaço para aumentar sua produção e suprir sozinhos a demanda chinesa por soja. Mendes também ressalta que o Brasil é o único que pode atender aos pedidos do gigante asiático. "Mesmo considerando todas as deficiências que nós temos em termos de infraestrutura, o Brasil é o único dos três fornecedores com potencial para crescer", afirma o diretor da Anec.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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