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Oferta de crédito por novas tecnologias ajuda a elevar endividamento, diz economista-chefe do C6

Segundo Felipe Salles, mudanças tecnológicas como a IA facilitam a bancarização e, num contexto em que a educação financeira ainda não é aprofundada, contribuem para que o endividamento aumente

27 mai 2026 - 13h44
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Para o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, além das variáveis econômicas amplamente conhecidas como propulsoras do elevado endividamento da população brasileira, soma-se a inteligência artificial. Isso porque o crédito que oferece ao consumidor a possibilidade de antecipar a conquista de um bem desejado ganhou agora o impulso da tecnologia como ofertante de crédito direto ao consumidor, avalia.

"De fato, a gente tem visto recentemente, não só no Brasil, mas também no mundo, mudanças tecnológicas impressionantes. Mudanças tecnológicas que a gente está começando a entender e várias delas a gente já está começando a ter um vislumbre", disse.

O economista falou nesta manhã no FGV Money Lab, evento com apoio do Estadão, com economistas, executivos do setor financeiro e especialistas para discutir como decisões individuais vêm sendo impactadas por um ambiente econômico.

Para ele, de maneira mais ampla, para quem acompanha macroeconomia, crescimento da economia americana, bolsa dos Estados Unidos, o assunto é inteligência artificial.

"E a gente está começando a entender esse assunto. Então, de forma análoga, a gente começa a entender agora a oferta de crédito e a bancarização. Qual é a dificuldade? É que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, na macroeconomia e na microeconomia", disse, observando que, na macro, há cinco anos, a Selic chegou a 2% numa economia que estava crescendo acima de 3%. E, com o juro baixo, a economia crescendo e a renda subindo, as pessoas passaram a tomar muito mais crédito.

"Soma-se a isso, mudanças tecnológicas que facilitam a oferta de crédito, facilitam a bancarização. E, num contexto em que a educação financeira no País ainda não é aprofundada, fica um contexto claro para que o endividamento aumente. O problema é quando o custo desse endividamento aumenta", observou Salles.

O economista do C6 Bank afirma que, quando se analisa a série de crédito do Banco Central e a compara com a Selic, as duas, muito relacionadas, andam juntas desde 2000.

"Então, se de repente a gente sai de uma Selic de 2% para 15% e isso acontece de uma maneira rápida, com uma estilingada, como aconteceu, isso começa a gerar endividamento, problema que a gente está vendo atualmente: falta de informação com excesso de ofertas de uma hora para outra", explicou o chefe do Departamento Econômico do C6 Bank.

Estadão
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