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Solução para problema do alto nível de endividamento passa pelo fiscal, diz Honorato, do Bradesco

Para o economista-chefe do banco, Brasil vive paradoxo com menor índice de desemprego, conjuntura que favorece estabilidade do crédito, e, ao mesmo tempo, endividamento elevado

27 mai 2026 - 12h13
(atualizado às 12h37)
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O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, ao discorrer nesta quarta-feira, 27, sobre o elevado endividamento da população e os consequentes programas de renegociação de dívida lançados pelo governo, disse que o objetivo não pode ser o de conquistar uma eleição. O foco, disse, reside no ajuste do arcabouço fiscal, o qual, reconhecidamente, não é um tema que angarie votos.

"Embora sua importância seja evidente e certamente objeto de debate, a sua popularidade imediata é limitada", disse o economista ao participar como palestrante do FGV Money Lab, evento organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com apoio do Estadão, com economistas, executivos do setor financeiro e especialistas para discutir como decisões individuais vêm sendo impactadas por um ambiente econômico.

Honorato destacou o paradoxo vivido pelo Brasil, que apresenta atualmente o menor índice de desemprego, conjuntura que favorece a estabilidade do crédito, mas que, apesar do menor desemprego, o endividamento permanece elevado.

"Isso decorre da política monetária restritiva, que, embora a renda esteja em crescimento, fragiliza o consumo familiar. A alta taxa de juros onera o pagamento das dívidas, comprometendo a renda disponível das famílias", observou.

Honorato citou a defesa de economistas que frequentemente descrevem o crédito como a antecipação do futuro. Para ele, essa afirmação é precisa e permite o consumo imediato de bens e serviços que seriam adquiridos posteriormente.

"Contudo, há um conceito associado a isso que merece atenção: a taxa de impaciência. Essa taxa reflete a disposição das pessoas em poupar, considerando a taxa de desconto do futuro. Uma alta taxa de impaciência, por exemplo, como a existente em um contexto de incerteza, como o de uma pandemia, leva ao consumo imediato, impulsionada pela incerteza", afirmou.

A questão crucial, de acordo com o chefe do Departamento Econômico do Bradesco, é saber por que a taxa de impaciência é tão alta no Brasil em comparação com países asiáticos, onde a poupança é maior. "Essa diferença é notável. Em certos casos, a falta de poupança pode ser uma questão de necessidade, motivada pela impossibilidade de poupar para imprevistos. A educação financeira pode ser um fator relevante para promover a poupança, mesmo que em pequena escala", avaliou Honorato.

O economista ressaltou que a maior imprevisibilidade do futuro no Brasil, que está relacionada à macroeconomia, contribui para uma baixa taxa de poupança e para o consumo imediato. Honorato disse não ter respostas definitivas, mas que acredita que a questão do endividamento envolve múltiplos fatores, incluindo a macroeconomia, as contas públicas e os indicadores de curto prazo, como a taxa de juros.

"Acredito que seria relevante aprofundar as razões intrínsecas da baixa taxa de poupança das famílias brasileiras, pois isso auxiliaria na compreensão do problema", concluiu Honorato.

Estadão
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