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O que é o Starshield, versão militar do Starlink usado na Ucrânia

15 out 2026 - 11h27
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Resumo
A SpaceX opera duas redes distintas: a Starlink, voltada ao uso civil e defensivo, e a Starshield, versão militar desenvolvida para o governo dos EUA com criptografia avançada e funções de espionagem. Ambas compartilham tecnologias e parte dos satélites, mas a Starshield fica sob controle militar. Na Ucrânia, onde o serviço é vital para a defesa e civis, terminais da Starlink foram habilitados para a rede militar via contratos com o Pentágono, gerando confusão sobre os limites de cada sistema.

Serviços de internet via satélite da empresa SpaceX, de Elon Musk, são essenciais para as comunicações na Ucrânia, tanto da população como dos militares.A queixa da Ucrânia de que a empresa SpaceX, de Elon Musk, teria restringido os serviços Starlink de "nível militar" voltou a chamar atenção para a diferença entre o sistema Starlink, um serviço comercial de internet via satélite da empresa, e o Starshield, a versão militar desenvolvida para o Pentágono.

Starlink e Starshield não são dois sistemas completamente separados, mas também não são a mesma coisa
Starlink e Starshield não são dois sistemas completamente separados, mas também não são a mesma coisa
Foto: DW / Deutsche Welle

"Os sistemas Starshield são propriedade e estão sob controle do governo dos Estados Unidos", escreveu Musk nesta quarta-feira (14/10) numa postagem no X, acrescentando que quaisquer limites de velocidade ou de uso são decididos pelos militares ou pelo presidente dos EUA.

Já "o Starlink é um serviço comercial pertencente e controlado pela SpaceX. Seu uso está limitado a atividades civis ou defensivas e não pode ser empregado em ações militares ofensivas, pois isso seria inadequado para uma empresa comercial".

Starlink e Starshield não são dois sistemas completamente separados, mas também não são a mesma coisa. Starlink é a oferta civil de internet que a própria SpaceX administra. Starshield é a versão governamental e conta com alguns satélites próprios para reconhecimento e comunicações militares e criptografia mais robusta. Mas ambos operam com a mesma tecnologia e, em parte, utilizam os mesmos satélites.

O que é o Starlink?

Principal fonte de lucro da SpaceX, o sistema Starlink é um serviço de internet que utiliza satélites em órbita baixa da Terra para fornecer acesso à internet especialmente em áreas remotas.

Trata-se de uma rede de internet composta por mais de 11 mil satélites que transmitem banda larga diretamente para terminais de usuário. Seus cerca de 13 milhões de assinantes incluem residências, excursionistas, empresas de navegação e grandes companhias aéreas.

Desde o lançamento dos primeiros satélites Starlink, em 2019, a bordo dos foguetes reutilizáveis da SpaceX, a empresa construiu uma vasta constelação em órbita baixa que cobre grande parte do planeta. Ela oferece conexões mais rápidas do que os satélites de comunicações tradicionais, que normalmente operam muito mais distantes da Terra e são em número bem menor.

A internet via satélite é relativamente fácil de usar. A rapidez é impressionante. Os satélites do Starlink orbitam a Terra a uma altitude que varia de 328 a 614 quilômetros, o que é significativamente menor do que os satélites dos concorrentes.

O que é o Starshield?

Starshield é a unidade de negócios da SpaceX que desenvolve sistemas de satélites militares e de inteligência para governos e forças armadas. O foco principal são órgãos dos EUA, como o Departamento de Defesa (Pentágono), a Space Force e o National Reconnaissance Office (NRO), responsável pelos satélites de reconhecimento do país.

Os serviços de comunicação segura do sistema Starshield utilizam criptografia aprimorada e terminais dedicados, mas têm como espinha dorsal os satélites do Starlink. Além das comunicações seguras, a empresa afirma que a versão militar também oferece observação da Terra e a possibilidade de integrar sensores ou outras cargas úteis.

O principal cliente é o Pentágono, que gastou bilhões de dólares tanto com serviços Starlink quanto Starshield. Também adquiriu satélites Starshield, incluindo espaçonaves de comunicação para missões de alerta antecipado contra mísseis e uma constelação de espionagem para o NRO, segundo informou a agência de notícias Reuters em 2024.

Mesmo hardware, usos diferentes

O sistema Starshield utiliza a rede Starlink como meio de transporte de dados e conta adicionalmente com satélites próprios. Na transmissão de dados, o tráfego do Starshield pode passar pelos satélites convencionais do Starlink, mas recebe criptografia adicional e é separado do tráfego civil.

Para reconhecimento e comunicações militares existem satélites Starshield exclusivos, inacessíveis a clientes civis. Em solo, há terminais exclusivos do Starshield. No entanto, terminais Starlink também podem ser habilitados para uso do Starshield, como foi feito na Ucrânia.

Dúvidas sobre a relação entre Starlink e Starshield persistem desde que a Rússia ameaçou satélites ocidentais que apoiavam a Ucrânia em 2022. A SpaceX apresentou o Starshield no final daquele ano, mas o sigilo que cerca os programas espaciais ligados à segurança nacional dos EUA dificultou a compreensão exata dos limites entre os dois sistemas.

Essas diferenças tornaram-se motivo de disputa no início deste ano, quando o Pentágono entrou em conflito com a SpaceX por causa dos preços mais altos cobrados pelos serviços de satélite usados por drones militares durante o conflito com o Irã, segundo a Reuters. A SpaceX argumentou que alguns clientes que pagavam cerca de 5 mil dólares por terminal Starlink deveriam, na verdade, utilizar um serviço Starshield, cujo custo seria de aproximadamente 25 mil dólares por terminal.

O Reino Unido também adotou o Starshield, e outros parceiros dos EUA também avaliam o sistema. A Nova Zelândia está realizando testes com o Starshield.

Starlink na Ucrânia

Em 24 de fevereiro de 2022, logo no início da invasão russa, um ataque cibernético atribuído à Rússia derrubou a rede de satélites KA-SAT, operada pela empresa americana Viasat. Com isso, as Forças Armadas ucranianas perderam uma importante via de comunicação.

A ajuda para os ucranianos veio do espaço: dias depois, o então ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, pediu via Twitter (hoje conhecido como X) a Musk para desbloquear os satélites da Starlink para a Ucrânia. Musk respondeu, também via Twitter: "O serviço Starlink está agora ativo, mais terminais estão a caminho".

Os serviços oferecidos pela SpaceX acabaram por se tornar a espinha dorsal das comunicações ucranianas na linha de frente. Os terminais de internet via satélite da empresa de Musk são essenciais para orientar os ataques de drones ucranianos de longo alcance nas regiões ocupadas pela Rússia do sul e do leste do país, operações que têm causado sérios danos à logística russa.

A Ucrânia recebeu mais de 50 mil terminais Starlink dos seus parceiros. A maioria deles, 29.500, é bancada pela Polônia, que paga cerca de 50 milhões de dólares por ano em assinaturas Starlink para a Ucrânia, segundo o ministro do Exterior, Radoslaw Sikorski.

Especialmente em regiões do leste da Ucrânia, onde a infraestrutura foi em grande parte destruída, o sistema Starlink oferece à população civil e aos militares o principal acesso à internet.

Além disso, em 2023, os Estados Unidos, por meio do US European Command, financiaram 500 terminais Starshield por aproximadamente 40 milhões de dólares. Em agosto de 2024, um novo contrato do Space Systems Command deu acesso ao Starshield a 2.500 terminais da Starlink que já estavam em uso na Ucrânia.

Esse é um dos motivos da confusão entre Starlink e Starshield nas declarações das autoridades ucranianas. Muitas vezes, o equipamento visível no campo de batalha é a antena plana da Starlink. Porém, por trás da conexão existe um contrato diferente, com outro nível de criptografia e regras distintas. Os soldados continuam chamando o sistema de Starlink, mas trata-se do Starshield.

as/cn (Reuters, OTS)

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