Novo teto do Minha Casa, Minha Vida passa a valer nesta quarta-feira; entenda
Programa tem novas regras, que elevam o teto de aquisição de imóveis para até R$ 600 mil e renda para até R$ 13 mil
As novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que ampliam os limites de renda para financiamento de imóveis, passaram a valer nesta quarta-feira, 22. As mudanças, anunciadas pelo governo federal na semana passada, elevam o teto de aquisição de imóveis para até R$ 600 mil e de renda para até R$ 13 mil, impactando diretamente famílias de classe média.
Criada em 2025, a Faixa 4 passou a atender famílias com renda mais elevada, que não se enquadram nas condições de subsídio das faixas anteriores. Em março deste ano, o limite foi ampliado, passando de R$ 12 mil para R$ 13 mil mensais. O valor máximo dos imóveis passa a ser de R$ 600 mil.
Outros limites de renda também foram atualizados. Veja como ficam:
- Faixa 1: de R$ 2.850 para R$ 3.200 (juros de 4% a 4,5%)
- Faixa 2: de R$ 4.700 para R$ 5.000 (juros de 4,75% a 5,5%)
- Faixa 3: de R$ 8.600 para R$ 9.600 (juros de 6,5% a 7,66%)
- Faixa 4: de R$ 12.000 para R$ 13.000 (juros de 10%)
Com a revisão das faixas de renda, parte dos beneficiários pode passar a se enquadrar em categorias com juros menores, reduzindo o custo do financiamento. Para participar do programa, é necessário atender aos critérios de renda e não possuir imóvel em nome próprio.
A pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Ana Maria Castelo afirma que a alteração permite a entrada de mais famílias no programa, principalmente aquelas que integram a classe média e estavam sofrendo com a alta das taxas de juros no mercado.
Ana Maria ressalta ainda que a ampliação também possibilita que famílias que tiveram suas rendas corrigidas pelo aumento do salário mínimo possam voltar para faixas inferiores, reduzindo a taxa de juros.
"O programa fica mais abrangente, aumentando o protagonismo do Minha Casa, Minha Vida no mercado imobiliário, algo que já aconteceu no ano passado e que tende a ser reforçado. Agora, com perspectiva de inflação mais alta, então, isso dá mais relevância ainda às mudanças", avalia.
As alterações também atingem o programa Reforma Casa Brasil. Para famílias com renda de até R$ 3.200, os juros caem de 1,17% ao mês para 0,99%. Para rendas acima desse valor, a taxa também será de 0,99% ao mês (antes, 1,95%). O prazo de pagamento foi ampliado de 60 meses para 72 meses, e o valor máximo do financiamento subiu de R$ 30 mil para R$ 50 mil. O Fundo Garantidor de Habitação Popular (FGHab) passa a cobrir todos os contratos.
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, afirmou que os investimentos no setor ajudaram a elevar a participação do crédito imobiliário no Produto Interno Bruto (PIB), de 7,5% em 2009 para cerca de 10% atualmente. Como mostrou o Estadão, o mercado imobiliário bateu recordes em 2025 com impulso do Minha Casa, Minha Vida.
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