Script = https://s1.trrsf.com/update-1784747113/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Nova tensão no Mar Vermelho agrava crise do preço do petróleo

24 jul 2026 - 06h21
Compartilhar
Exibir comentários

Tensões com houthis em via que vinham servindo de alternativa a Ormuz eleva receio de um bloqueio e novos efeitos negativos em mercados de energia. Nos Eua e na Europa, consumidores já sentem reflexos nos postos.Cerca de duas semanas após a retomada dos ataques de Estados Unidos e Irã na região do Golfo Pérsico, o preço do barril de petróleo Brent fechou na marca dos 100 dólares nessa quarta-feira (23/07).

Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, se tornou uma rota alternativa, absorvendo parte do transporte de petróleo que passava por Ormuz
Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, se tornou uma rota alternativa, absorvendo parte do transporte de petróleo que passava por Ormuz
Foto: DW / Deutsche Welle

A cotação representa uma alta de quase um terço em relação ao valor do barril no mês passado, mas ainda está abaixo do pico de 126 dólares alcançado em abril, no auge do conflito.

A mais recente subida nos preços do combustível fóssil foi impulsionada por uma grave escalada de tensões no Mar Vermelho, o que pode prejudicar ainda mais os esforços para exportar petróleo do Golfo por rotas alternativas ao sul, já que o Estreito de Ormuz permanece fechado.

Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã e baseados no Iêmen, entraram no conflito na quarta-feira (22/07), reivindicando autoria por ataques a dois petroleiros sauditas, e ameaçaram causar mais perturbações no tráfego comercial no Mar Vermelho.

A rota do Mar Vermelho havia se tornado uma válvula de escape, possibilitando que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos continuassem a exportar parcialmente petróleo por meio de oleodutos para portos fora do Golfo.

Na madrugada desta quinta-feira (23/07), os Estados Unidos realizaram sua 12ª noite de ataques contra o Irã, tendo como alvo instalações de armazenamento de mísseis e drones, além de sistemas de defesa aérea que, segundo Washington, Teerã utiliza para atacar navios e os vizinhos do Golfo Pérsico.

O Irã, por sua vez, não dá sinais de que vá recuar.

Com as tensões no Mar Vermelho afetam os mercados de petróleo?

Analistas do setor de energia acreditam que o bloqueio do Mar Vermelho, caso seja totalmente implementado, representaria um duplo golpe para o setor energético global após a crise do Estreito de Ormuz.

Bab el-Mandeb, um estreito na extremidade sul do Mar Vermelho, é considerado particularmente vulnerável a um eventual fechamento imposto pelos houthis.

Cerca de 2,5 milhões de barris de petróleo saudita passavam por Bab el-Mandeb antes dos ataques dos houthis, segundo Jorge Leon, vice-presidente sênior e chefe de análise geopolítica da Rystad Energy.

A rota do Mar Vermelho permitiu que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos exportassem cerca de 6,8 milhões de barris de petróleo bruto por dia - aproximadamente metade da quantidade que passa pelo Estreito de Ormuz. A Arábia Saudita também tem utilizado oleodutos que passam pelo Egito para exportar a commodity por meio de um dos portos mediterrâneos do país no Norte da África.

Segundo Leon, o mercado de petróleo está "cada vez mais dependente" da rota do Mar Vermelho. Ele teme uma "alta significativa nos preços" caso ambas as vias fiquem inacessíveis.

Na terça-feira (21/07), antes dos ataques dos houthis, o Goldman Sachs já havia alertado que os preços do petróleo poderiam disparar, chegando a US$ 120 por barril até o quarto trimestre, se o Estreito de Ormuz permanecer fechado.

Quando o aumento será repassado ao consumidor?

Nesta quinta, os preços médios da gasolina nos EUA chegaram a 4,09 dólares, ante 3,92 no mês anterior, de acordo com dados da American Automobile Association.

Questionado sobre a recuperação do preço do petróleo durante um evento realizado na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, mostrou otimismo: "O preço vai cair, talvez até para um nível inferior ao que tínhamos no início - mas me deem só um tempinho".

Também na quarta-feira, o ADAC, maior clube automotivo da Alemanha, informou que o preço do litro de gasolina havia subido para quase 2,15 euros, aumento de 33 centavos em relação à mínima recente, que havia sido atingida logo após a assinatura do acordo de paz provisório. Os preços do diesel subiram ainda mais, para quase 2,18 euros, contra 1,73 euros há um mês.

Um quadro semelhante está se desenhando em nível global, com aumentos notáveis registrados no Paquistão e nas Filipinas. Em toda a Índia, os preços permanecem praticamente inalterados por enquanto, já que as empresas petrolíferas nacionais absorvem os custos adicionais.

No Brasil, ainda não há dados oficiais sobre uma eventual alta nos postos de combustíveis - o último levantamento no país, da semana entre 12 e 18 de julho, indica um preço médio da gasolina de R$ 6,58.

O que pode impactar ainda mais no preço?

Um bloqueio prolongado dos dois gargalos marítimos mais estratégicos do mundo aumentaria as chances de um novo choque no abastecimento global de petróleo.

As empresas de transporte marítimo ainda poderiam redirecionar suas rotas para o sul da África, mas isso acrescenta até quatro semanas à viagem e aumenta os custos com combustível em mais de 1 milhão de dólares por viagem, aumento que seria repassados aos consumidores e às empresas.

Os prêmios dos seguros contra riscos de guerra para o Mar Vermelho também dispararam desde o surgimento da ameaça dos houthis.

Durante as primeiras semanas da guerra EUA-Israel no Irã, Estados Unidos e vários outros países liberaram milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas para ajudar a compensar a alta nos preços.

Com esses estoques de emergência agora significativamente reduzidos, alguns analistas do setor energético alertam que os esforços para reabastecê-los serão mais caros nas taxas atuais e poderão provocar uma nova alta na commodity.

June Goh, analista sênior de petróleo da Sparta Commodities, alertou, em nota divulgada esta semana, que os EUA poderiam impor restrições à exportação de petróleo bruto ou de produtos refinados para priorizar os consumidores domésticos.

O país, o maior exportador de petróleo do mundo, aumentou as entregas globais durante a guerra, que chegaram a 5,6 milhões de barris por dia em abril, de acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos EUA.

Enquanto isso, a China, maior importadora mundial de petróleo, reduziu suas compras para níveis próximos aos mínimos da última década nos primeiros meses do conflito, em parte devido à menor demanda e às enormes reservas.

Com os grandes estoques comerciais se esgotando gradualmente, analistas esperam que Pequim aumente as importações no segundo semestre do ano, o que poderia exercer ainda mais pressão sobre os preços.

---------

Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra