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Dólar sobe com mercado em busca de proteção antes de novas revelações do caso Master

11 set 2026 - 17h18
(atualizado às 17h28)
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Resumo
O dólar encerrou a sexta-feira em alta de 0,47%, cotado a R$ 5,1252, impulsionado pela busca de proteção de investidores antes do fim de semana. O movimento reflete o mercado em cautela após o STF determinar o fim do sigilo em inquéritos do caso Master, o que pode trazer novas revelações e desgastes à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, envolvido em suposto pedido de verba ao ex-dono do banco para um filme. A expectativa pela nova pesquisa eleitoral Datafolha também pesou no pregão.

O dólar ganhou ‌força ante o real durante a tarde e fechou a sexta-feira em alta, após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, dar 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos das investigações do caso Master.

Um homem passa em frente a uma casa de câmbio, com adesivos de notas de dólar na porta e nas paredes, em Ciudad Juárez, no México, em 10 de fevereiro de 2026. REUTERS/José Luis González
Um homem passa em frente a uma casa de câmbio, com adesivos de notas de dólar na porta e nas paredes, em Ciudad Juárez, no México, em 10 de fevereiro de 2026. REUTERS/José Luis González
Foto: Reuters

O receio de que isso traga a público mais ⁠informações sobre o escândalo envolvendo o filme Dark Horse, atingindo o senador Flávio ‌Bolsonaro (PL-RJ), deu força ao dólar, com investidores fazendo "compras de proteção" antes do fim de semana.

O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,47%, ‌a R$5,1252. Na semana, a divisa acumulou baixa ‌de 0,09% e, no ano, queda de 6,63%.

Às 17h04, o dólar ⁠futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,36% na B3, aos R$5,1460.

Fachin acatou pedido da Procuradoria-Geral da República e determinou que Mendonça retire o sigilo de todos os documentos dos inquéritos do caso Master, deixando de fora apenas informações de diligências ainda em curso que, se tornadas públicas, ‌podem prejudicar as investigações.

No mercado, a percepção era de que o fim do ‌sigilo pode atingir a popularidade ⁠de Flávio, hoje ⁠o principal oponente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral pelo Planalto.

Anteriormente, ⁠um áudio em que Flávio pede ‌dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono ‌do banco Master, para supostamente financiar o filme Dark Horse já havia causado estragos na candidatura do senador. O filme conta a história do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por ⁠tentativa de golpe de Estado.

Na noite desta sexta-feira, também será divulgada a nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial.

"Tem pesquisa para sair, tem o fim de semana, e ninguém sabe o que vem por aí. Então os agentes do mercado se protegem um pouco", ‌comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao justificar a busca por dólar antes do fim de semana.

Outros dois profissionais ouvidos pela Reuters confirmaram ⁠que a possibilidade de Flávio ser impactado pela quebra de sigilo, além da expectativa antes da nova pesquisa eleitoral, trouxe cautela para os negócios.

Após atingir a cotação mínima intradiária de R$5,0718 (-0,58%) às 10h02, o dólar marcou a máxima de R$5,1342 (+0,64%) às 15h36. Além da alta da moeda norte-americana, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) zeraram as perdas vistas mais cedo, enquanto o Ibovespa renovou a mínima do dia.

No exterior, o dia foi marcado pela divulgação dos números de inflação nos EUA e pelo recuo do petróleo Brent, ainda que o preço do barril seguisse próximo dos US$105.

Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,03%, a 99,114.

(Edição de Isabel Versiani)

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