Nova descoberta da Petrobras dá mais um horizonte produtor no poço Morpho, diz Magda
O poço, na costa do Estado do Amapá, na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, está sendo perfurado há quase um ano, desde 20 de outubro de 2025
A Petrobras confirmou uma nova descoberta de óleo de boa qualidade no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, Margem Equatorial do Amapá, abrindo mais um horizonte produtor na região. Segundo a presidente Magda Chambriard, a perfuração foi concluída e a estatal planeja perfurar mais três poços até o início de 2027 para delimitar o reservatório e avaliar sua escala comercial, consolidando uma nova fronteira exploratória com potencial para atrair novos investimentos para o setor no Brasil.
RIO - A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira, 2, que a nova descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, foi confirmada na véspera e que, conforme as regras da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), deve ser comunicada imediatamente.
"Anunciamos hoje porque ontem foi comprovada a presença de mais óleo. A descoberta de hoje abre mais um horizonte produtor em Morpho", disse em entrevista coletiva na sede da estatal, no Rio de Janeiro.
A Petrobras alcançou mais um intervalo portador de petróleo no poço Morpho, localizado em águas ultraprofundas na costa do Estado do Amapá, na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, em lâmina d'água de 2.886 metros.
O poço está sendo perfurado desde 20 de outubro de 2025. "O poço ainda não está concluído. Imaginamos que o poço estará concluído em outubro, quando acreditamos que estaremos desmobilizando a sonda. E essa sonda irá para o Rio Grande do Norte."
Em agosto, a estatal anunciou a primeira descoberta. A executiva apresentou uma amostra do óleo descoberto na primeira fase. "Nós temos óleo de boa qualidade, como estou mostrando para vocês aqui", reforçou.
"Temos casos em que, no mesmo poço, em diferentes profundidades, temos até petróleo diferente. O que nós temos aqui no poço Morpho é algo semelhante a isso", detalhou.
Amapá 'mais valioso a cada dia'
Magda afirmou que as descobertas de petróleo no poço Morpho estão tornando o Amapá "mais valioso a cada dia", em referência ao avanço das atividades exploratórias na região.
De acordo com a executiva, a perfuração do poço já foi concluída e a operação entra agora na etapa de manobras e procedimentos para saída, que incluem testes e atividades pós-perfuração, como perfilagem, retirada da coluna, entre outros.
"Vamos perfurar mais três poços para delimitar a descoberta, isso deve ser no primeiro trimestre de 2027. Em se confirmando as nossas expectativas, como elas vêm sendo confirmadas, não podemos garantir, mas tudo indica que realmente estamos abrindo uma nova fronteira exploratória", disse.
É um Maracanã ou um Maracanãzinho?
Segundo ela, esses poços podem confirmar a extensão do reservatório, ampliando a área da descoberta, ou indicar limites do acúmulo caso algum deles resulte seco, o que ajuda a determinar se a descoberta tem escala suficiente para ser considerada comercial.
"Quando perfurar, eu posso ter duas respostas. Ter um poço que confirma uma descoberta e aí eu digo: opa, aqui eu tenho um reservatório. Então, o reservatório vai desde o primeiro até este outro. Ou eu posso ter um poço seco. Ou seja, esse reservatório não chega até aqui. E aí, o que eu vou descobrir? Eu vou descobrir se eu estou com o Maracanã ou se eu estou com o Maracanãzinho. Se eu tiver o Maracanã, eu posso declarar comercialidade", explicou.
"Óleo da Margem Equatorial pode não ser melhor só do que o óleo de Urucu, no Amazonas", complementou.
A presidente lembrou ainda que informações técnicas detalhadas sobre o poço - como profundidade dos indícios, características da rocha e espessuras encontradas - estão protegidas por confidencialidade. Conforme explicou, o operador tem direito de manter esses dados sob sigilo por até dois anos, o que representa uma vantagem competitiva para quem perfura primeiro uma oportunidade exploratória.
Magda Chambriard, afirmou que a estatal segue focada em desenvolver projetos na Margem Equatorial brasileira. Ela ressaltou que a continuidade das perfurações não é apenas uma expectativa operacional, mas uma obrigação contratual e regulatória.
"Quando a gente compra um bloco, a gente se compromete com o programa exploratório. Cada um tem seu compromisso exploratório mínimo, seu período de trabalho acordado com o regulador. E, de novo, o resultado exploratório ou o potencial exploratório de cada bloco tem informações confidenciais de cada operador", disse.
A executiva também foi questionada se a estatal já avaliou as 11 novas áreas na Margem Equatorial, em regiões localizadas além das 200 milhas náuticas e com grande profundidade de água, aprovadas nesta sexta-feira pela ANP.
"Ainda não olhamos. Seguimos estudando a Margem Equatorial, atentos a todas as oportunidades no Brasil. Atualmente, também estamos atentos a oportunidades no exterior", reforçou.
Para a executiva, a nova descoberta reforça que o Brasil segue sendo um destino atrativo para investimentos.
"Uma descoberta como essa pode mostrar a diversos atores que o Brasil continua sendo um bom alvo para investimento. Acredito que essa descoberta vai atrair novos atores para o Brasil em geral e para a Margem Equatorial brasileira", afirmou. "A qualidade do óleo até aqui nos dá otimismo para seguir adiante na exploração. (...) E ainda temos mais sete poços a licenciar no Amapá e estudar demais bacias", complementou.
'Falta comprovar volume'
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, reiterou que o resultado da nova descoberta está ligado a uma longa mobilização interna da estatal para viabilizar o projeto, incluindo a obtenção de licença e a preparação das equipes, diante de um cenário operacional complexo.
"Em um primeiro poço, em uma área desafiadora como essa, é emocionante. Não é simples conseguir o resultado operacional muito positivo", explicou durante entrevista coletiva na sede da empresa, no Rio de Janeiro.
"Do ponto de vista geológico, demonstramos que havia geração de petróleo na área. O que está faltando é o volume. Eu sei que o sistema petrolífero está funcionando, e esse volume eu só vou conseguir com outras perfurações na área", explicou.
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