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Não cabe falar em retaliação aos EUA, essa palavra está fora da mesa, diz Durigan

O ministro da Fazenda ressaltou, porém, que 'O Brasil não pode se acovardar'; 'Como o Brasil tem razão sobre tarifas dos EUA, não pode abaixar a cabeça', disse

17 jul 2026 - 14h19
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta-feira, 17, que não cabe agora falar em retaliação do Brasil aos Estados Unidos, após a imposição de tarifas de 25% pela Casa Branca a produtos brasileiros. O governo brasileiro está mais empenhado em usar medidas de reciprocidade.

"Não cabe falar em retaliação, é uma palavra que está fora do nosso escopo, fora do nosso trabalho", disse Durigan a jornalistas.

O ministro disse que o governo brasileiro trabalha neste momento com medidas de reciprocidade. "A reciprocidade tem sido avaliada para ser usada na medida e no tempo correto."

O Congresso aprovou, por unanimidade, ressaltou o ministro, uma lei que protege interesses nacionais oferecendo procedimento próprio para ser utilizado em caso de ataques unilaterais de outros países, como as medidas de reciprocidade.

Durigan disse que não se pode usar o "momento político-eleitoral" para fazer ataques políticos e prejudicar a economia. "Meu papel é garantir que a economia siga estável", disse ele. "Seja discutindo com empresários, seja avaliando com cautela qual o processo de reciprocidade que o Congresso nos ofereceu."

"É evidente que tem um elemento político (nas tarifas)", disse Durigan. "Como o Brasil ganha o argumento técnico, o argumento de comércio, não sobra outra coisa a não ser um argumento político-eleitoral. E tem gente no Brasil que apoia."

Para Durigan, o ponto preocupante, já visto em outros países da região, é uma "interferência cada vez mais à luz do dia" de Washington nas economias locais. "Esse tipo de medida, e o apoio da família Bolsonaro às medidas dos Estados Unidos, afronta o patriotismo mais básico dos brasileiros."

"O Brasil não pode se acovardar", disse o ministro da Fazenda, ressaltando que o País tem bons argumentos e razões técnicas nas discussões comerciais. "Temos que seguir fazendo um bom debate, mostrando que isso é prejudicial para o Brasil e para os Estados Unidos."

Durigan mencionou que nas audiências públicas mais recentes no escritório de comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), das mais de 70 participações, 63 foram contrárias ao tarifaço. Ele ressaltou que os argumentos do governo brasileiro e dos empresários foram desconsiderados.

'Como o Brasil tem razão, não pode abaixar a cabeça'

Durigan disse que a consolidação da economia brasileira nos últimos meses dá ao governo condição de proteger a população de choques externos. Como exemplo, citou a atuação recente no mercado de combustíveis, com a retirada temporária da tributação do diesel por dois meses e um acordo com os Estados para dividir custos relacionados à importação e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), medida que, segundo ele, também teve duração limitada para evitar maior ônus aos governos estaduais.

Além das tarifas norte-americanas, o ministro mencionou que a Fazenda monitora, no curto prazo, os efeitos da guerra envolvendo o Irã e seus possíveis desdobramentos para a economia brasileira. Ele afirmou que, diante da "resiliência" do País, o governo poderá prover medidas consideradas necessárias para mitigar impactos.

O ministro aproveitou também a coletiva para dizer que o programa Desenrola tem apresentado resultados positivos, afirmando que uma economia mais forte tende a se traduzir em benefícios para as famílias brasileiras.

"Falta de racionalidade e razoabilidade nas tarifas dos EUA", disse Durigan, relembrando que o Brasil tem déficit na balança comercial com os Estados Unidos. Para o ministro, o que houve foi uma espécie de punição geral ao Brasil com tarifas dos EUA. "Mas, como o Brasil tem razão sobre tarifas dos EUA, não pode abaixar a cabeça. Temos feito uma série de esforços para reverter as tarifas e estamos em um bom caminho para proteger empresas do tarifaço", ressaltou.

Ao dizer que a participação dos EUA na balança comercial brasileira tem diminuído, Durigan explicou que uma reversão das tarifas seria boa não só para o Brasil, mas também para a economia norte-americana.

O fato, de acordo com o ministro, é que os argumentos comerciais utilizados pelos EUA para justificar o tarifaço são falsos. Ele disse que tem uma série de viagens para participar de fóruns internacionais e que levará a esses eventos a insatisfação do Brasil em relação às tarifas aplicadas pelos EUA.

'Classificar Pix como prática desleal é completo absurdo'

O ministro afirmou que a decisão do governo de Donald Trump de classificar o Pix como "prática desleal" é um "completo absurdo" e traz riscos para o sistema de pagamentos instantâneos. O Pix foi um dos pontos citados pelo USTR para justificar a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

"Claro que há risco para o Pix, porque na Seção 301, os Estados Unidos classificam o Pix como prática desleal", disse Durigan. "Não faz nenhum sentido", ressaltou. "Não faz sentido que se discuta o Pix em uma mesa de negociação, porque o Pix não está em negociação."

"O Pix é um ponto de conflito absurdo", acrescentou.

O Pix é uma infraestrutura pública brasileira aberta, explicou Durigan. "Não é um concorrente de mercado, não tem barreiras." Qualquer que seja o participante de mercado, seja fintech ou empresa de pagamento ou cartões, pode se valer da estrutura do Pix em igualdade de condições com os demais participantes, ressaltou.

Durigan afirmou que o Pix será preservado como um serviço público para os brasileiros e afirmou que o sistema ajudou também a ampliar as transações com cartões de crédito e à vista.

Estadão
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