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Mito da autonomia compromete avanço da inovação pela TI

Apesar de 30% dos CIOs brasileiros serem pressionados a inovar, 60% dizem precisar de aprovação das lideranças para tomada de decisões

30 nov 2023 - 06h00
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Sergio Lozinsky
Sergio Lozinsky
Foto: Divulgação

Pouco mais de 30% das lideranças brasileiras da área de TI sentem a pressão pela inovação. Ao mesmo tempo em que é tensionado, esse profissional tem de lidar com outro fator, menos comentado a portas abertas: o mito da autonomia. Quase 60% confessam depender de lideranças de outras áreas para aprovação de soluções e serviços para o negócio, revela a edição 2022-2023 da pesquisa Jornada CIO, realizada pela Lozinsky Consultoria. 

A pesquisa ficou em campo de outubro a dezembro de 2022 e somou 84 respostas válidas, sendo que mais da metade foi de empresas com faturamento superior a R$ 1 bilhão ao ano. O relatório final foi apresentado em agosto de 2023.  “E essa falta de autonomia não é compatível com a alta expectativa por inovação, uma vez que a pressão precisa vir sempre acompanhada das condições para resolvê-la”, explica Sergio Lozinsky, sócio-fundador da Lozinsky Consultoria. 

Na última década, inovação e tecnologia se tornaram conceitos quase intrínsecos e, não raro, é dada à TI a responsabilidade por liderar projetos do tipo. Mas não precisa ser assim. “A TI não precisa colocar a inovação debaixo do braço e ser a única responsável por essas iniciativas, mas é esperado que ela atue como uma protagonista dos projetos, seja liderando ou prestando uma assessoria crítica à equipe. E isso é bastante natural, já que não existe projeto de inovação sem o impacto da tecnologia ou sem consequências para o futuro da arquitetura tecnológica da empresa”, conta Sergio, que compartilha duas premissas:

  • - Quanto mais pioneiro for um projeto, mais a TI deve se envolver em sua concepção, já que é esse setor quem tem a capacidade e a experiência para lidar com novas soluções tecnológicas e analisar como elas vão impactar os sistemas já existentes.
  • - Ser protagonista nem sempre é liderar. Além dessa posição de liderança do projeto, a TI pode atuar como uma assessoria crítica importante para a análise de consequências de todas as decisões tomadas.

O amanhã comprometido pelo hoje

Além da pressão por inovação acompanhada de falta de autonomia, lideranças de TI precisam lidar com outro entrave: a forma como a área é vista e cobrada. Quase metade dos respondentes (48%) atua de forma predominantemente alinhada ao planejamento, mas ainda assim precisa responder de forma imediatista ou programada a demandas urgentes.  Outros 32% atuam majoritariamente de maneira imediatista e empreendem esforços para migrar para uma gestão orientada a planejamento. E aqui vale reforçar que não estamos falando de companhias pequenas, com pouco ou nenhum conhecimento sobre processos e governança: mais da metade dos participantes da pesquisa estão entre as maiores empresas do Brasil. 

“As demandas das áreas de negócios somadas às preocupações com as novidades no setor fazem do dia a dia do profissional da TI uma linha tênue entre obrigações cotidianas e expectativas de ajudar a empresa a alcançar patamares de produtividade muito maiores. E para fazer isso de maneira correta é preciso ter a conivência das lideranças”, descreve Sergio.

Arrumando a casa

Equilibrar esses pratos e garantir que TI e inovação coexistam de forma saudável requer ações mínimas, na visão do sócio-fundador da Lozinsky Consultoria: 

  • - Criação de uma pequena área de tecnologia e desenvolvimento (P&D) para pensar e refletir sobre inovação. Isso pode ser feito tanto dentro da empresa como com parceiros externos, sejam fornecedores ou startups. 
  • - Terceirização de soluções tecnológicas urgentes. Dessa forma, é possível transportar o desafio para as instalações de um parceiro. Isso já acontece, por exemplo, com soluções de Cloud. 
  • - Eleição de uma área de negócios para liderar projetos inovadores, contando com a área de TI como uma facilitadora desse processo. 

Sem grandes expectativas

De toda forma, é preciso ter em mente que a área de TI estará sempre em construção. Com mais de 30 anos de experiência nessa temática, Sergio não promete um conto de fadas quando sugere melhorias de processo e atuação da liderança de TI. 

“A impressão que tenho é que a área de TI está sempre devendo. Agora é inovação, mas já foi segurança e até a questão do trabalho híbrido a pouco tempo atrás. Por isso, é muito difícil esse profissional se manter à frente e a pressão vai acontecer por causa disso.” Ainda assim, a TI não pode parar. 

(*) Renata Armas é redatora do Unbox Project. O Unbox Project é uma iniciativa criada por Adriele Marchesini, Rodrigo Guerra e Silvia Paladino para desencaixotar o pensamento crítico que deve(ria) anteceder a inovação.

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