Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mercosul-UE: acordo deve elevar exportações de carne bovina do Brasil em 7% ao ano, diz associação

Apesar da relevância, mercado europeu não altera significativamente o volume total embarcado, hoje concentrado na Ásia e nos EUA, afirma entidade

19 jan 2026 - 13h36
Compartilhar
Exibir comentários

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) deve proporcionar crescimento moderado das exportações brasileiras de carne bovina ao bloco europeu, com avanço estimado entre 5% e 7% ao ano, avaliou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. Segundo ele, apesar da relevância comercial, o mercado europeu não altera significativamente o volume total embarcado pelo País, hoje concentrado na Ásia e nos Estados Unidos.

"É um mercado remunerador, com cortes de alto valor agregado, mas que não tem impacto expressivo em volume diante do que o Brasil exporta hoje", afirmou Perosa durante entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira.

Em 2025, o Brasil exportou 128,9 mil toneladas de carne bovina à União Europeia, com receita de US$ 1,06 bilhão, segundo dados da Abiec. Os principais destinos no bloco foram Itália, Países Baixos, Espanha, Alemanha e Bélgica, com um perfil de consumo distinto do observado na Ásia e no Sudeste Asiático.

Bloco europeu demanda cortes do traseiro, de maior valor agregado
Bloco europeu demanda cortes do traseiro, de maior valor agregado
Foto: Frigorífico Astra/Divulgação / Estadão

O acordo Mercosul-UE prevê uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina (peso carcaça), sendo 55% resfriada e 45% congelada, com tarifa reduzida de 7,5%. A implementação será gradual, ao longo de cinco anos, começando com 19,8 mil toneladas no primeiro ano. Há um entendimento firmado em 2019, no Fórum Mercosul da Carne, de que o Brasil ficaria com cerca de 42% dessa cota.

A divisão considera critérios técnicos, como produção e participação nas exportações do bloco. "O Brasil abate em torno de 40 milhões de animais por ano, enquanto a Argentina abate cerca de 10 milhões, e o Uruguai, em torno de 3 milhões", afirmou Perosa. "Essa divisão precisa refletir essa proporção."

Além da nova cota, o acordo prevê a eliminação da tarifa incidente sobre a cota Hilton, atualmente de 10 mil toneladas anuais destinadas a cortes nobres. Hoje, essa cota é tributada em 20%, porcentual que será zerado com a entrada em vigor do acordo. Segundo Perosa, a medida aumenta a previsibilidade e a chance de cumprimento integral da cota.

A Abiec também pleiteou junto ao governo federal a antecipação da redistribuição da cota Hilton, tradicionalmente realizada em março. Segundo o presidente da entidade, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) publicou portaria permitindo a redivisão já em dezembro, com novo ajuste no início de janeiro, beneficiando empresas com melhor desempenho exportador.

O perfil das exportações brasileiras à União Europeia difere do padrão observado em outros mercados. Enquanto a China importa majoritariamente cortes do dianteiro bovino e o Sudeste Asiático concentra compras de miúdos, o bloco europeu demanda cortes do traseiro, de maior valor agregado. "São cortes como alcatra, usados, por exemplo, na culinária italiana. O volume é menor, mas o impacto em valor é positivo", disse Perosa.

Mesmo com a redução tarifária prevista no acordo, o executivo ressaltou que há limitações estruturais ao crescimento. A União Europeia aprovou uma salvaguarda interna que estabelece um gatilho de 5% para aumento das importações de produtos agrícolas do Mercosul. "Se esse limite for ultrapassado, pode haver acionamento de mecanismos que resultem em novas tarifas ou restrições", afirmou.

Segundo Perosa, a projeção de crescimento anual de 5% a 7% sobre as atuais exportações à UE representa incremento relativamente limitado em volume absoluto. "É um movimento positivo, mas o foco principal das exportações brasileiras continua sendo a Ásia e os Estados Unidos", concluiu. A entrada em vigor do acordo depende da ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos países do Mercosul.

Estadão
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade