Mercados globais sentem alta do petróleo e dos Treasuries
Commodity voltou a superar os US$ 91 por barril em meio às incertezas no Oriente Médio
O impacto do ambiente geopolítico chega aos mercados globais, com os índices futuros de Nova York operando próximos da estabilidade, após Wall Street registrar a terceira sessão consecutiva de queda, pressionada pela alta dos Treasuries e do petróleo.
Os mercados globais operam sem direção única nesta quarta-feira (19), em meio à alta dos rendimentos dos Treasuries e à valorização do petróleo. O Brent avança pela quarta sessão consecutiva e supera US$ 91 por barril, refletindo o aumento das incertezas em torno do conflito no Oriente Médio e os riscos de interrupções no mercado de energia.
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A tensão entre Estados Unidos e Irã permanece no centro do radar, após o presidente Donald Trump afirmar que não há negociações em andamento com Teerã e indicar que novas sanções podem ser anunciadas ainda nesta semana. A disputa também se estende ao Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte mundial de petróleo. Trump afirma que a passagem permanece aberta, enquanto o governo iraniano sustenta que o estreito segue fechado e condiciona sua reabertura ao fim do bloqueio portuário, das sanções e das ameaças militares.
O ambiente geopolítico se soma à pressão sobre os mercados de juros. Os investidores aguardam a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável pela definição da política monetária dos Estados Unidos. O documento deve trazer novos detalhes sobre as divergências entre os dirigentes do Federal Reserve em relação à necessidade de elevar os juros para conter a inflação. A trajetória da política monetária também é acompanhada diante das pressões de Trump por taxas menores.
O impacto chega aos mercados globais, com os índices futuros de Nova York operando próximos da estabilidade, após Wall Street registrar a terceira sessão consecutiva de queda, pressionada pela alta dos Treasuries e do petróleo. Já na Europa, as bolsas têm desempenho misto, enquanto o avanço do petróleo reacende preocupações com a inflação no continente, que é dependente de energia importada.
Na Ásia, o movimento foi de forte queda. A Coreia do Sul recuou 5,80% e o Japão caiu 3,16%, em meio à nova onda de vendas de ações de semicondutores e à alta dos rendimentos dos títulos americanos, uma vez que juros mais elevados nos Treasuries tendem a reduzir a atratividade relativa de ações de tecnologia, especialmente empresas negociadas a múltiplos elevados.
No Brasil, o mercado acompanha ainda a forte reversão do fluxo estrangeiro na Bolsa. Investidores não residentes retiraram R$ 12,6 bilhões de ações já listadas na B3 entre 10 e 14 de agosto, na maior saída semanal desde o início da série histórica, em 2008.
O movimento reduz o saldo líquido de capital estrangeiro na Bolsa brasileira em 2026 para R$ 18,2 bilhões, praticamente o mesmo montante retirado pelos investidores não residentes apenas em agosto. A maior cautela em relação ao cenário eleitoral e a intensificação da disputa por capital entre diferentes mercados estão entre os fatores associados à saída de recursos.
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