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Mauro Vieira diz que EUA aplicaram tarifas porque Brasil 'não se curvou' a investidas de Trump

Ministro das Relações Exteriores afirmou que secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atacou Lula de forma 'grosseira e arrogante'

16 jul 2026 - 15h21
(atualizado às 15h54)
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BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira, 16, que os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros porque o País não se curvou às pretensões do presidente americano, Donald Trump. Segundo Vieira, durante as negociações, a Casa Branca exigiu a "capitulação" do Brasil.

"O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações", disse Vieira, em declaração a jornalistas no Palácio do Itamaraty.

"Cito como exemplo demandas de abertura total e irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros à economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam a capitulação."

Ministro afirmou que secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atacou Lula de forma ‘grosseira e arrogante’
Ministro afirmou que secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atacou Lula de forma ‘grosseira e arrogante’
Foto: Wilton Junior/ Estadão / Estadão

Vieira também declarou que, desde março de 2025, o governo brasileiro teve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone com representantes da Casa Branca. Somente com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o Representante Comercial dos EUA, Jamierson Greer, foram feitos 11 contatos.

O ministro defendeu o Brasil dos temas investigados pela Seção 301 que, segundo ele, foi apenas uma forma encontrada pelo governo americano para driblar a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que impedia a aplicação de tarifas de forma unilateral, como a taxa de 50% aplicada sobre o País em julho do ano passado.

Segundo Vieira, as práticas comerciais brasileiras são legítimas e não prejudicam o comércio dos Estados Unidos. "Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade", disse.

"O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo Pix. As acusações sobre desmatamento também são absurdas. Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado", declarou.

Vieira convocou jornalistas para anunciar a posição do Brasil após o governo americano ter anunciado, na noite de quinta-feira, a imposição de tarifas de 25% sobre os produtos brasileiros, com base na investigação da Seção 301.

Nos bastidores, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutem duas opções: usar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos e elevar o tom do conflito, ou seguir nas negociações diplomáticas feitas desde o início da investida do presidente americano, Donald Trump, contra o Brasil, em julho de 2025, para tentar desfazer a nova taxação.

Rubio atacou Lula de forma 'grosseira e arrogante', diz ministro

Mauro Vieira afirmou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, atacou de forma "grosseira e arrogante" o presidente Lula. Nesta madrugada, ao anunciar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, Rubio disse, no X, que o governo brasileiro não negociou com os americanos de boa-fé.

"As declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais, a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil, são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros. Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo", disse Vieira.

Segundo o ministro, o presidente brasileiro procurou dialogar com os americanos e negociar qualquer tema de interesse da Casa Branca desde o início da crise tarifária, mas colocando acima de tudo os preceitos da soberania nacional.

Na publicação do X, Rubio afirmou que Lula colocou o próprio ego à frente para não negociar e encontrar um acordo que traria "bem-estar" ao povo brasileiro. O secretário de Estado disse que a taxação seria o "preço" da atitude de Lula.

"Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso", disse Rubio.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores disse que Rubio classificou como ego a "convicção inabalável" de Lula na soberania brasileira e dos interesses da população.

Estadão
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