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'Matar homens maus custa caro': o pedido do governo Trump ao Congresso por US$ 200 bilhões para a guerra no Irã

Apesar de Trump ter dito há poucos dias que as operações no Irã estavam 'praticamente concluídas', seu Departamento de Guerra agora pede mais dinheiro.

20 mar 2026 - 07h36
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O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que seu departamento precisa de mais dinheiro para 'o que for necessário no futuro'
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que seu departamento precisa de mais dinheiro para 'o que for necessário no futuro'
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O governo do presidente americano, Donald Trump, está tentando obter US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) em financiamento adicional para a guerra no Irã. As justificativas apresentadas incluem repor munições e outros suprimentos que se esgotaram após a ajuda prestada anteriormente a outros países.

"Queremos ter grandes quantidades de munição. Ainda temos muita, mas ela diminuiu por termos enviado tanto à Ucrânia", disse Trump na quinta-feira (19/3). Segundo ele, "este é um mundo muito volátil".

Questionado sobre o tema, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, não confirmou diretamente o valor pedido ao Congresso, mas afirmou a jornalistas: "Matar homens maus custa caro".

Mais tarde, em um evento na Casa Branca, Trump foi perguntado por que seria necessário tanto dinheiro, já que havia dito que a Operação Epic Fury (Fúria Épica, na tradução livre), nome dado pelo governo americanos aos ataques contra o Irã, terminaria em breve. Ele respondeu que se trata de uma "guerra muito volátil".

O Pentágono (nome pelo qual é conhecido o Departamento de Guerra dos EUA, ministério que antes do governo Trump se chamava oficialmente o Departamento de Defesa) informou aos congressistas americanos que o conflito contra o Irã custou até agora US$ 11,3 bilhões (cerca de R$ 56,5 bilhões) apenas na primeira semana. No sábado (21/3), a guerra entrará na quarta semana.

Batalha com os democratas

O Congresso dos EUA aprovou um financiamento de US$ 188 bilhões (cerca de R$ 940 bilhões) para a Ucrânia desde a invasão russa, em fevereiro de 2022. Até dezembro passado, cerca de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 550 bilhões) haviam sido gastos, segundo o inspetor-geral especial responsável por monitorar esses recursos.

Na quinta-feira (19/3), Hegseth afirmou que o Departamento de Guerra precisa de mais dinheiro para "o que for necessário no futuro", além de garantir a reposição de munições.

"Esse tipo de financiamento vai assegurar que estejamos adequadamente financiados no futuro", disse.

O governo terá de convencer os congressistas a aprovar mais recursos para a guerra
O governo terá de convencer os congressistas a aprovar mais recursos para a guerra
Foto: Martin Pope / Getty / BBC News Brasil

O pedido de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) se soma ao orçamento anual do Departamento de Guerra dos EUA, de US$ 838 bilhões (aproximadamente R$ 4,19 trilhões), aprovado pelo Congresso em janeiro.

O pedido de financiamento de Hegseth foi feito no momento em que um caça F-35 dos EUA precisou fazer um pouso de emergência em uma base aérea americana "após cumprir uma missão de combate sobre o Irã", disse um porta-voz do Comando Central dos EUA.

Segundo a imprensa americana, citando fontes anônimas, o F-35 teria sido atingido por disparos iranianos.

"O avião pousou com segurança, e o piloto está em condição estável", afirmou o porta-voz. "O incidente está sob investigação."

O Pentágono estima que cada uma dessas aeronaves custa cerca de US$ 77 milhões (cerca de R$ 385 milhões).

Questionado sobre o valor de US$ 200 bilhões, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson (Partido Republicano, ao qual Trump pertence), disse que não acredita que seja "um número aleatório".

"É claramente um momento perigoso no mundo, e precisamos financiar adequadamente a defesa. E temos o compromisso de fazer isso", afirmou.

O congressista Jim Himes (Partido Democrata, de oposição ao governo Trump) disse, na quinta-feira, que gostaria que Hegseth recordasse de um velho ditado: "Se você me quer lá no pouso, garanta que eu esteja lá na decolagem".

A guerra já tem impacto econômico nos EUA.

Na quarta-feira (18/3), o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, decidiu manter novamente as taxas de juros estáveis, diante do aumento dos preços do petróleo desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, o que elevou a incerteza econômica e ameaça pressionar a inflação.

O Fed geralmente baixa as taxas de juros quando o desemprego aumenta e precisa impulsionar a economia. Por outro lado, aumenta essas taxas quando há preocupação com a inflação, buscando conter o consumo e desacelerar a alta de preços.

O pedido de mais dinheiro para o esforço de guerra indica uma disputa legislativa intensa a menos de oito meses das eleições de meio de mandato, em novembro, quando estará em disputa nas urnas o controle das duas Casas legislativas (o Senado e a Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira).

Embora o financiamento militar costume ter apoio dos dois partidos (o Republicano e o Democrata), pesquisas indicam que a maioria dos americanos não aprova a guerra no Irã, o que pode pressionar políticos a se verem obrigados a justificar um aumento expressivo de gastos.

Os democratas já começaram a contextualizar o tamanho desse pacote, destacando que a prorrogação por um ano de subsídios ao seguro-saúde, defendida sem sucesso no ano passado pelos democratas, teria custado cerca de US$ 35 bilhões (cerca de R$ 175 bilhões).

O governo Trump havia informado anteriormente que a economia total obtida com cortes orçamentários do Departamento de Eficiência Governamental (conhecido como Doge) no ano passado, que incluíram grandes reduções na ajuda externa, somou US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 875 bilhões).

No ano passado, o governo federal gastou US$ 100 bilhões (cerca de R$ 500 bilhões) em assistência alimentar para famílias de baixa renda.

Apesar da oposição dos democratas, no fim das contas os republicanos no Congresso devem ter votos suficientes para aprovar o financiamento adicional ao Departamento de Guerra, mas a medida pode ter custo político elevado caso a guerra, e seus impactos econômicos, se prolonguem.

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