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Trabalho remoto e rodovias mais lentas: veja sugestões da AIE para reduzir o consumo de petróleo

Agência Internacional de Energia divulgou um guia com medidas para atenuar o impacto do choque provocado pelo conflito desencadeado por ataques dos EUA e Israel ao Irã

20 mar 2026 - 08h46
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A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou um guia de sugestões para atenuar o impacto do choque do petróleo e aliviar as pressões sobre a acessibilidade (custos) para famílias, indústrias e empresas intensivas em uso de combustíveis de transporte aéreo e cozinha. As orientações divulgadas nesta sexta-feira, 20, ocorrem diante do efeito provocado pelo conflito desencadeado por ataques dos EUA e Israel ao Irã.

O modelo do trabalho remoto que ajudou a conter o alastramento do covid-19 é uma das recomendações.

O trabalho remoto pode reduzir significativamente o consumo de petróleo associado ao deslocamento casa-trabalho, diz a AIE. Em nível nacional, três dias adicionais de trabalho remoto, para quem tem funções que permitem isso, poderiam cortar o consumo de petróleo dos carros em 2% a 6%, com reduções potenciais médias de cerca de 20% para motoristas individuais.

A redução dos limites de velocidade em rodovias em pelo menos 10 km/h também ajudaria a atenuar o impacto do petróleo. "Baixar o limite em rodovias em 10 km/h pode reduzir o consumo de petróleo de um motorista individual em 5% a 10% e o uso total de petróleo por carros particulares em 1% a 6%. Caminhões pesados de carga podem economizar cerca de 5%, devido às velocidades já mais baixas", diz o documento da AIE.

Incentivar o transporte público e a adoção de um rodízio, com alternância do acesso de carros particulares às vias em grandes cidades em dias diferentes, além de compartilhamento eficiente para veículos comerciais rodoviários e entrega de mercadorias, também estão na lista de sugestões.

Outra alternativa seria redirecionar o uso de gás liquefeito de petróleo (GLP) do transporte. Cerca de 2% da frota global de carros roda com GLP e a mudança para gasolina em veículos convertidos ou bicombustíveis pode preservar o suprimento de GLP para usos priorizados, como cozinhar, observa a AIE.

Redução de voos

O guia da AIE também sugere que sejam evitadas viagens aéreas quando existirem opções alternativas.

"Uma redução de cerca de 40% dos voos realizados para fins de negócios é viável no curto prazo e, com participação muito elevada em campanhas de redução de voos relacionados ao trabalho, poderia reduzir a demanda por querosene de aviação em 7% a 15%", cita a agência.

E à medida que o fornecimento de GLP se torna cada vez mais limitado, uma adoção maior de soluções elétricas e de outras alternativas modernas para cozinhar poderia lidar com possíveis escassez de combustível de cozinha, juntamente com outras medidas para conservar o GLP em outras aplicações não essenciais, diz a AIE.

Outras sugestões são a de se aproveitar a flexibilidade com matérias-primas petroquímicas e implementar medidas de eficiência e manutenção de curto prazo. "Priorizar o processamento de matérias-primas de petróleo com maiores volumes disponíveis pode aliviar a pressão sobre outros produtos petrolíferos. Otimizar a operação e a manutenção dos equipamentos pode reduzir o uso de petróleo em instalações individuais em até 5%", diz a AIE.

Estadão
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