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Lula assina decreto de promulgação do acordo Mercosul-União Europeia e fala em reação a Trump

Acordo entra em vigor nesta sexta-feira, 1º; juntos, os dois blocos reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB de cerca de US$ 22,4 tri

28 abr 2026 - 17h07
(atualizado às 17h46)
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BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira, 28, o decreto de promulgação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que entrará em vigor nesta sexta-feira, 1º - após quase três décadas de negociações. Lula afirmou que o acordo é uma reação dos blocos à política unilateral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Depois que o presidente Trump tomou as medidas que ele tomou, praticando as taxações de forma unilateral contra o mundo inteiro, a resposta que a União Europeia e o Brasil deram ao mundo é que não existe nada melhor que a gente acreditar no exercício da democracia, no multilateralismo e na relação cordial entre as nações", afirmou.

O acordo segue uma implementação progressiva, com a redução escalonada de tarifas para produtos sensíveis ao longo de prazos que podem chegar a até dez anos na União Europeia e 15 anos no Brasil, com exceção de veículos elétricos, híbridos e novas tecnologias, que possuem um prazo maior, de até 30 anos.

O pacto comercial, assinado em janeiro deste ano em Assunção, no Paraguai, prevê a redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela União Europeia.

Ainda segundo Lula, os países precisam entender que, no cenário internacional, "não existe saída individual". O presidente destacou também que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia força a "ideia consagrada do multilateralismo". Ele também destacou a importância do texto ter sido proposto pelos sul-americanos porque os países colonizados, segundo ele, enfrentam mais dificuldades no tabuleiro geopolítico.

O presidente também fez um balanço do governo e afirmou que, desde o início do mandato, o Brasil conseguiu abrir 530 novos mercados.

"Ao invés da gente ficar chorando pelo leite derramado e que tal produto está vindo com impostos aumentados, temos que procurar novos parceiros. Está cheio de gente querendo vender, está cheio de gente querendo comprar e o Brasil, hoje, não é uma republiqueta", declarou.

Lula também fez um relato da viagem que fez à Alemanha na semana passada. Segundo o presidente, foi possível comprovar a eficácia do biocombustível brasileiro na Feira de Hanôver. "O Brasil, nesta questão da transição energética e nessa revolução digital que o mundo está vivendo, não precisa ficar devendo nada a ninguém", afirmou.

Além de assinar a promulgação do acordo, Lula enviou ao Congresso Nacional duas mensagens para a aprovação de acordos com a Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Em um breve discurso, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse esperar que os dois textos tenham uma votação célere, como foi no caso do UE-Mercosul.

Ainda de acordo com Mauro Vieira, o acordo entre os dois blocos emitiu um sinal de que eles "acreditam na integração econômica" e que o Mercosul é "funcional e maduro" para o comércio exterior.

"A parceria com a União Europeia sinaliza para o restante do mundo que o Mercosul é um bloco funcional, maduro e pronto para gerar acordos de novas gerações para outros acordos globais", disse o ministro das Relações Exteriores.

Números do acordo

Juntos, os dois blocos reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB de aproximadamente US$ 22,4 trilhões.

Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Serviços (MDIC), o acordo Mercosul-UE terá um efeito positivo de 0,34% (R$ 37 bilhões) sobre o PIB brasileiro, com aumento de 0,76% no investimento (R$ 13,6 bilhões) e redução de 0,56% no nível de preços ao consumidor.

Também é projetado um aumento de 0,42% nos salários reais, além de um impacto de 2,46% (R$ 42,1 bilhões) sobre as importações totais e de 2,65% (R$ 52,1 bilhões) sobre as exportações totais.

As empresas brasileiras que exportam hoje para a União Europeia respondem por 3 milhões de empregos no Brasil no ano. A corrente de comércio Brasil-União Europeia teve um recorde de US$ 100 bilhões no ano passado, com um ligeiro déficit para o Brasil, mas com um volume de comércio relevante.

Mais de 5 mil produtos brasileiros terão tarifa zero no mercado europeu a partir de maio, diz CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que mais de 5 mil produtos brasileiros terão tarifa zero no mercado europeu assim que o acordo entre o Mercosul-UE entrar em vigor, na próxima sexta-feira, 1º de maio.

O montante equivale a mais de 80% das importações da União Europeia de bens do Brasil em 2025. Desses produtos, alguns já são livres de alíquotas de importação e outros 2.932 passarão a ter tarifa zero, sendo 93% (2.714) bens industriais.

Entre os 2.932 produtos que possuem tarifas e terão redução imediata, se destacam os seguintes setores: máquinas e equipamentos (21,8%), alimentos (12,5%), produtos de metal (9,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,9%) e químicos (8,1%).

A União Europeia importou US$ 607,7 milhões do setor de máquinas e equipamentos brasileiro em 2025. Com o acordo, 95,8% desse valor entrará com tarifa zero no mercado europeu imediatamente. Ao todo, 802 produtos do setor não estarão sujeitos a tarifas de importação na União Europeia, incluindo itens como compressores, bombas para combustíveis, lubrificantes ou líquidos de arrefecimento e árvores de transmissão.

Já no setor de alimentos serão 468 produtos sem tarifa imediata, incluindo subprodutos como animais não comestíveis; óleo de milho e extratos vegetais. No setor de metalurgia serão 494 produtos sem alíquota de importação na entrada em vigor do acordo, incluindo ferro-gusa, matéria-prima da siderurgia, obtido pela redução do minério de ferro, chumbo, barras de níquel e óxido de alumínio.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o acordo amplia o acesso preferencial para um dos mercados mais estratégicos do mundo e oferece maior previsibilidade regulatória.

"O acordo representa uma oportunidade para ampliar, de forma significativa, a presença do Brasil no mercado internacional e fortalecer a agenda de competitividade industrial do País", explica. Hoje, os países que o Brasil mantém acordos comerciais respondem por 8,9% das importações mundiais. Com a integração Mercosul-União Europeia, esse porcentual poderá chegar a 37,6%.

A CNI lançou lançou três documentos para auxiliares exportadores: o Manual do Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, que detalha os principais compromissos comerciais assumidos e oportunidades previstas e duas cartilhas - uma sobre compras governamentais e outra sobre as regras de origem que as empresas precisam cumprir para ter direito à redução de tarifas prevista no acordo.

A CNI e suas congêneres no Mercosul -a Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU), a União Industrial Argentina (UIA) e a União Industrial Paraguaia (UIP) - vão criar, em parceria com a BusinessEurope, um comitê do setor privado para monitorar e apoiar a implementação do acordo entre os blocos econômicos. A iniciativa vai apoiar as empresas na adaptação ao novo ambiente de negócios e na identificação de oportunidades concretas.

Estadão
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