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Lucro do BNDES cresce 25% e vai a R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre

Ativos totais do banco atingiram R$ 1,058 trilhão no período, maior valor nominal da história

12 ago 2026 - 13h02
(atualizado às 14h42)
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 25% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em junho, o lucro recorrente foi de R$ 17,1 bilhões.

De acordo com o diretor Financeiro e de Mercado de Capitais do banco, Alexandre Abreu, o lucro anualizado é novamente um recorde histórico. "O BNDES vem consistentemente melhorando os resultados recorrentes", disse o executivo, durante entrevista para comentar os resultados.

Sede do BNDES, no Rio
Sede do BNDES, no Rio
Foto: Fábio Motta/Estadão / Estadão

No primeiro semestre de 2026, os ativos totais do banco atingiram R$ 1,058 trilhão, maior valor nominal da história, crescendo 10% desde dezembro de 2025, enquanto a carteira de crédito alcançou R$ 684 bilhões, alta de 14% no comparativo anual a e maior patamar desde 2016.

Em aprovações, o crédito do banco chegou a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) ao final do segundo semestre, que era a meta do banco, disse o diretor de planejamento e relações institucionais, Nelson Barbosa. Em desembolsos, a participação no PIB chegou a 1,4%. "O nível de 2% do PIB é velocidade de cruzeiro", disse o presidente do banco, Aloizio Mercadante.

Mercadante disse também, durante a entrevista, que um "BNDES grande demais" prejudica o mercado de capitais. "Queremos um mercado de capitais forte. É muito importante trabalharmos juntos para as empresas fazerem IPO (abertura de capital)", disse.

Compromisso com o arcabouço

O presidente do banco disse também que a instituição tem peso importante no fiscal brasileiro e responde por 36% dos aportes no Tesouro. Em 3 anos, segundo ele, foram R$ 62,251 bilhões em dividendos do BNDES repassados ao Tesouro. "Damos contribuição gigantesca para o arcabouço fiscal", disse. "Temos profundo compromisso com o arcabouço fiscal."

Incentivos e subsídios são indispensáveis, afirmou Mercadante, ressaltando que a China tem oito vezes mais desses mecanismos que a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "Só que os subsídios precisam ir na direção certa", disse ele, citando segmentos como energia limpa e renovável. "Se o Estado não incentivar esses setores, não tem transição energética."

"Só negacionistas não enxergam a gravidade da crise climática", afirmou Mercadante, ressaltando que os países e governos vão precisar de instrumentos e mecanismos para lidar com as mudanças no clima. "Precisamos de parcerias e instrumentos para enfrentar crises climáticas."

Taxa de juros muito alta

O executivo disse ainda acreditar que os juros no Brasil estão em níveis muito mais altos do que deveriam estar. "Esse tema tem de estar no centro da futura política econômica", disse.

Mercadante também defendeu medidas para reduzir a velocidade do endividamento público, com objetivo de garantir crescimento econômico. No entanto, ele ponderou que o trabalho não é responsabilidade apenas do Executivo. "Problema fiscal no Brasil é mais complexo que só o esforço do executivo", ressaltou.

Para Mercadante, o País precisa lidar com o grande volume de emendas obrigatórias. "Isso tem um custo que o País inteiro paga", comentou, acrescentando que as políticas monetária e fiscal devem ter "diálogo" melhor.

Estadão
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