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Lua de mel de Lula na economia pode ser curta, dizem analistas

Promessas de campanha e indefinição deixam dúvidas no ar para 2023

1 nov 2022 - 05h45
(atualizado às 16h48)
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Lula derrotou Bolsonaro em segundo turno mais apertado da história da redemocratização
Lula derrotou Bolsonaro em segundo turno mais apertado da história da redemocratização
Foto: AFP / BBC News Brasil

Passada a festa da eleição, é hora de pensar em 2023. A polêmica campanha eleitoral com vitória apertada de Lula ainda está fresca na memória, mas a realidade do que vem por aí pode se refletir na economia e tornar a lua de mel do novo Presidente mais curta, segundo analistas.

“Uma eleição tão apertada significa que Lula será mais limitado nas políticas de esquerda, já que a parte do Congresso dominada pela centro-direita se sentirá mais empoderada”, alertou Thomas Haugaard, Gerente de Portfólio de Mercados Emergentes na Janus Henderson Investors. 

“O foco no médio prazo é em como Lula tentará abrir espaço para suas políticas com foco social, e especialmente em como irá alterar o teto de gastos. A dívida elevada e os custos de juros da dívida tornam muito arriscada qualquer alteração no quadro fiscal. As consequências de longo prazo da vitória de Lula provavelmente serão um papel maior para o Estado, o que acabará prejudicando um potencial crescimento. É improvável que Lula tenha uma longa lua de mel, devido à situação econômica, financeira e política desafiadora internamente e ao ambiente externo hostil”, completou ele

As primeiras notícias econômicas pós-eleitorais

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (31), o primeiro após as eleições presidenciais, manteve a cotação do dólar projetada em R$ 5,20 para 2022. Na série histórica das publicações deste ano, trata-se da 14ª semana consecutiva em que a moeda americana permanece nesse patamar em relação ao real.

Faz mais de três meses que o mercado projeta o dólar em R$ 5,20. A última vez que a cotação da moeda americana apresentou uma estimativa diferente foi em 15 de julho, cuja publicação registrou o valor de R$ 5,13 para o câmbio. Desde o relatório de 22 de julho, todos os documentos apontam a taxa em R$ 5,20.

“O mercado projeta a taxa do dólar em R$ 5,20 desde o fim de julho e nossa leitura é de que esse patamar tem se mostrado próximo à média das oscilações da moeda. Um dia após o resultado das eleições presidenciais, o dólar disparou a R$ 5,40 na abertura do mercado, mas logo depois caiu à margem de R$ 5,22 e R$ 5,23”, disse Janaina Assis, sócia-fundadora da B2Gether. 

“É muito difícil saber se o valor permanecerá na faixa de R$ 5,20 ou se vai subir ou cair de forma acentuada. Tudo vai depender dos próximos movimentos do governo eleito, que deve anunciar a nova equipe econômica e mostrar ao mercado qual será a política adotada nos próximos quatro anos. Também precisamos observar o mercado externo, que ultimamente tem sido marcado por tensões monetárias, econômicas e geopolíticas”, pontua Diego Zia, da B2Gether.

Como ficam os investimentos no governo de Lula

A proposta básica de Lula de aumentar a participação do Estado pode trazer consequências imediatas para os investimentos. O principal ponto de atenção está no ponto de vista fiscal, já que durante a campanha, Lula fez uma série de promessas que têm impacto direto nas contas públicas, como: manter o Auxílio Brasil em R$ 600, reajustar o salário mínimo acima da inflação e isentar o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

“Para cumpri-las, Lula terá que revogar o teto dos gastos. Se isso de fato ocorrer e não for criada uma nova âncora fiscal que restrinja os gastos do governo, a principal consequência pode ser um nível de inflação mais alto nos próximos anos e, consequentemente, taxas de juros mais altas”, diz Samuel Torres, consultor financeiro da fintech Onze. “O cenário favorece os investimentos em renda fixa e tende a prejudicar a renda variável, principalmente se as medidas do novo governo não fizerem o país retomar uma maior taxa de crescimento. Já em relação ao câmbio, com uma inflação mais alta, a tendência nesse cenário é o real se desvalorizar em relação ao dólar.”

Mais uma vez, o alerta é que o novo presidente encontrará um Congresso bem diferente do que ele tinha em seus primeiros mandatos. 

“É importante entender que para implementar tais políticas, Lula depende de aprovação no Congresso, o que tende a ser bastante complicado em decorrência da composição do Legislativo após as eleições de 2022”, alerta Torres.

Redação Dinheiro em Dia
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