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Lojas Renner aposta em novas lojas e base fraca de comparação para acelerar vendas no 2º semestre; vê margem bruta estável

7 ago 2026 - 09h51
(atualizado às 10h25)
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A Lojas Renner espera acelerar as vendas no segundo semestre apoiada principalmente na ‌abertura de novas lojas, reinauguração de unidades reformadas e uma base de comparação mais favorável em relação ao ano passado, afirmou nesta sexta-feira o diretor financeiro da companhia, Daniel Martins, mesmo reconhecendo o cenário macroeconômico desafiador para o mercado.

A varejista reduziu a projeção de crescimento da receita líquida de varejo para 2026 para 4% a 8%, ante 9% a 13% anteriormente, após registrar um desempenho abaixo do planejado no segundo trimestre, citando redução do fluxo de clientes nas lojas físicas durante a Copa do Mundo, em intensidade ⁠superior à observada historicamente, bem como pelos efeitos de um cenário macroeconômico mais desafiador. 

Apesar do corte, a expectativa ainda sinaliza uma aceleração ‌em relação ao primeiro semestre, quando a receita líquida de varejo acumulou uma expansão de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, conforme balanço divulgado na véspera, essa linha cresceu apenas 1,1%, para R$3,689 bilhões, com as vendas ‌mesmas lojas mostrando acréscimo de 0,5%. 

De acordo com Martins, a Copa do Mundo ‌ainda afetou os números de julho, mas fatores como a base de comparação mais fraca na segunda metade do ano, ⁠bem como a manutenção do plano de abertura e reformas de lojas até o final do ano "dão tranquilidade" de que a companhia consegue entregar vendas dentro do novo intervalo estimado. 

No primeiro semestre, foram abertas 16 lojas, sendo 3 da marca Renner, 3 da Camicado e 10 da Youcom. A previsão para o ano contempla a inauguração de 50 a 60 lojas, sendo 22 a 30 Renner, 23 a 25 Youcom e cerca de 5 Camicado.

Até o momento, também houve avanço no processo de renovação de 7 lojas ‌relevantes da marca Renner, com 5 unidades já entregues e 2 entregas adicionais previstas para o terceiro trimestre (Shopping Eldorado-SP e Tijuca-RJ). Na Youcom, ‌foi realizada a reforma da loja do ⁠Shopping Iguatemi Porto Alegre, entregue no ⁠segundo trimestre. Na Camicado, foi realizada a reforma da loja do Shopping Morumbi-SP, entregue no primeiro trimestre.

"Você retoma um crescimento maior do que teve ⁠no primeiro semestre, no segundo trimestre", afirmou Martins em entrevista à Reuters nesta ‌sexta-feira. 

MARGEM BRUTA ESTÁVEL

Mesmo apostando na retomada do ‌crescimento das vendas, a companhia não pretende sacrificar rentabilidade para ganhar volume. Martins afirmou que a Renner espera manter margens brutas em níveis saudáveis no segundo semestre, após alcançar resultados próximos de recordes históricos nos últimos trimestres.

"Para o segundo semestre, vamos contar com uma margem relativamente estável e saudável", afirmou o executivo, lembrando que essa métrica vem aumentando gradativamente trimestre a ⁠trimestre. No segundo trimestre, a margem bruta de varejo ficou em 57,5%, de 57,1% no mesmo período do ano passado.

Ele citou que, apesar do aumento no saldo dos estoques no segundo trimestre, de 6,5%, a qualidade está boa, com a participação de itens acima de 16 semanas inferior em 11,9% ao mesmo período do ano anterior.

Martins acrescentou que o desempenho do fluxo de caixa livre da companhia no segundo trimestre teve um efeito de uma venda abaixo ‌do esperado, assim como do aumento do estoque, além de outras contas que afirmou serem muito mais transitórias e sazonais, mas ressaltou que não existe preocupação com a geração de caixa da companhia.

No segundo trimestre, o fluxo de caixa livre ficou em ⁠R$135,1 milhões, de R$333,1 milhões um ano antes. A empresa fechou o período com uma posição de caixa de R$ 1,9 bilhão e um caixa líquido de R$1,2 bilhão.

"A Lojas Renner é uma forte geradora de caixa no segundo semestre e continuará sendo assim", afirmou. 

"Nós vamos seguir o nosso plano de recompra normalmente. Nós vamos seguir fazendo os pagamentos de JCP (juros sobre o capital próprio) no limite que a legislação nos permite, tal como fizemos nos últimos trinta anos dessa companhia. Nada muda."

CRÉDITO 

O executivo ressaltou que o cenário não está ainda propício a voltar a fazer originações de crédito, dado que o cenário que segue pressionado, com juros ainda em níveis altos, em meio a preocupações com a política fiscal, a inflação, enquanto o panorama externo segue volátil, com guerra, reflexos nos preços do petróleo que causam um efeito cascata para uma série de outros itens na economia.

"A Lojas Renner segue cautelosa, aguardando o momento que possa eventualmente fazer uma originação a um perfil de risco maior", afirmou, acrescentando que a companhia não tem "nenhum problema na carteira" em relação à inadimplência.

No segundo trimestre, a representatividade das perdas em crédito sobre o total da carteira média teve um aumento de 0,4 ponto percentual, alcançando 4,5%.  

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