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Lemann deixa conselho da Kraft Heinz

Bilionário afirmou que decisão tem relação com sua vontade de reduzir o número de viagens; 3G indicará um substituto ao cargo

4 mar 2021
14h21
atualizado às 15h55
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Aos 81 anos, o bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann decidiu que deixará o conselho de administração da Kraft Heinz, empresa de alimentos que a 3G ajudou a montar ao lado de um dos investidores mais conhecidos do mundo, Warren Buffett, por meio da gestora Berkshire Hathaway.

O empresário não irá buscar sua reeleição ao cargo porque decidiu reduzir o número de viagens que realiza, segundo comunicado divulgado na Kraft Heinz e enviado ao regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, a SEC.

Lemann está no conselho da empresa desde a formação da companhia, em 2015, resultado de uma fusão. "A decisão do Sr. Lemann de não se candidatar à reeleição não é o resultado de qualquer desacordo com a administração ou o conselho em relação às operações, políticas ou práticas da empresa. O Conselho agradece o serviço dedicado do Sr. Lemann à empresa", esclarece o documento.

O comunicado frisa ainda que o 3G Capital - fundo de private equity do trio formado por Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles - planeja indicar um substituto ao assento no colegiado para a próxima eleição do conselho, que ocorrerá na reunião anual deste ano."Mais importante ainda, o Sr. Lemann continua a ser um proprietário de longo prazo da empresa como sócio fundador da 3G Capital, o principal acionista da companhia ao lado da Berkshire Hathaway", diz o documento da Kraft Heinz.

A saída de Lemann ocorre em um momento em que a empresa conseguiu melhorar seus números. A ação da Kraft Heinz, listada na Bolsa norte-americana Nasdaq, subiu mais de 50% desde março do ano passado. A companhia encerrou 2020 com receita de US$ 26,185 bilhões, crescimento de 4,8% sobre 2019 e com redução dos indicadores de endividamento.

Sonho grande que ruiu

Lemann nunca escondeu que seu sonho grande de transformar a Kraft Heinz em uma gigante mundial do setor, como fez com a AB Inbev no setor de bebidas, não ocorreu como o planejado. "Com a Kraft foi um sonho grande, que não andou. O sonho grande não permanece, não é mais possível construir algo tão grande na área de alimentos como fizemos em cervejaria. Não deu certo, mas vamos tocar para frente", disse em um evento há dois anos.

O grande baque financeiro para a Kraft Heinz ocorreu no início de 2019, depois de uma baixa contábil de US$ 15,4 bilhões, em função da reavaliação das marcas Kraft e Oscar Mayer. Logo depois,a empresa foi alvo de uma investigação da SEC, por questões relacionadas à sua contabilidade.

A participação do 3G na companhia é hoje de 20% na empresa - posição que foi reduzida em 2019. Já a gestora de Buffett tem aproximadamente 27% da Kraft Heinz.

Depois da diminuição de participação por meio da 3G em 2019, Lemann comprou ações da empresa, desembolsando cerca de US$ 100 milhões. "Estou aumentando meu investimento na Kraft Heinz porque acredito em seu potencial de recuperação, e pretendo manter esse investimento por muito tempo", disse Lemann em comunicado divulgado na época.

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Estadão
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